Curso Direito Penal SP
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meses a 3 (três) anos, e multa. 
 
 
12.4.18 Exploração de prestígio 
 
 Também típica é a conduta de solicitar ou receber dinheiro ou 
qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do 
Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou 
testemunha (art. 357, do CP). 
 As penas desse delito aumentam-se de 1/3 (um terço), se o agente 
alega ou insinua que o dinheiro ou utilidade também se destina a qualquer 
das pessoas referidas pelo artigo. 
 
 
12.4.19 Violência ou fraude em arrematação judicial 
 
 O crime de violência ou fraude em arrematação judicial ocorre quando 
há o impedimento, perturbação ou fraude à arrematação judicial, assim 
como quando há o afastamento ou a tentativa de afastar concorrente ou 
licitante por meio de violência, grave ameaça, fraude ou oferecimento de 
vantagem (art. 358, do CP). 
 
 
12.4.20 Desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de 
direito 
 
 O artigo 359 do Código Penal dispõe ser criminosa a conduta daquele 
que exercer função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi 
suspenso ou privado por decisão judicial, conduta que sujeita o agente à 
pena de detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, ou multa. 
 
 
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1. LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS 
 
 A lei de contravenções penais, Decreto-lei n.º 3.688/41, estipula 
delitos conhecidos como \u201ccrimes-anão\u201d. 
 O artigo 2º da lei em estudo, estipula que a lei brasileira só é aplicável 
à contravenção praticada no território nacional, isto significa que, em se 
tratando de contravenções, não há que se falar em territorialidade 
temperada, tão menos em extraterritorialidade. Portanto, quanto às 
contravenções vige o princípio da territorialidade de forma pura e absoluta. 
 Para que se fale em contravenção, basta a ação ou omissão 
voluntária, levando-se em conta o dolo ou a culpa quando a lei fizer 
depender, de um ou de outro, qualquer efeito jurídico (art. 3º, da LCP). 
 Não se punem as tentativas de contravenção, conforme expressa 
disposição do artigo 4º da Lei de Contravenções Penais. 
 São as penas principais em sede das contravenções: 
 a) prisão simples; 
 b) multa. 
 Em se tratando da pena de prisão simples, ela deve ser cumprida em 
estabelecimento especial ou seção especial de prisão comum, em regime 
semi-aberto ou aberto, não havendo que se falar em regime fechado (art. 6º, 
da LCP). O condenado por prisão simples deve ficar separado dos 
condenados às penas de reclusão ou detenção (art. 6º, §1º, da LCP). 
 A pena de prisão simples não pode nunca ser superior a 5 (cinco) 
anos. 
 No âmbito das contravenções, verifica-se a reincidência quando o 
agente praticar uma contravenção depois de transitada em julgado uma 
sentença que o tenha condenado: 
 a) no Brasil ou no estrangeiro, por crime; ou 
 b) no Brasil por motivo de contravenção. 
 Dentre outras, são contravenções penais: 
 a) referentes a pessoa: 
 a.1) anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar 
aborto; 
 a.2) praticar vias de fato contra alguém. 
 b) referentes ao patrimônio: 
 b.1) abrir alguém, no exercício de profissão de serralheiro ou oficio 
análogo, a pedido ou por incumbência de pessoa de cuja legitimidade não se 
tenha certificado previamente, fechadura ou qualquer outro aparelho 
destinado à defesa de lugar ou objeto. 
 c) referentes à incolumidade pública: 
 c.1) deixar em liberdade, confiar à guarda de pessoa inexperiente, ou 
não guardar com a devida cautela animal perigoso. 
 d) referentes à paz pública: 
 
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 d.1) provocar tumulto ou portar-se de modo inconveniente ou 
desrespeitoso, em solenidade ou ato oficial, em assembléia ou espetáculo 
público, se o fato não constitui infração penal mais grave. 
 e) referentes à fé pública: 
 e.1) recusar-se a receber, pelo seu valor, moeda de curso legal no 
país. 
 f) referente à organização do trabalho: 
 f.1) exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a 
exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu 
exercício. 
 g) referente à polícia de costumes: 
 g.1) estabelecer ou explorar jogo de azar em lugar público ou 
acessível ao público, mediante o pagamento de entrada ou sem ele. 
 h) referente à Administração Pública: 
 h.1) inumar ou exumar cadáver, com infração das disposições legais. 
 
 
2. LEI DE CRIMES CONTRA A ECONOMIA POPULAR 
 
 A lei de crimes contra a economia popular, Lei n.º 1.521/51, estipula 
logo em seu artigo 2º quais são as condutas que caracterizam tais crimes: 
 a) recusar individualmente em estabelecimento comercial a prestação 
de serviços essenciais à subsistência; sonegar mercadoria ou recusar 
vendê-la a quem esteja em condições de comprar a pronto pagamento; 
 b) favorecer ou preferir comprador ou freguês em detrimento de outro, 
ressalvados os sistemas de entrega ao consumo por intermédio de 
distribuidores ou revendedores; 
 c) expor à venda ou vender mercadoria ou produto alimentício, cujo 
fabrico haja desatendido a determinações oficiais, quanto ao peso e 
composição; 
 d) negar ou deixar o fornecedor de serviços essenciais de entregar ao 
freguês a nota relativa à prestação de serviço, desde que a importância 
exceda de quinze cruzeiros, e com a indicação do preço, do nome e 
endereço do estabelecimento, do nome da firma ou responsável, da data e 
local da transação e do nome e residência do freguês; 
 e) misturar gêneros e mercadorias de espécies diferentes, expô-los à 
venda ou vendê-los, como puros; misturar gêneros e mercadorias de 
qualidades desiguais para expô-los à venda ou vendê-los por preço marcado 
para os de mais alto custo; 
 f) transgredir tabelas oficiais de gêneros e mercadorias, ou de 
serviços essenciais, bem como expor à venda ou oferecer ao público ou 
vender tais gêneros, mercadorias ou serviços, por preço superior ao 
tabelado, assim como não manter afixadas, em lugar visível e de fácil leitura, 
as tabelas de preços aprovadas pelos órgãos competentes; 
 
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 g) negar ou deixar o vendedor de fornecer nota ou caderno de venda 
de gêneros de primeira necessidade, seja à vista ou a prazo, e cuja 
importância exceda de dez cruzeiros, ou de especificar na nota ou caderno - 
que serão isentos de selo - o preço da mercadoria vendida, o nome e o 
endereço do estabelecimento, a firma ou o responsável, a data e local da 
transação e o nome e residência do freguês; 
 h) celebrar ajuste para impor determinado preço de revenda ou exigir 
do comprador que não compre de outro vendedor; 
 i) obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de 
número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos 
fraudulentos ("bola de neve", "cadeias", "pichardismo" e quaisquer outros 
equivalentes); 
 j) violar contrato de venda a prestações, fraudando sorteios ou 
deixando de entregar a coisa vendida, sem devolução das prestações 
pagas, ou descontar destas, nas vendas com reserva de domínio, quando o 
contrato for rescindido por culpa do comprador, quantia maior do que a 
correspondente à depreciação do objeto. 
 k) fraudar pesos ou medidas padronizados em lei ou regulamentos; 
possuí-los ou detê-los, para efeitos de comércio, sabendo estarem 
fraudados. 
 Para configuração de qualquer crime contra a economia popular, 
consideram-se como gêneros de primeira necessidade aqueles 
indispensáveis à subsistência humana, como alimentos, itens de vestuário, 
iluminação, terapêuticos, sanitários, combustível, habitação e materiais de 
construção. 
 E o artigo 3º da lei em estudo prossegue estipulando que são crimes 
da mesma natureza: 
 a) destruir ou inutilizar, intencionalmente e sem autorização legal, com 
o fim de determinar alta de preços, em proveito próprio ou de terceiro, 
matérias-primas ou produtos necessários ao consumo do povo; 
 b) abandonar ou fazer