Curso Direito Penal SP
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O charlatanismo é o ato de inculcar (propor) ou anunciar cura por 
meio secreto ou infalível, conduta descrita como criminosa pelo artigo 283 do 
Código Penal. 
 
 
 
 
 
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9.3.15 Curandeirismo 
 
 Prescreve o artigo 284 do Código Penal que é típica a conduta de 
exercer o curandeirismo: 
 a) prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer 
substância; 
 b) usando gestos, palavras ou qualquer outro meio; 
 c) fazendo diagnósticos. 
 Em qualquer dos casos, a pena prevista é de detenção, de 6 (seis) 
meses a 2 (dois) anos, e, se o crime é praticado mediante remuneração, o 
agente fica também sujeito à multa. 
 
 
10. Crimes contra a paz pública 
 
 São apenas 3 (três) as condutas típicas descritas pelo Código Penal 
no Título que dispõe sobre os crimes contra a paz pública. 
 A primeira delas é a incitação ao crime, conforme redação do artigo 
286 do Código Penal. Publicar em jornal matéria incitando à prática do 
aborto, por exemplo, configura a conduta descrita nesse tipo penal. 
 A segunda, presente no artigo 287 do Código Penal, tipifica a conduta 
de fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime. 
Apologia é o discurso em defesa de algo, nesse caso, a \u201cpropaganda\u201d em 
relação a determinado crime ou autor de crime. 
 Por fim, também configura crime contra a paz pública a associação de 
mais de 3 (três) pessoas, em quadrilha ou bando, com a finalidade de 
cometer crimes (art. 288, caput, do CP). Note-se, mais de 3 (três) pessoas, 
ou seja, exige-se que ao menos 4 (quatro) pessoas estejam associadas com 
a finalidade de cometer crimes, só com o que se poderá falar em quadrilha 
ou bando. Comprovada essa finalidade, a conduta é punível 
independentemente da prática efetiva de algum crime, e a pena será 
aplicada em dobro se a quadrilha ou bando for armada (art. 288, parágrafo 
único, do CP). 
 
 
11. Crimes contra a fé pública 
11.1 Moeda falsa 
 
 São quatro os tipos penais descritos no Capítulo destinado à moeda 
falsa, pelo Código Penal. 
 O primeiro deles dispõe acerca da moeda falsa, tipificando a conduta 
de quem falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-
moeda de curso legal no país ou no estrangeiro (art. 289, caput, do CP). E 
nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou 
exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na 
circulação moeda falsa (art. 289, §1º, do CP). 
 
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 Aquele que recebe de boa-fé, como verdadeira, meda falsa ou 
alterada, e restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, também 
pratica conduta típica (art. 289, §2º, do CP). 
 Também incorre em crime o funcionário público ou diretor, gerente ou 
fiscal de banco de emissão oficial que fabrica, emite ou autoriza a fabricação 
ou emissão: a) de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei; 
b) de papel-moeda em quantidade superior à autorizada. E nas mesmas 
penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava 
ainda autorizada (art. 289, §4º, do CP). 
 O artigo 290 do Código Penal apresenta a tipificação em relação a 
crimes assemelhados ao de moeda falsa. Segundo aludido dispositivo, é 
punível a conduta daquele que formar cédula, nota ou bilhete representativo 
de moeda com fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros, ou 
suprimir, em nota, cédula ou bilhete recolhidos, para o fim de restituí-los à 
circulação, sinal indicativo de sua inutilização, ou, ainda, restituir à circulação 
cédula, nota ou bilhete em tais condições, ou já recolhidos para o fim de 
inutilização. 
 Também é criminosa a conduta daquele que fabrica, adquire, fornece, 
a título oneroso ou gratuito, possui ou guarda maquinismo, aparelho, 
instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de 
moeda, conforme artigo 291 do Código Penal (petrechos para falsificação de 
moeda). 
 Por fim, o artigo 292 do Código Penal dispõe como típica a conduta 
de quem emite título (nota, bilhete, ficha, vale ou título que contenha 
promessa de pagamento em dinheiro ao portador) ao portador sem 
permissão legal, assim como a conduta de quem recebe ou utiliza como 
dinheiro qualquer dos títulos mencionados. 
 
 
11.2 Falsidade de títulos e outros papéis públicos 
 
 Dispõe o artigo 293 acerca da falsificação de papéis públicos. 
Segundo mencionado dispositivo, é vedada a falsificação, fabricação ou 
alteração de: a) selo destinado a controle tributário, papel selado ou 
qualquer papel de emissão legal destinado à arrecadação de tributo; b) 
papel de crédito público que não seja moeda de curso legal; c) vale postal; 
d) cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro 
estabelecimento mantido por entidade de direito público; e) talão, recibo, 
guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas 
públicas ou a depósito ou caução por que o poder público seja responsável; 
ou f) bilhete, passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada 
pela União, por Estado ou por Município. 
 Nas mesmas penas incorre quem: 
 I - usa, guarda, possui ou detém qualquer dos papéis falsificados 
acima mencionados; 
 II - importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda, 
fornece ou restitui à circulação selo falsificado destinado a controle tributário; 
 
 
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 III - importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em 
depósito, guarda, troca, cede, empresta, fornece, porta ou, de qualquer 
forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade 
comercial ou industrial, produto ou mercadoria: 
a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle 
tributário, falsificado; 
b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributária 
determina a obrigatoriedade de sua aplicação. 
 Considera-se atividade comercial, conforme redação do parágrafo 
quinto do artigo 293, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, 
inclusive o exercido em vias, praças ou outros logradouros públicos e em 
residências. 
 Assim como ocorre em relação ao delito de moeda falsa, também em 
relação à falsificação de documentos públicos são puníveis os petrechos de 
falsificação. Segundo o artigo 294 do Código Penal, é punível a conduta de 
todo aquele que fabricar adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto 
especialmente destinado à falsificação de qualquer dos papéis anteriormente 
mencionados. 
 Se o agente for funcionário público e tiver cometido o crime 
prevalecendo-se do cargo, sofrerá aumento de pena de 1/6 (um sexto), 
conforme estipula o artigo 295 do Código Penal. 
 
 
11.3 Falsidade documental 
 
 O artigo 296 veda que sejam falsificados, mediante fabricação ou 
alteração: 
 a) o selo público destinado a autenticar atos oficiais da União, de 
Estado ou de Município; e 
 b) o selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou a 
autoridade, ou sinal público de tabelião. 
 E nas mesmas penas incorre quem: 
 a) faz uso do selo ou sinal falsificado; 
 b) utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de 
outrem ou em proveito próprio ou alheio. 
 c) altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou 
quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou 
entidades da Administração Pública. 
 Se o agente for funcionário público e cometer o crime valendo-se do 
cargo, aumenta-se a pena de 1/6 (um sexto). 
 Enquanto o artigo 297 trata da falsificação de documento público, o 
artigo 298 trata da falsificação de documento particular. 
 No primeiro caso, comete crime aquele que falsificar, no todo ou em 
parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro. Se o 
agente for funcionário público e cometer o crime valendo-se do cargo, 
 
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aumenta-se a pena de 1/6 (um sexto). Para fins penais, equiparam-se a 
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