GUSMÃO, PAULO DOURADO DE   INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO
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GUSMÃO, PAULO DOURADO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO


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moral, econômico, demográfico, geográfico etc.). A Sociologia 
versa sobre os costumes e as normas sociais\u37e ora, é sabido que, em suas origens, 
o 
direito se apresenta sob a forma de costumes. A Sociologia é, também, a ciência 
das 
instituiç<*­*>es  sociais\u37e  ora,  o  direito  dá  formajurídica  a  muitas  instituiç<*­*>es 
sociais, como, 
por  exemplo,  a  família,  a  propriedade  etc.  A  Sociologia  Jurídica  (§  7&quot;)  é 
inconcebível 
sem a Sociologia, da qual é uma especialização. O estudo do fenômeno social da 
delinqüência  é  inconcebível  sem  o  auxílio  da  Sociologia,  principahnente  o 
fenômeno da 
delinqüênciajuvenil, que reflete a dissolução de costumes, a crise de afetividade, a 
crise 
do mercado de trabalho e a crise da família de nossos dias. Poderíamos continuar 
enumerando  exemplos  comprovadores  da  necessidade  que  tem  o  jurista  da 
Sociologia. ' 
A História (§ 8&quot;), ou seja, o conhecimento do passado humano, ou, como diz 
G. Monod (&quot;Histoire&quot; in De la Méthode dans les Sciences), o estudo do conjunto 
das  manifestaç<*­*>es  da  atividade  e  do  pensamento  humanos,  considerados 
cronologi­ 
camente  e  em  sua  sucessão,  seu  desenvolvimento  e  suas  relaç<*­*>es  de 
conexão ou 
dependência, é de grande utilidade para o jurista, por ser o direito um fenômeno 
histórico,  que  tem  largo  passado,  ou  seja,  que  tem  História,  relacionada  com 
outros 
fatos  e  acontecimentos  históricos. O Código Civil  francês  seria  incompreensível 
sem 
a Revolução Francesa, bem como a Lei das XII Tábuas dos romanos sem a luta 
entre 
patrícios e plebeus ou as clássicas Declaraç<*­*>es de Direito sem as Revoluç<*­ 
*>es 
Americana e Francesa. A teoria da divisão dos poderes resultou do conflito entre a 
Coroa e o Parlamento inglês, enquanto o direito do trabalho tem suas origens nas 
reivindicaç<*­*>es trabalhistas da primeira fase da Revolução Industrial. A História 
fornece ao jurista as fontes históricas do direito. O direito atual tem suas raízes no 
passado. Governado pela força da tradição, o direito antigo encontra­se nas bases 
do direito vigente. Poder­se­ia pensar em direito alemão, francês ou italiano sem o
direito romano ou em direito brasileiro sem as Ordenaç<*­*>es Reais? Mas não é 
só, 
pois a História, dando a conhecer os direitos antigos, os erros cometidos pelos 
legisladores  do  passado  e  os  bons  e  maus  efeitos  sociais  das  legislaç<*­*>es 
antigas, 
aponta  ao  jurista  e  ao  legislador  de  hoje  o  caminho  que  não  deve  seguir.  No 
direito, 
dizia Leibniz, encontramos o direito do passado e o do futuro. Não se pode, pois, 
fazer ciência do direito sem o conhecimento da História. O jurista, disse Savigny, 
não pode deixar de ser um historiador. 
A <*­*>conomia (§ 24), ciência que versa sobre os problemas da produção, 
distribuição e consumo de bens e com os concernentes a preços, bero como em 
satisfazer as necessidades básicas do homem e em promover o bem­estar social, 
1 Vide nosso Manual de Sociologia. 
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Introdução ao Estudo do Direito 
oferecendo soluç<*­*>es para a reforma da ordem econômica, com a previsão de 
meios que 
a  tornem viável, é outra com a qual o direito  tem  laços estreitos de parentesco. 
Não que 
o direito seja, como sustenta Stammler (§ 197), a  formajurídica das relaç<*­*>es 
econômicas 
ou o reflexo, como quer Marx (§ 199), de ditas relaç<*­*>es, mas porque há largo 
campo 
do  jurídico  em  que  os  fatos  econômicos  têm  impoztância  fundamental.  A 
intervenção 
do Estado no campo econômico, desde a Grande Depressão de 1929, ampliou o 
número  de  relaç<*­*>es  e  atos  jurídicos  de  conteúdo  econômico.  As  crises 
econômicas 
periódicas  alteram  os  sistemas  jurídicos.  O  controle  de  preços  de  gêneros 
alimentí­ 
cios  de  primeira  necessidade  ou  o  congelamento  de  alugueres  e  salários, 
resultantes 
da  crise  de  1929,  para  a  qual  o  direito  então  vigente  não  oferecia  solução 
adequada, 
exigindo legislação especial, é exemplo que demonstra, de forma inequívoca, a 
dependência do direito do fator econômico e a importância da Economia, como 
ciência, para o legislador, o juiz e o jurista. As garantias dadas pelo direito civil, 
dominantes  até  1914,  aos  bens  imóveis  foram,  então,  estendidas  aos  bens 
móveis, hoje
tendo maior  valor  do  que  aqueles.  A  industrialização,  entre  nós,  acelerando­se 
após os 
anos  30,  fez  evoluir  o  direito  do  trabalho.  O  direito  econômico,  que  controla  a 
produção 
e  a  circulação  de  riquezas,  é  ramo  novo  do  direito,  que  apareceu  devido  à 
importância 
adquirida  pelas  relaç<*­*>es econômicas  depois  da Primeira Guerra Mundial. O 
valor da 
Economia para o jurista tomou­se tal, que nas Faculdades de Direito foi criada a 
cadeira 
de  Economia  Política.  Por  isso,  não  se  pode  negar  as  relaç<*­*>es  estreitas 
existentes entre 
Economia e Direito e o valor que tem para o jurista. 
z 
A Moral ( § 43), que tem por objeto o comportamento humano regido por regras 
e  valores  morais,  que  se  encontram  gravados  em  nossas  consciências,  e  em 
nenhum 
código, comportamento resultante de decisão da vontade, que torna o homem, por 
ser  livre,  responsável  por  sua  culpa  quando  agir  contra  as  regras  morais,  tem 
relaç<*­*>es 
muito próximas com o direito. Não se precisa ir muito longe para admiti­las porque 
norma,  liberdade,  culpa,  responsabilidade  e  sanç<*­*>es  são  temas  básicos  da 
moral. Por 
isso, tem ela importância fundamental para o direito, que é controle social eficaz 
da 
conduta humana. Muitas regras morais foram acolhidas pelo direito: não matar 
(implícita na punição do homicídio), não causar dano injusto a outrem (fonte da 
obrigação de reparar),  respeitar a palavra dada (básica no direito dos contratos) 
etc. 
Na Moral e na Religião encontra­se a origem do direito antigo. A Justiça, valor 
Antepassado do Autor, Pedro Autran da Matta Albuquerque, conhecido por Pedro 
Autran, um 
dos  fundadores da Faculdade de Direito do Recife, publicou no século passado 
obra de Economia 
Política  (Prelecç<*­*>es de Economia Politica, Rio de Janeiro, Garnier, Livreiros 
Editor, 1860, 2a 
edição, impresso em Paris), entre nós, uma das primeiras obras sobre o assunto, 
sem nos 
esquecermos da obra do Visconde de Cairu  (losé da Silva Lisboa). No presente 
século até os anos 
40,  nas  nossas  Faculdades  de  Direito,  os  professores  de  Economia  Política 
indicavam o clássico
Cours d'Économie Politique (Paris, Sirey) de Ch. Gide. 
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Paulo Dourado de Gusmão 
jurídico fundamental, é valor moral. O estudo da Moral, de suas regras e dos 
costumes  é,  pois,  relevante  para  ojurista,  principalmente  para  humanizar  as 
relaç<*­*>es 
econômicas e o mundo materializado de nossos dias. 
Finalmente, a Ciência Politica, que estuda o poder, o governo do Estado, os 
costumes políticos, as ideologias etc., tem laços estreitos com o direito, por ser o 
direito estatal o direito por excelência no mundo atual. A Ciência Política é, pois, 
de 
importância fundamental para o direito constitucional. 
Essas são as ciências sociais que têm, a nosso ver, relaç<*­*>es mais estreitas 
com 
o direito. 
12. MEDICINA LEGAL 
É o emprego de conhecimentos médico­cirúrgicos com o objetivo de constituir 
prova,  quando o  homem em si  é  objeto  dela. Segundo os  tratadistas,  existe  no 
direito 
arcaico, como, por exemplo, no Talmud ou na Lex Cornelia, referência a termos 
médicos, como virgindade, aborto, estupro, ferida, infanticídio. A codificação de 
Justiniano  refere­se  a  doenças  mentais.  Na  Idade  Média  havia  a  praxe  de  os 
juízes 
chamarem médicos para, sob juramento, diagnosticarem e darem pareceres sobre 
problemas  jurídicos  cuja  solução  dependia  da  Medicina.  Ugo  di  Lucca,  de