Curso Direito Penal SP
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e à autodeterminação; 
 c) a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a 
constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não 
desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a 
induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, 
que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao 
matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, 
chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de 
seus direitos sexuais e reprodutivos; 
 d) a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que 
configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, 
instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou 
recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas 
necessidades; 
 e) a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure 
calúnia, difamação ou injúria. 
 Por derradeiro, outro ponto importante da Lei Maria da Penha consta 
de seu artigo 41, que estipulou que aos crimes praticados com violência 
 
 
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doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista, 
não se aplica a Lei n.º 9.099/95 (Lei dos Juizados Especiais). 
 
 
7.1 Assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar 
 
 A assistência à mulher que esteja em situação de violência doméstica 
e familiar deve ser prestada de forma articulada e conforme os princípios 
previsto na Lei Orgânica de Assistência Social, no Sistema Único de Saúde, 
no Sistema Único de Segurança Pública, entre outras normas e políticas de 
proteção, e emergencialmente quando for o caso (art. 9º, da Lei Maria da 
Penha). 
 O juiz deve assegurar à mulher em situação de violência doméstica e 
familiar, para preservar sua integridade física e psicológica: 
 a) acesso prioritário à remoção quando servidora pública, integrante 
da administração direta ou indireta; 
 b) manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o 
afastamento do local de trabalho, por até 6 (seis) meses. 
 A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar 
deve compreender o acesso aos benefícios decorrentes do desenvolvimento 
científico e tecnológico, incluindo os serviços de contracepção de 
emergência, a profilaxia das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e 
da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), além de outros 
procedimentos médicos necessários e cabíveis nos casos de violência 
sexual (art. 9º, §3º, da Lei Maria da Penha). 
 
 
7.2 Atendimento pela autoridade policial 
 
 Na hipótese de iminência ou da prática de violência doméstica e 
familiar contra a mulher, a autoridade policial que tomar conhecimento da 
ocorrência deve adotar, imediatamente, as providência legais cabíveis, 
conforme orientação do artigo 10, da Lei Maria da Penha. 
 No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e 
familiar, a autoridade policial deve, entre outras providências (art. 11, da Lei 
Maria da Penha): 
 a) garantir proteção policial, quando necessário, comunicando de 
imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário; 
 b) encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto 
Médico Legal; 
 c) fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para 
abrigo ou local seguro, quando houver risco de vida; 
 d) se necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de 
seus pertences do local da ocorrência ou do domicílio familiar; 
 e) informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os 
serviços disponíveis. 
 
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 Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, 
feito o registro da ocorrência, deve a autoridade policial adotar, de plano, os 
seguintes procedimentos, sem prejuízo dos previstos no Código de Processo 
Penal: 
 a) ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a 
representação a termo, se apresentada; 
 b) colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato 
e de suas circunstâncias; 
 c)remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, expediente 
apartado ao juiz com o pedido da ofendida, para a concessão de medidas 
protetivas de urgência; 
 d) determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da 
ofendida e requisitar outros exames periciais necessários; 
 e) ouvir o agressor e as testemunhas; 
 f) ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua 
folha de antecedentes criminais, indicando a existência de mandado de 
prisão ou registro de outras ocorrências policiais contra ele; 
 g) remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao juiz e ao 
Ministério Público. 
 O processo penal em matéria de violência doméstica ou familiar 
contra a mulher é condicionado, isto é, exige a feitura da representação pela 
ofendida, sob pena de seu não-processamento. 
 Apresentado o pedido, este deve ser tomado a termo pela autoridade 
policial, pedido este que deverá conter: 
 a) a qualificação da ofendida e do agressor; 
 b) o nome e idade dos dependentes; e 
 c) a descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas 
pela ofendida. 
 
 
7.3 Medidas protetivas de urgência 
 
 Tão logo seja recebido o pedido da ofendida, deve o juiz, no prazo de 
48 (quarenta e oito) horas: 
 a) conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas 
protetivas de urgência; 
 b) determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência 
judiciária, quando for o caso; 
 c) comunicar ao Ministério Público para que adote as providências 
cabíveis. 
 As medidas protetivas de urgência podem ser concedidas pelo juiz, a 
requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida (art. 19, da Lei 
Maria da Penha). Também há possibilidade das medidas urgentes serem 
concedidas de imediato, independentemente da audiência das partes e da 
 
 
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manifestação do Ministério Público, caso em que este deve ser prontamente 
comunicado, conforme disposição do parágrafo primeiro do artigo 19, da Lei 
Maria da Penha. 
 A prisão preventiva do agressor pode ser decretada pelo juiz, de 
ofício, a requerimento do Ministério Público, ou mediante representação da 
autoridade policial, independentemente da fase em que esteja o inquérito 
policial ou a instrução criminal (art. 20, da Lei Maria da Penha). 
 É imperioso que se notifique a ofendida de todos os atos processuais 
relativos ao seu agressor, especialmente em relação àqueles pertinentes ao 
ingresso e à saída da prisão, sem prejuízo da intimação do advogado 
constituído ou do defensor público (art. 21, da Lei Maria da Penha). 
 Por derradeiro, a teor do parágrafo único do artigo 21 da lei em 
estudo, não se admite que a ofendida possa entregar qualquer intimação ou 
notificação ao seu agressor. 
 
 
7.4 Medidas protetivas de urgência que obrigam o agressor 
 
 Tão logo seja constatada a prática de violência doméstica e familiar 
contra a mulher, o juiz pode aplicar, imediatamente, ao agressor, em 
conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência: 
 I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com 
comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei no 10.826, de 22 de 
dezembro de 2003; 
 II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a 
ofendida; 
 III - proibição de determinadas condutas, entre as quais: 
a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das 
testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o 
agressor; 
b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por 
qualquer meio de comunicação; 
c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar a 
integridade física e psicológica da ofendida; 
 IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, 
ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar; 
 V - prestação de