Curso Direito Penal SP
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do Código Penal, o erro 
sobre elemento constitutivo do tipo legal exclui o dolo, mas permite a 
punição por crime culposo, se previsto em lei. 
 Como mencionado, o dolo é elemento essencial do tipo penal. 
Verificado, no entanto, que o agente praticou sua conduta pautada por erro 
sobre elemento constitutivo do tipo penal, excluir-se-á o dolo. 
 O erro de tipo pode ser essencial, quando recair sobre as elementares 
ou circunstâncias do crime, e pode ser acidental, quando recair sobre dados 
acessórios do mesmo. 
 Quando o erro de tipo é essencial, o agente que pratica a conduta não 
sabe que está incorrendo em um fato típico. Esse desconhecimento, dentre 
outras causas, pode decorrer de simples ignorância. Quando o erro de tipo 
essencial for invencível, não só o dolo, mas também a culpa será excluída, 
com o que se considerará atípico o fato praticado. No entanto, se o erro de 
tipo essencial for vencível, haverá mera exclusão do dolo, sendo o agente 
responsabilizado pela conduta culposa, se houver previsão legal. 
 Quando o erro de tipo é acidental, em qualquer hipótese haverá 
responsabilização do agente, pois ele possui ciência de estar praticando um 
tipo penal, manifestando erro apenas em relação a elementos acessórios da 
conduta, como o modo de execução, a causalidade ou o próprio objeto 
material. Se \u201cA\u201d, pretendendo matar \u201cB\u201d, o confunde, atira e mata \u201cC\u201d, 
responde como se tivesse praticado o crime contra \u201cB\u201d, tendo incorrido em 
um erro de tipo acidental, erro que recaiu sobre o objeto material do crime. 
Para casos como o do exemplo, dispõe o parágrafo terceiro do artigo 20 do 
Código Penal, que o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado 
não isenta de pena, e, neste caso, não se consideram as condições ou 
 
 
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qualidades da vítima, mas sim as da pessoa contra quem o agente queria 
praticar o crime. 
 O erro sobre o modo de execução do crime pode se manifestar 
mediante erro na execução (aberratio ictus), ou na produção de resultado 
diverso do pretendido (aberratio criminis). Quando se tratar de erro na 
execução (aberratio ictus), o agente responderá como se tivesse praticado 
corretamente o delito, contra o objeto material que pretendia ofender. 
Contudo, quando se tratar da produção de resultado diverso do pretendido 
(aberratio criminis), o agente responderá apenas de forma culposa, se 
houver previsão legal, pelo resultado efetivamente praticado. 
 O erro sobre a relação de causalidade, conhecido como aberratio 
causae, ocorre quando o agente consegue praticar o resultado que 
pretendia, mas não da forma como havia planejado. 
 
 
2.7 Crime tentado e consumado 
 
 Basicamente, o crime se divide entre os momentos preparatórios e os 
executórios. Os momentos preparatórios compreendem a mera e a efetiva 
cogitação, e a preparação material, com a reunião dos instrumentos 
necessários à prática delituosa. Os atos preparatórios não são passíveis de 
punição, salvo se constituírem, autonomamente, infração penal, como em 
relação ao porte ilegal de arma de fogo, por exemplo. Os atos executórios 
são aqueles de efetiva prática criminosa. 
 Uma vez iniciada a prática dos atos executórios, o agente incorre na 
conduta penalmente descrita. Se os atos executórios desenrolarem-se até o 
final, o delito reputar-se-á consumado. No entanto, se por circunstâncias 
alheias à vontade do agente, o delito não se consumar, reputar-se-á como 
tentado o crime. 
 A tentativa é punível com a pena correspondente ao crime 
consumado, diminuída de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), conforme 
redação legal do parágrafo único, do artigo 14, do Código Penal. 
 A tentativa pode ser classificada em: 
 a) perfeita; ou 
 b) imperfeita. 
 É perfeita a tentativa quando o agente pratica todos os atos 
executórios e o crime não se consuma por circunstâncias alheias à sua 
vontade. 
 Em contrapartida, é imperfeita a tentativa quando o agente, também 
por circunstâncias alheias à sua vontade, não consegue executar todos os 
atos necessários à consumação. 
 Seja perfeita ou imperfeita, a punição da tentativa não varia. 
 Por derradeiro, frise-se que não há punição por tentativa em crimes 
culposos, assim como não é punível a tentativa em relação às 
contravenções penais (art. 4º, da Lei das Contravenções Penais). 
 
 
 
 
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2.8 Desistência voluntária e arrependimento eficaz 
 
 O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou 
impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados 
(art. 15, do CP). 
 O Código Penal brasileiro cuidou de possibilitar ao agente várias 
fórmulas de desestímulo à prática criminosa. 
 Todo aquele que desiste de prosseguir nos atos executórios que já 
tenha dado início (desistência voluntária), só será responsabilizado pelo atos 
já praticados, assim como aquele que, embora praticado todos os atos 
executórios, impeça a produção do resultado criminoso (arrependimento 
eficaz). 
 Note-se que o que a lei penal exige é a voluntariedade da conduta, 
mas não a espontaneidade. Portanto, não há qualquer óbice na aplicação 
dos institutos mencionados se o agente deixa de praticar os atos de 
execução ou impede o resultado após acolher o conselho de alguém. Por 
exemplo, se \u201cA\u201d danifica os freios do carro de \u201cB\u201d para que ele colida com 
outrem, mas antes de \u201cB\u201d sair com o carro, \u201cA\u201d confessa (espontaneamente 
ou seguindo o conselho de \u201cC\u201d, por exemplo) o que fez e impede o 
resultado, ele será responsável apenas pelo dano que causou nos freios do 
veículo de \u201cB\u201d, não respondendo por qualquer outro delito, consumado ou 
tentado. 
 
 
2.9 Arrependimento posterior 
 
 Situação diversa é o arrependimento posterior, tratado no artigo 16 do 
Código Penal. Segundo aludido dispositivo, nos crimes cometidos sem 
violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, 
até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a 
pena será reduzida de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços). 
 Preenchidos os requisitos exigidos pelo artigo 16, há causa 
obrigatória de redução de pena, causa esta que beneficia co-autores e 
partícipes. 
 
 
2.10 Crime impossível 
 
 O crime impossível é aquele que não é passível de punição, seja por 
ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto. Se \u201cA\u201d, 
supondo que \u201cB\u201d (de cujus) está vivo, atira contra ele pretendendo matá-lo, 
incorre em um crime impossível. 
 Como não há tipicidade, não há que se falar em responsabilidade 
penal. 
 O crime impossível ocorre também nos casos de flagrante preparado 
(ou provocado), hipótese em que a polícia torna impossível a consumação 
do delito, conforme orientação do Supremo Tribunal Federal. 
 
 
 
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3. Ilicitude (ou antijuridicidade) 
 
 O conceito de ilicitude (ou antijuridicidade) se divide em: 
 a) formal; e 
 b) material. 
 Segundo o conceito formal, ilicitude é a contrariedade entre a conduta 
e o ordenamento jurídico positivo. 
 Segundo o conceito material, ilicitude é a contrariedade da conduta 
em relação a um bem jurídico tutelado. 
 Portanto, agregando os conceitos, conclui-se que ilicitude é a relação 
de antagonismo entre uma conduta humana e o ordenamento positivo, 
causando lesão ou expondo a perigo de lesão um bem jurídico tutelado 
(DOTTI, p. 334, 2006). 
 Acerca da conduta humana, outras duas teorias devem ser 
apresentadas, por meio das quais se avalia o caráter da ilicitude: 
 a) teoria subjetiva; e 
 b) teoria objetiva. 
 Segundo a teoria subjetiva, o fato típico só pode ser considerado 
antijurídico se o agente possuir capacidade para entender e avaliar o caráter 
criminoso de sua conduta. Segundo a teoria subjetiva, os inimputáveis, 
portanto, não praticam crimes. 
 E segundo a teoria objetiva, o fato típico é antijurídico 
independentemente de o sujeito ativo ser dotado de capacidade de avaliar o 
critério