Curso Direito Penal SP
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jurídico é 
chamado de sujeito passivo eventual ou material, como a pessoa que tem 
um veículo furtado, por exemplo. 
 
 
2.4 Fato típico 
 
 Um fato é típico quando a conduta do homem preenche com perfeição 
uma descrição legalmente proibitiva. Quando alguém mata outrem, incorre 
na proibição constante do artigo 121 do Código Penal, ou seja, pratica um 
fato típico. 
 O fato típico é elemento do crime, ao lado da ilicitude e da 
antijuridicidade. A culpabilidade mostra-se, pois, como mero pressuposto 
para aplicação da pena. 
 Para que se fale em fato típico, há que se falar em: 
 a) conduta; 
 b) resultado; 
 c) relação causal; e 
 d) tipicidade. 
 Esses elementos são necessários quando o sujeito pratica crimes 
materiais, assim como quando pratica crimes omissivos impróprios, pois no 
caso dos crimes formais, de mera conduta e omissivos próprios, basta a 
presença da conduta e da tipicidade, sendo irrelevante a presença do 
resultado e do nexo de causalidade. 
 
 
2.4.1 Conduta 
 
 Penalmente, conduta é a ação ou omissão criminosa, praticada de 
forma culposa ou dolosa, tendente a causar lesão a algum bem 
juridicamente tutelado. 
 Acerca da conduta, a doutrina apresenta três teorias: 
 a) teoria causalista; 
 b) teoria finalista; e 
 c) teoria social. 
 Segundo a teoria causalista, considera-se conduta qualquer ação ou 
omissão humana que produza efeitos exteriores, sendo irrelevante que ela 
tenha sido culposa ou dolosa. Por essa teoria o dolo e culpa devem ser 
alocados como integrantes da culpabilidade. 
 Segundo a teoria finalista, considera-se conduta a ação ou omissão 
humana que seja consciente e voluntariamente praticada, com a finalidade 
 
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de produzir determinado resultado. Portanto, só há que se falar em fato 
típico quando presente o elemento subjetivo do injusto, isto é, a livre vontade 
de praticar o fato criminoso. Essa teoria liga o dolo e a culpa à conduta, 
diferentemente da teoria causalista. 
 Já para a teoria social, considera-se conduta apenas a ação ou 
omissão que tenha relevância social e que seja dominada pela vontade 
humana. Em razão da vagueza na expressão \u201crelevância social\u201d, a teoria 
não encontrou maior espaço de difusão. 
 A conduta criminosa, ademais, pode ser comissiva ou omissiva. É 
comissiva a conduta que traduz um agir do agente, enquanto é omissiva a 
conduta que traduz um deixar de agir quando há o prévio dever jurídico para 
tanto (crimes omissivos impróprios) ou quando não há esse prévio dever 
(crimes omissivos próprios), como na omissão de socorro. E há, ainda, os 
crimes comissivos por omissão, isto é, o agente deixa de praticar uma 
conduta para garantir um resultado criminoso, como por exemplo, quando o 
empregado deixa de trancar a caixa registradora para que outrem, em 
conluio com ele, pratique um furto. 
 
 
2.4.2 Resultado 
 
 O resultado do crime pode ser: 
 a) normativo; ou 
 b) naturalístico. 
 Resultado normativo é o dano ou perigo de dano ao bem 
juridicamente tutelado pela norma penal. Praticado um delito, qualquer que 
seja sua natureza, verifica-se o resultado normativo, portanto. 
 Já o resultado naturalístico é o dano causado no mundo dos fatos, 
como ocorrência direta da conduta criminosa. Nem todos os delitos 
produzem resultados naturalísticos, pois há crimes que independem deles, 
tal como os crimes formais e os de mera conduta. 
 
 
2.4.3 Relação de causalidade 
 
 A relação de causalidade é o vínculo que une a conduta ao resultado. 
O Código Penal brasileiro adotou como regra, a teoria da conditio sine qua 
non, segundo a qual considera-se como causa todo fato que tenha 
concorrido para a produção do resultado criminoso, desde que o agente 
responsável por essa causa tenha atuado volitivamente em relação à 
produção desse resultado criminoso. 
 Excepcionalmente, no entanto, o Código Penal adotou a teoria da 
causalidade adequada, conforme redação do parágrafo primeiro, do artigo 
13, que dispõe que \u201ca superveniência de causa relativamente independente 
exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos 
anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou\u201d. Portanto, no caso de 
causa relativamente independente, que seja superveniente, o agente não 
será responsabilizado pelo resultado, mas apenas pela tentativa. No entanto, 
 
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se a causa relativamente independente for preexistente, o resultado será 
imputado a quem o tenha praticado. Em qualquer caso, quando se tratar de 
causa absolutamente independente, o agente só será responsabilizado 
pelos atos até então praticados. 
 
 
2.5 Crime culposo e doloso 
 
 Para que se fale em crime culposo, há que se falar em: 
 a) negligência; 
 b) imprudência; ou 
 c) imperícia. 
 A negligência é o não agir, ou o agir de maneira sabida ou 
presumivelmente insuficiente. A imprudência é a o agir além do padrão 
recomendado. E a imperícia é o agir sem a capacitação técnica ou 
profissional suficiente para prática do ato. 
 O crime culposo é resultado de uma conduta voluntária, ao menos 
inicialmente, que produz um resultado involuntário em razão da imprudência, 
da negligência ou da imperícia. Para que se fale em punição do crime 
culposo, há que se falar, obrigatoriamente, em previsibilidade do resultado, 
em ausência de previsão pelo agente, e, em tipicidade da conduta culposa, 
pois segundo o parágrafo único do artigo 18 do Código Penal, salvo os 
casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como 
crime, senão quando o pratica dolosamente. 
 Segundo classificação doutrinária, a culpa pode ser: 
 a) consciente; ou 
 b) inconsciente. 
 Verifica-se a culpa consciente quando o agente prevê que o resultado 
lesivo pode ocorrer, mas espera, sinceramente, que ele não aconteça. Já a 
culpa inconsciente verifica-se quando o agente não prevê o resultado que 
era objetivamente previsível. 
 A diferença básica entre culpa consciente e dolo eventual é que, 
enquanto na primeira o agente não espera o acontecimento do resultado 
lesivo, no segundo ele age indiferente em relação a produção ou não do 
mesmo. Em ambos os casos há previsibilidade por parte do agente, falando-
se em dolo quando ele age com indiferença em relação a lesão ao bem 
juridicamente tutelado, e em culpa quando ele acredita, sinceramente, que 
não causará lesão a esse bem. 
 A conduta dolosa, por sua vez, é aquela intencionalmente dirigida à 
prática de um ilícito. O dolo pode ser classificado em: 
 a) direto (ou propriamente dito); 
 b) indireto; 
 c) genérico; e 
 d) específico. 
 
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 Dolo direito é aquele livremente direcionado à prática de um crime 
tipificado na lei penal. Aquele que deseja furtar um veículo e o faz, age com 
dolo direto em relação ao artigo 155 do Código Penal. 
 Dolo indireto é aquele que não se mostra clara e prontamente 
identificável. O dolo indireto se subdivide em alternativo e eventual. Dolo 
alternativo é aquele em que o agente pratica sua conduta ciente de que ela 
pode causar resultados diversos, sendo que sua pretensão se dirige à 
realização de qualquer deles. Já o dolo eventual é aquele em que o agente 
prevê a possibilidade de um determinado resultado e, embora não o deseje 
diretamente, assume o risco de produzi-lo. 
 Dolo genérico é a mera intenção de lesionar a norma penal, 
incorrendo em uma conduta típica nela descrita. 
 Dolo específico é a somatória de, além de lesionar a norma penal, 
obter uma vantagem excedente ou praticar um fim especial. 
 Por derradeiro, há o crime preterdoloso quando o agente pratica uma 
ação ou omissão dolosa, mas produz um resultado mais grave do que 
aquele que havia sido previsto em decorrência de um conduta excedente, 
que é culposa. No crime preterdoloso, a conduta culposa (posterior) supera 
a dolosa (primária). 
 
 
2.6 Erro de tipo 
 
 Conforme redação do caput do artigo 20