Curso Direito Penal SP
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instrumento ou qualquer objeto destinado à fabricação, preparação, 
produção ou transformação de drogas, sem autorização ou em desacordo 
com determinação legal ou regulamentar. 
 O artigo 35 da Lei de Drogas tipifica a conduta de associação para o 
tráfico, que exige duas ou mais pessoas (crime plurissubjetivo), cuja pena é 
de 3 (três) a 10 (dez) anos, além do pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 
(mil e duzentos) dias-multa. 
 As penas previstas nos artigos 33 a 37 da Lei de Drogas são 
aumentadas de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços), se (art. 40, da Lei n. 
11.343/06): 
 a) a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido 
e as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito; 
 b) o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no 
desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância; 
 c) a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de 
estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de 
entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou 
beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem 
espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento 
de dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou 
policiais ou em transportes públicos; 
 d) o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego 
de arma de fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva; 
 e) caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes 
e o Distrito Federal; 
 f) sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a 
quem tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de 
entendimento e determinação; 
 g) o agente financiar ou custear a prática do crime. 
 O indiciado ou acusado que colaborar de forma voluntária com a 
investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-
autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto 
do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de 1/3 (um terço) a 
2/3 (dois terços), conforme estipula o artigo 41, da Lei de Drogas. 
 O tráfico de drogas (art. 33, caput e §1º), e as condutas descritas nos 
artigos 34 a 37 da lei em estudo são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, 
graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas 
penas em restritivas de direitos (art. 44, da Lei de Drogas). E no caso de 
livramento condicional, ele só poderá ser concedido após o cumprimento de 
2/3 (dois terços) da pena, vedada sua concessão ao reincidente específico, 
ou seja, àquele que cometeu exatamente o mesmo delito pelo qual fora 
anteriormente condenado. 
 Consoante artigo 45 da lei em estudo, é isento de pena o agente que, 
em razão da dependência, ou sob o efeito, proveniente de caso fortuito ou 
força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que 
tenha sido a infração penal praticada, inteiramente incapaz de entender o 
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
 
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Nesse caso, reconhecendo a mencionada circunstância, o juiz deve 
encaminhar o agente para tratamento médico. 
 No entanto, caso o agente que, em razão da dependência, ou sob o 
efeito proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, não era, ao 
tempo da ação ou omissão, inteiramente incapaz, mas não estava em sua 
plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de 
acordo com esse entendimento, o juiz pode reduzir-lhe as penas de 1/3 (um 
terço) a 2/3 (dois terços). 
 
 
7. LEI MARIA DA PENHA 
 
 A lei Maria da Penha, lei n.º 11.340/06, deixa claro que toda mulher, 
independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, 
nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes 
à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades 
para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu 
aperfeiçoamento moral, intelectual e social (art. 2º). 
 A lei Maria da Penha é uma verdadeira ação afirmativa, por meio da 
qual se discrimina positivamente a mulher, posta em histórica posição de 
fragilidade física em relação ao homem. A necessidade da especial proteção 
para a mulher, por meio da lei em estudo, é necessária diante dos séculos 
em que esta permaneceu sob as ordens maritais, cujos resquícios ainda 
estão presentes na atualidade. A Constituição Federal de 1988 aboliu o 
poder marital e instituiu o poder familiar. O Código Civil de 2002 
acompanhou o sentido e assim também a Lei Maria da Penha, que veio com 
o objetivo de conferir eficácia substancial ao Texto Maior. 
 Consabido, ainda que vigente medidas inclusivas, tal como a Lei 
Maria da Penha, está distante o dia em que as mulheres deixarão de sofrer 
violências domésticas em razão de seu desfavorecimento físico. Ao lado das 
leis, medidas concretas devem ser adotadas pelo Poder Público, sobre tudo 
medidas educacionais, melhor método de se criar um sociedade consciente 
do respeito de gênero. 
 Não sem razão o caput do artigo 3º da Lei Maria da Penha dispõe 
que, serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo 
dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à 
cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à 
cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e 
comunitária. Para que esses direitos sejam realmente alcançados, deixando 
o plano meramente formal e ingressando no plano material, cabe à família, à 
sociedade e ao Poder público criar as condições necessárias para 
viabilização da efetivação desses direitos. 
 A interpretação da Lei Maria da Penha, conforme orientação do seu 
artigo 4º, deve considerar os fins sociais a que ela se destina e, 
especialmente, as condições peculiares das mulheres em situação de 
violência doméstica e familiar. 
 Para os efeitos da lei em estudo, configura violência doméstica e 
familiar contra a mulher, qualquer ação ou omissão baseada no gênero que 
 
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lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral 
ou patrimonial (art. 5º): 
 a) no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de 
convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as 
esporadicamente agregadas; 
 b) no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada 
por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços 
naturais, por afinidade ou por vontade expressa; 
 c) em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou 
tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. 
 Portanto, para que se fale na aplicação da Lei Maria da Penha, não 
há necessidade que o agressor coabite ou tenha coabitado com a vítima, 
bastando que se comprove a relação íntima de afeto entre eles. 
 E conforme orientação do artigo 6º da lei em referência, a violência 
doméstica e familiar contra a mulher configura uma das formas de violação 
de direitos humanos. 
 Entre outras, são formas de violência doméstica e familiar contra a 
mulher: 
 a) oral; 
 b) a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe 
cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e 
perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas 
ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, 
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, 
perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e 
limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo 
à saúde psicológica