Curso Direito Penal SP
143 pág.

Curso Direito Penal SP


DisciplinaDireito Penal I67.255 materiais1.084.620 seguidores
Pré-visualização45 páginas
que serviram para orientar o legislador no 
processo de criação dos tipos penais. Depois da escolha das condutas que 
serão reprimidas, a fim de proteger os bens mais importantes e necessários 
ao convívio em sociedade, uma vez criado o tipo penal, aquele bem por ele 
protegido passará a fazer parte do pequeno mundo do Direito Penal\u201d. 
 
 
1.7.4 Princípio da insignificância 
 
 Determinadas condutas, tamanha a irrelevância para o Direito Penal, 
devem ser consideradas insignificantes, não sendo passíveis de punição. 
 O princípio da insignificância, também conhecido como princípio da 
bagatela, alinha-se ao princípio da intervenção mínima, e socorre aqueles 
que cometeram lesão a determinado bem juridicamente tutelado pelo 
ordenamento penal, mas que em razão da pequenez, não merece mover a 
máquina estatal punitiva. 
 
 
1.7.5 Princípio da legalidade 
 
 O princípio da legalidade está constitucional e legalmente 
resguardado. Segundo ele, \u201cninguém será obrigado a fazer ou deixar de 
fazer alguma coisa senão em virtude de lei\u201d (art. 5º, inciso II, da CRFB/88), e 
\u201cnão há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia 
cominação legal\u201d (art. 5º, XXXIX, da CRFB e art. 1º, do CP). 
 Em matéria penal, é reserva da lei a tipificação de condutas e 
determinação das penas, portanto. 
 
1.7.6 Princípio da retroatividade da lei mais benéfica 
 
 Em matéria penal, vige o princípio da irretroatividade, mas há 
expressa ressalva quanto a lei mais benéfica ao réu. Nesse caso, admite-se 
 
20 
a retroatividade da lei, conforme expressa autorização do artigo 5º, inciso 
XL, da CRFB/88. 
 Também o Código Penal, no caput de seu artigo 2º dispõe que 
\u201cninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar 
crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença 
condenatória\u201d, e no parágrafo primeiro que \u201ca lei posterior, que de qualquer 
modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos 
por sentença condenatória transitada em julgado\u201d. 
 
 
1.7.7 Princípio da presunção de inocência 
 
 Até condenação proferida em sentença transitada em julgada, todos 
devem ser considerados inocentes. A determinação constitucional do artigo 
5º, inciso LVII, dispõe: \u201cninguém será considerado culpado até o trânsito em 
julgado de sentença penal condenatória\u201d. 
 É com base nessa garantia que confere-se ao condenado em primeira 
instância o direito de recorrer em liberdade, por exemplo. 
 
 
1.7.8 Princípio da personalização da pena 
 
 Apenas aquele que incorreu no fato típico legalmente descrito pode 
suportar as punições dele decorrentes. A Constituição da República de 1988 
foi clara ao estipular que \u201cnenhuma pena passará da pessoa do condenado, 
podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de 
bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles 
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido\u201d (art. 5º, XLV, da 
CRFB/88). 
 Note-se que a obrigação de reparar o dano e pena de perdimento de 
bens alcança, exclusivamente, os bens que eram do próprio condenado, 
sem o que se haveria lesão ao princípio constitucional da personalização da 
pena. 
 
 
1.7.9 Princípio da individualização da pena 
 
 O condenado tem o direito de ter sua pena individualizadamente 
determinada. Conforme estipulação do artigo 5º, inciso XLVI da Constituição 
da República de 1988, \u201c a lei regulará a individualização da pena e adotará, 
entre outras, as seguintes: 
 a) privação ou restrição da liberdade; 
 b) perda de bens; 
 c) multa; 
 d) prestação social alternativa; 
 e) suspensão ou interdição de direitos.\u201d 
 
21 
 Ademais, consoante inciso XLVII do dispositivo constitucional em 
análise, ficam expressamente vedadas as penas: 
 a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 
84, XIX (guerra declarada); 
 b) de caráter perpétuo; 
 c) de trabalhos forçados; 
 d) de banimento; 
 e) cruéis; 
 
 
1.7.10 Princípio do devido processo legal 
 
 Dispõe o artigo 5º, inciso LIV, da Constituição da República de 1988, 
que \u201cninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido 
processo legal\u201d. A garantia em análise confere aos acusados o direito de 
serem processados segundo as regras vigentes, sem a possibilidade de 
serem submetidos à regras ou tribunais de exceção. 
 A observância do devido processo legal confere ao acusado a certeza 
de respeito de seus direitos e exercício das faculdades legais 
disponibilizadas à demonstração de sua participação na atividade criminosa 
para a qual foi acusado. 
 Intimamente ligado ao princípio do devido processo legal estão os 
princípios do contraditório e da ampla defesa. Conforme artigo 5º, inciso LV, 
da Constituição da República, \u201caos litigantes, em processo judicial ou 
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e 
ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes\u201d. 
 O respeito dessas garantias confere ao acusado o direito de se 
defender plenamente e consagram comandos básicos de um Estado 
Democrático de Direito. 
 
 
2. Teoria geral do crime 
 
 Crime é a conduta humana que fere a legislação penal. Praticado o 
fato considerado típico pela lei penal, seu agente incorre nas sanções por 
ele descritas. Via de regra, apenas o ser humano pode ser sujeito ativo de 
uma conduta criminosa, embora a pessoa jurídica também o passa em 
algumas situações. 
 Nem toda a conduta humana que fira a legislação penal, no entanto, 
configura um crime. Dessa forma, a conduta também pode traduzir a prática 
de uma contravenção penal. Enquanto crime é uma conduta mais grave, 
contravenção é a conduta de menor potencial ofensivo, conhecida também 
como \u201ccrime-anão\u201d. 
 Segundo o artigo 1º da Lei de Introdução ao Código Penal, considera-
se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, 
quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de 
multa, e, contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente, 
 
22 
pena de prisão simples ou de multa, ou ambas. alternativa ou 
cumulativamente. 
 Em sentido formal, crime é a violação da lei penal. Em sentido 
material, crime é todo fato humano que fere ou expõe a perigo bens que são 
penalmente tutelados. Por fim, em sentido analítico, crime é um fato típico e 
antijurídico, donde a culpabilidade é pressuposto da aplicação da pena, ao 
passo que a periculosidade é pressuposto da aplicação da medida de 
segurança. 
 Para a conceituação de crime existem duas teorias: 
 a) bipartida; e 
 b) tripartida. 
 Pela teoria tripartida, crime é toda ação ou omissão humana: 
 a) típica; 
 b) antijurídica; e 
 c) culpável. 
 Já a teoria bipartida considera que crime é toda ação ou omissão 
humana: 
 a) típica; e 
 b) antijurídica. 
 Para essa teoria, a culpabilidade não é elemento autônomo do crime, 
mas mero pressuposto da aplicação da pena. 
 Em todo caso, conduta típica é aquela ação ou omissão humana que 
se enquadra à classificação estipulada em lei como criminosa. 
Antijuridicidade é a contrariedade de uma conduta humana com o 
ordenamento jurídico, conduta que causa dano ou perigo de dano a um bem 
jurídico tutelado. Já a culpabilidade é o juízo de reprovabilidade da conduta 
em relação ao fato típico praticado. 
 
 
2.1 Classificação dos crimes 
 
 Acerca dos crimes, várias classificações são apresentadas, dentre as 
quais merece destaque: 
 a) Crimes comuns, próprios e de mão-própria 
 a.1) crime comum: é aquele que pode ser cometido por qualquer 
pessoa; 
 a.2) crime próprio: é aquele que só pode ser cometido pela pessoa 
que ostente uma condição especial, isto é, exige-se um sujeito ativo 
específico, como o funcionário público em relação ao peculato, por exemplo; 
 a.3) crime de mão-própria: é aquele que só pode ser cometido