Curso Direito Penal SP
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Curso Direito Penal SP


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o estrangeiro estará sujeito a nova 
expulsão após o cumprimento da mesma. 
 
 
12.4.2 Denunciação caluniosa 
 
 Denunciação caluniosa é dar causa à instauração de investigação 
policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa, 
inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, 
imputando-lhe crime de que o sabe inocente. 
 A pena para a denunciação caluniosa deve ser aumentada da sexta 
parte, quando o agente se servir do anonimato ou de nome suposto. E deve 
ser diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção. 
 
 
 
 
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12.4.3 Comunicação falsa de crime ou de contravenção 
 
 Quem provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência 
de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado, comete o crime 
descrito no artigo 340 do Código Penal, e se sujeita à pena de detenção, de 
1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa. 
 
 
12.4.4 Auto-acusação falsa 
 
 Também é criminosa a conduta de acusar-se, perante a autoridade, 
de crime inexistente ou praticado por outrem, conforme dispõe o artigo 341 
do Código Penal. 
 
 
12.4.5 Falso testemunho ou falsa perícia 
 
 Comete o crime de falso testemunho ou falsa perícia aquele que fizer 
afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, 
contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, 
inquérito policial, ou em juízo arbitral. 
 O crime de falso testemunho ou falsa perícia é crime de mão própria, 
isto é, só pode ser cometido pela própria testemunha ou perito, não sendo 
possível cometê-lo por intermédio de outrem. Esse crime não admite co-
autoria, embora admita participação. Um exemplo típico de partícipe no 
crime de falso testemunho é o do advogado, que incentiva a realização da 
falsa afirmação por parte da testemunha. 
 As penas para o crime de falso testemunho ou falsa perícia 
aumentam-se de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço), se o crime é praticado 
mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a 
produzir efeito em processo penal, ou em processo civil em que for parte 
entidade da administração pública direta ou indireta (ar. 342, §1º, do CP). 
 O crime de falso testemunho ou falsa perícia possui uma 
peculiaridade, que é a possibilidade de retratação ou declaração da verdade, 
que quando feita antes de ser prolatada a sentença no processo em que 
ocorreu o ilícito, faz com que o fato deixe de ser punível (art. 342, §2º, do 
CP). 
 É também criminosa, conforme redação do artigo 343 do Código 
Penal, a conduta de dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra 
vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, para fazer 
afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, 
tradução ou interpretação. Nessa hipótese, as penas aumentam-se de 1/6 
(um sexto) a 1/3 (um terço), se o crime é cometido com o fim de obter prova 
destinada a produzir efeito em processo penal ou em processo civil em que 
for parte entidade da administração pública direta ou indireta. 
 
 
 
 
 
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12.4.6 Coação no curso do processo 
 
 Ocorre a coação no curso do processo quando alguém usa de 
violência ou grave ameaça, com a finalidade de favorecer interesse próprio 
ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funcione 
ou seja chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou 
em juízo arbitral. 
 
 
12.4.7 Exercício arbitrário das próprias razões 
 
 Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora 
legítima, salvo quando a lei o permite é crime tipificado pelo caput do artigo 
345 do Código Penal. 
 Em relação a essa conduta, se não houver o emprego de violência, 
somente se procede mediante queixa. 
 
 
12.4.8 Fraude processual 
 
 Verifica-se a fraude processual mediante a inovação artificiosa, na 
pendência de processo civil ou administrativo, do estado de lugar, de coisa 
ou de pessoa, com a finalidade de induzir a erro o juiz ou o perito (art. 347, 
caput, do CP). 
 Se a inovação tiver como objetivo a produção de efeito em processo 
penal, ainda que não iniciado, as penas devem ser aplicadas em dobro. 
 
 
12.4.9 Favorecimento pessoal 
 
 O artigo 348 do Código Penal dispõe como favorecimento pessoal a 
conduta daquele que auxiliar a subtrair-se (esconder-se) à ação de 
autoridade pública autor de crime a que é cominada pena de reclusão, caso 
em que o agente estará sujeito a pena de detenção, de 1 (um) a 6 (seis) 
meses, e multa. Se ao crime não é cominada pena de reclusão, o agente 
estará sujeito a pena de detenção, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses, e 
multa. 
 Há isenção de pena se quem presta o auxílio é ascendente, 
descendente, cônjuge ou irmão do criminoso. 
 
 
12.4.10 Favorecimento real 
 
 O favorecimento real ocorre mediante a conduta daquele que presta a 
criminoso, fora dos casos de co-autoria ou de receptação, auxílio destinado 
a tornar seguro o proveito do crime, conforme redação do artigo 349 do 
Código Penal. 
 E após a Lei n.º 12.012/09, também se considera como crime de 
favorecimento real a conduta de quem ingressa, promove, intermedeia, 
 
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auxilia ou facilita a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de 
rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional. 
 
 
12.4.11 Exercício arbitrário ou abuso de poder 
 
 Comete exercício arbitrário do poder aquele que ordenar ou executar 
medida privativa de liberdade individual, sem as formalidades legais ou com 
abuso de poder. E na mesma pena incorre o funcionário que: 
 a) ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão, ou a 
estabelecimento destinado a execução de pena privativa de liberdade ou de 
medida de segurança; 
 b) prolonga a execução de pena ou de medida de segurança, 
deixando de expedir em tempo oportuno ou de executar imediatamente a 
ordem de liberdade; 
 c) submete pessoa que está sob sua guarda ou custódia a vexame ou 
a constrangimento não autorizado em lei; 
 d) efetua, com abuso de poder, qualquer diligência. 
 
 
12.4.12 Fuga de pessoa presa ou submetida a medida de segurança 
 
 Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou 
submetida a medida de segurança detentiva é crime, e sujeita o agente à 
pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. 
 
 
12.4.13 Evasão mediante violência contra a pessoa 
 
 Também há crime quando ocorre a evasão ou tentativa de evasão 
pelo preso ou indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, 
fazendo uso de violência contra a pessoa, conforme tipifica o artigo 352 do 
Código Penal. 
 
 
12.4.14 Arrebatamento de preso 
 
 A conduta descrita no artigo 353 do Código Penal tipifica a conduta 
daquele que arrebatar (arrancar, tirar com violência) preso, a fim de maltratá-
lo, do poder de quem o tenha sob custódia ou guarda. 
 
 
12.4.15 Motim de presos 
 
 Se os presos se amotinarem, perturbando a ordem ou a disciplina 
prisão, incorrem no crime descrito no artigo 354 do Código Penal, e 
sujeitam-se a pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, além da 
pena correspondente à violência. 
 
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12.4.16 Patrocínio infiel 
 
 O artigo 354 do Código Penal dispõe como crime, trair, na qualidade 
de advogado ou procurador, o dever profissional, prejudicando interesse, 
cujo patrocínio, em juízo, lhe foi confiado. 
 Nas mesmas penas incorre o advogado ou procurador judicial que 
defende na mesma causa, simultânea ou sucessivamente, partes contrárias, 
delito conhecido como patrocínio simultâneo ou tergiversação. 
 
 
12.4.17 Sonegação de papel ou objeto de valor probatório 
 
 É típica a conduta de inutilizar, total ou parcialmente, ou deixar de 
restituir autos, documento ou objeto de valor probatório, que recebeu na 
qualidade de advogado ou procurador, conduta que sujeita o agente à pena 
de detenção, de 6 (seis)