Curso Direito Penal SP
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praticado o crime no local 
em que ocorre a ação ou omissão delituosa. 
 Segundo a teoria do resultado, considera-se praticado o crime no 
local em que ocorre a consumação do crime. 
 
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 Por fim, segundo a teoria da ubiquidade, considera-se praticado o 
crime no local em que ocorre a ação ou omissão, ou, alternativamente, no 
local em que ocorre a consumação. Em outras palavras, considera-se como 
local do crime tanto o local da atividade como o do resultado do crime. 
 O Código Penal brasileiro adotou a teoria da ubiquidade, conforme se 
extrai de seu artigo 6º: 
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu 
a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se 
produziu ou deveria produzir-se o resultado. 
 Essa regra, no entanto, comporta exceções. Tanto a Lei dos Juizados 
Especiais (Lei n.º 9.099/95) como o Estatuto da Criança e do Adolescente 
(Lei n.º 8.069/90) adotam a teoria da atividade para determinação da 
competência. O Código de Processo Penal, por sua vez, para determinação 
da competência, adota a teoria do resultado, isto é, a persecução penal deve 
tramitar perante o foro do local em que se consumar a infração (racione loci). 
 
 
1.6.3 Extraterritorialidade 
 
 A extraterritorialidade é hipótese excepcional, que se subdivide em: 
 a) condicionada; e 
 b) incondicionada. 
 A extraterritorialidade condicionada se verifica naquelas situações em 
que o Brasil se obrigou a reprimir, por Tratado ou Convenção, os crimes 
praticados por brasileiros e os praticados em aeronaves ou navios 
brasileiros, mercantes ou privados, quando estiverem em território 
estrangeiro e ali não forem julgados. 
 Contudo, para aplicação da lei brasileira nos casos de 
extraterritorialidade condicionada é necessário o preenchimento das 
seguintes condições: 
 a) entrar o agente no território nacional; 
 b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; 
 c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira 
autoriza a extradição; 
 d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí 
cumprido a pena; 
 e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, 
não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável. 
 Já a extraterritorialidade incondicionada se verifica quando forem 
cometidos crimes contra a vida ou a liberdade do Presidente da República, 
contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, 
de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia 
mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público, à Administração 
 
 
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Pública, por quem está a seu serviço, ou de genocídio, quando o agente for 
brasileiro ou domiciliado no Brasil. 
 Em qualquer dos casos de extraterritorialidade incondicionada, a 
punição segundo a lei brasileira será efetivada ainda que o agente seja 
absolvido ou condenado no estrangeiro. 
 Por derradeiro, a teor do artigo 7º, parágrafo terceiro, do Código 
Penal, também se aplica a lei brasileira ao crime cometido por estrangeiro 
contra brasileiro fora do Brasil se, reunidas as condições de aplicabilidade da 
lei brasileira nos casos de extraterritorialidade condicionada: 
 a) não foi pedida ou foi negada a extradição; 
 b) houve requisição do Ministro da Justiça. 
 Portanto, para finalizar: 
 
EXTRATERRITORIALIDADE 
Crimes cometidos no estrangeiro, mas sujeitos à lei brasileira 
CONDICIONADA 
Exige o preenchimento de 
determinadas condições (art. 7º, §2º, 
do CP) 
INCONDICIONADA 
A aplicação da lei brasileira ocorre 
independentemente da absolvição ou 
condenação no estrangeiro 
1) Crimes que por tratado ou 
convenção, o Brasil se obrigou a 
reprimir; 
1) Crime contra a vida ou a liberdade 
do Presidente da República; 
2) Crimes praticados em aeronaves ou 
embarcações brasileiras, mercantes ou 
de propriedade privada, quando em 
território estrangeiro e aí não sejam 
julgados. 
2) Crime o patrimônio ou a fé pública 
da União, do Distrito Federal, de 
Estado, de Território, de Município, de 
empresa pública, sociedade de 
economia mista, autarquia ou fundação 
instituída pelo Poder Público; 
3) Crimes praticados por brasileiro; 3) Crime contra a administração 
pública, por quem está a seu serviço; 
4) Crimes praticados por estrangeiro 
contra brasileiro fora do Brasil, se 
reunidas as condições (art. 7º, §2º, do 
CP): a) não foi pedida ou foi negada a 
extradição; b) houve requisição do 
Ministro da Justiça. 
4) Crime de genocídio, quando o 
agente for brasileiro ou domiciliado no 
Brasil. 
 
 
1.6.4 Pena cumprida no estrangeiro 
 
 Quando houver o cumprimento de pena no estrangeiro, ela será 
considerada pelo Poder Judiciário brasileiro, desde que relativa ao mesmo 
crime. Se as penas forem diversas (reclusão e penalidade pecuniária), a 
pena aplicada no estrangeiro atenuará a pena a ser cumprida no Brasil. E se 
 
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as penas forem idênticas (reclusão e reclusão), a pena aplicada no 
estrangeiro será computada na pena a ser cumprida no Brasil. 
 Com isso, evita-se o bis in idem, ou seja, a aplicação da mesma 
punição, pelo mesmo crime, por mais de uma vez. 
 
 
1.6.5 Eficácia da sentença estrangeira 
 
 A sentença estrangeira só passa a produzir efeitos no Brasil após sua 
homologação, pelo Superior Tribunal de Justiça (art. 105, I, \u201ci\u201d, da CRFB/88). 
 Dispõe o artigo 9º do Código Penal, que a sentença estrangeira, 
quando a aplicação da lei brasileira produzir na espécie as mesmas 
consequências, pode ser homologada no Brasil para: 
 a) obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros 
efeitos civis; 
 b) sujeitá-lo a medida de segurança. 
 E, essa homologação depende: 
 a) para obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e 
outros efeitos civis, de pedido da parte interessada; 
 b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o 
país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, 
de requisição do Ministro da Justiça. 
 
 
1.7 Princípios do direito penal 
 
1.7.1 Princípio da intervenção mínima 
 
 O princípio da intervenção mínima é elementar e regente do Direito 
Penal. Segundo ele, o Estado, através do Direito Penal, só deve se 
preocupar com os bens mais relevantes para a sociedade, deixando de 
limitar as atividades que não o sejam. 
 A evolução social mostra que condutas anteriormente consideradas 
como penalmente relevantes, podem deixar de ser com o passar dos 
tempos, como no caso do adultério, antes considerado crime e hoje não 
mais. 
 É duplo, portanto, o sentido do princípio em análise, pois ao mesmo 
tempo que dirige ao legislador o dever de selecionar quais bens jurídicos 
possuem relevância penal, também dirige a ele o dever de retirar a 
punibilidade daqueles bens que deixaram de ser considerados como 
relevantes. 
 
 
1.7.2 Princípio da lesividade 
 
 O princípio da lesividade complementa o princípio da intervenção 
mínima. Enquanto o último estabelece quais bens são relevantes para o 
 
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Direito Penal, o primeiro determina qual o nível de lesão a esses bens deve 
ser passível de punição. 
 É por isso que condutas que não excedem o âmbito do próprio autor, 
sem lesão a bens de terceiros, não são passíveis de punição. 
 Portanto, se a conduta não possuir certa dose de lesividade, ela não 
deve atrair a atenção do Direito Penal. 
 
 
1.7.3 Princípio da fragmentariedade 
 
 Inobstante a divisão do Direito em ramos, como o Civil, o 
Administrativo e o Tributário, cada um deles se subdivide, se fragmenta. A 
fragmentariedade é indicativa das diferentes parcelas de bens que o Direito 
Penal cuida. 
 Segundo a doutrina de Rogério Greco, a fragmentariedade é \u201cuma 
consequência da adoção dos princípios da intervenção mínima, da 
lesividade e da adequação social,