Curso Direito Penal SP
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quando o funcionário público concorre 
culposamente para o crime de outrem. Nesse caso, se ocorrer a reparação 
do dano, antes da sentença irrecorrível, haverá extinção da punibilidade, e 
se ocorrer depois, haverá redução de metade da pena imposta. 
 O artigo 313 do Código Penal tipifica a conduta do peculato mediante 
erro de outrem, dispondo que nele incorre quem se apropria de dinheiro ou 
qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem. 
 
 
12.1.2 Inserção de dados falsos em sistema de informações 
 
 O artigo 313-A do Código Penal tipifica a conduta do funcionário 
autorizado que inserir ou facilitar a inserção de dados falsos, alterar ou 
excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou 
bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem 
indevida para si ou para outrem ou para causar dano. 
 
 
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12.1.3 Modificação ou alteração não autorizada de sistema de 
informações 
 
 Enquanto o artigo 313-A trata da inserção de dados falsos, o artigo 
313-B do Código Penal tipifica as condutas de modificação e alteração não 
autorizada, por funcionário público, de sistema de informação ou programa 
de informática sem autorização ou solicitação de autoridade competente. 
Nesse caso, haverá aumento de pena de 1/3 (um terço) até a metade se da 
modificação ou alteração resultar dano para a Administração Pública ou para 
o administrado. 
 
 
12.1.4 Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento 
 
 É crime previsto no artigo 314 do Código Penal, extraviar livro oficial 
ou qualquer documento, de que tem a guarda em razão do cargo, assim 
como sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou parcialmente. 
 
 
12.1.5 Emprego irregular de verbas ou rendas públicas 
 
 Empregar irregularmente verbas ou rendas públicas, dando-lhe 
aplicação diversa da estabelecida em lei é crime, e sujeita o infrator à pena 
de detenção de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa. 
 
 
12.1.6 Concussão 
 
 Verifica-se a concussão quando o funcionário público exige, para si ou 
para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de 
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, conforme estipulação 
contida no caput do artigo 316 do Código Penal. 
 No parágrafo primeiro do aludido dispositivo, encontra-se a figura do 
excesso de exação, verificável quando o funcionário público exige tributo ou 
contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, 
emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza. 
 
 
12.1.7 Corrupção passiva 
 
 Verifica-se a corrupção passiva quando o funcionário público solicita 
ou recebe, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da 
função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou 
quando aceita promessa de tal vantagem, conforme redação do caput do 
artigo 317 do Código Penal. 
 A pena da corrupção passiva aumenta-se de 1/3 (um terço) se, em 
consequência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de 
praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional (art. 
317, §1º, do CP). 
 
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 Também configura corrupção passiva a conduta de funcionário 
público que pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração 
do dever funcional, cedente a pedido ou influência de outrem. 
 
 
12.1.8 Facilitação de contrabando ou descaminho 
 
 Se houver infração do dever funcional, para facilitação da prática de 
contrabando ou descaminho, incorrerá o agente no fato típico do artigo 318 
do Código Penal, e estará sujeito à pena de reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) 
anos, e multa 
 
 
12.1.9 Prevaricação 
 
 A prevaricação é o crime que se consuma mediante a conduta de 
retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou de praticá-lo 
contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento 
pessoal (art. 319, do CP). 
 Recente inclusão no Código Penal foi o artigo 319-A, que tipificou a 
conduta do Diretor de Penitenciária e/ou agente público que deixar de 
cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de 
rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o 
ambiente externo. 
 
 
12.1.10 Condescendência criminosa 
 
 A condescendência criminosa ocorre quando o funcionário público 
deixa, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração 
no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao 
conhecimento da autoridade competente. 
 
 
12.1.11 Advocacia administrativa 
 
 É também criminosa a conduta do funcionário público que patrocina, 
direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, 
valendo-se de sua qualidade, caso em que se sujeita à pena de detenção, 
de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa. No entanto, se o interesse patrocinado 
for ilegítimo, a pena aplicável será de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) 
ano, além da multa. 
 
 
12.1.12 Violência arbitrária 
 
 O funcionário que praticar violência, no exercício de função ou a 
pretexto de exercê-la, incorre na conduta típica do artigo 322 do Código 
 
 
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Penal, e se sujeita à pena de detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, 
além da pena correspondente à violência. 
 
 
12.1.13 Abandono de função 
 
 É típica a conduta daquele que abandona o cargo público, fora das 
hipóteses legalmente permitidas (art. 323, caput, do CP). E agrava-se a 
conduta se do fato resultar prejuízo público (art. 323, §1º, do CP), assim 
como se o fato ocorrer em lugar compreendido na faixa de fronteira (art. 323, 
§2º, do CP). 
 
 
12.1.14 Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado 
 
 O artigo 324 do Código Penal dispõe que comete crime aquele que 
entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências 
legais, ou continuar a exercê-la, sem autorização, depois de saber 
oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso. 
 
 
12.1.15 Violação de sigilo funcional 
 
 Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva 
permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação, é crime previsto no 
caput do artigo 325 do Código Penal. E nas mesmas penas incorre quem: 
 a) permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo 
de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a 
sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública; 
 b) se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. 
 
 
12.1.16 Violação do sigilo de proposta de concorrência 
 
 A conduta de quem devassa o sigilo de proposta de concorrência 
pública, ou proporciona a terceiro o ensejo de devassá-lo, descrita pelo 
artigo 326 do Código Penal, foi revogada tacitamente pelo artigo 94 da Lei 
de Licitações (Lei n.º 8.666/93). 
 
 
12.2 Crimes praticados por particular contra a administração em geral 
12.2.1 Usurpação de função pública 
 
 Usurpar a função pública é assumi-la indevidamente através de algum 
meio fraudulento. A mera usurpação, por si só, configura o crime descrito no 
caput do artigo 328 do Código Penal, mas se do fato o agente auferir 
vantagem, sujeitar-se-á a aplicação de pena mais gravosa, conforme 
estipula o parágrafo único do mencionado artigo. 
 
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12.2.2 Resistência 
 
 O crime de resistência ocorre quando alguém opõe-se à execução de 
ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para 
executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio. Nesse caso, o agente se 
sujeitará a pena de detenção, de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos. Mas se o 
ato, em razão da resistência, não se executar, a pena aplicável será de 
reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. 
 As penas pela prática do crime de resistência aplicam-se sem prejuízo 
das correspondentes à violência. 
 
 
12.2.3 Desobediência 
 
 Se alguém desobedecer a ordem