GUSMÃO, PAULO DOURADO DE   INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO
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GUSMÃO, PAULO DOURADO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO


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di Diritto e Procedura Penale, A.  II,  fasc. 4­5­6, nuova serie). Há c\u2014ição 
em espanhol: Delitos 
Sexuales, Buenos Aires, Ed. Bibliográlica Argentina, tradução e notas de Manuel 
Osorio y Florit. 
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Introdução ao Estudo do Direito 
fatores individuais e sociais (Ferri). Pode­se dizer que, partindo de Lombroso, a 
Antropologia Criminal não mais se f'txa em um dos fatores da criminalidade, 
deixando de ser assim monista, para ser pluralista, pois interpreta o crime como 
reftexo de uma personalidade, resultante de váriosfatores (somático, psicoló­ 
gico, social). Querendo resumir, é lícito dizer que a Antropologia Criminal estuda 
o delito como resultado de fatores orgânicos e biológicos, ou melhor, como 
resultante de fatores orgânicos e constitucionais. Pesquisa as características 
orgânica  e  morfológica  dos  criminosos.  Serve­se  nessa  pesquisa  do  método 
estatís­ 
tico. É muito útil na avaliação da periculosidade do delinqüente. 
16. PSICOLOGIA CRIMINAL 
Pesquisa os "processos psíquicos do homem delinqizente" (Guarnieri). Há 
quem a vê como ramo da Antropologia Criminal, porém, atualmente, com o 
desenvolvimento alcançado pela Psicologia, é eiência autônoma, que, no entanto, 
deve caminhar observando os resultados daquela ciência. Como nota Pinatel, a 
Psicologia  Criminal  `  `interessa­se  pelos  processos  psíquicos  do  delinqüente, 
pelos 
motivos que o levaram a delinqüir. Com a Psicanálise, ela se prende ao estudo 
profundo da mente do delinqüente, indagando suas motivaç<*­*>es inconscientes, 
isto 
é\u37e a gênese de suas motivaç<*­*>es aparentes e imediatas. Reencontra­se com a 
Psiquia­ 
tria quando aborda os aspectos psicopatológicos da conduta delituosa. Apresenta­ 
se
ainda como psicologia social ao investigar os aspectos interpessoais do delito&quot; 
(Pinatel, Criminologie, no Traité de Droit Pénal et de Criminologie, t. III, Paris, 
1963, p.11). Dentre os seus objetivos está apoiar psicologicamente o delinqüente. 
Sendo os processos psicológicos os modeladores da conduta humana, pode­se 
considerar a Psicologia Criminal como uma das partes fundamentais da Criminolo­ 
gia. Não cogita do delinqüente anormal, objeto de estudo da Psiquiatria Crimi<*­ 
*>nal.
A Psicologia Criminal nos dá uma  lista de  tipos de delinqizentes, caracterizados 
por 
um  dos  processos  psicológicos:  instintivos  (dominados  pelo  instinto  de 
conservação 
ou de procriação), neuróticos (movidos por neuroses), afetivamente pervertidos 
(insensíveis, indiferentes, egoístas), emotivos, emocionais, vingativos etc. Os me­ 
nores  delinqüentes  têm  merecido  dela  estudo  aprofundado,  demonstrando  a 
Psico­ 
logia  que  eles  são  levados  à  delinqüência  pela  imaturidade,  por  erros  de 
educação, 
por problemas afetivos, pela crise da famlia, pela falta de amparo dos pais, pelos 
maus exemplos etc. (vide Pedro David: Sociologia Criminal Juvenil). Dentro da 
Psicologia Criminal, temos a Psicanálise Criminal, que investiga os motivos sub­ 
consciente e inconsciente do delito com o emprego do método psicanalítico e, 
atualmente,  com  o  uso  de  testes.  Entre  nós,  Luís  Ângelo  Dourado 
(Homossexualismo 
e Delinqüência, 1963, Raizes Neuróticas do Crime, 1965, e Ensaio de Psicologia 
Criminal, 1969), ex­chefe do Serviço de Biopsicologia do Presídio Mlton Dias 
Moreira, do Rio de Janeiro, fez largo uso no referido estabelecimento penal do 
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Paulo Dourado de Gusmão 
método psicanalítico e do ` `teste da árvore'' aos delinqüentes, para precisar a 
periculosidade de cada um. Segundo Dourado, a ` `personalidade do criminoso é 
a 
figura central na psicogênese do crime'', desempenhando o meio social papel de 
` `fator precipitante''. Dever­se­iajulgar, segundo o autor citado, o criminoso, e não 
o crime. 
17. SOCIOLOGIA CRIMINAL 
Investiga os fatores ambientais e sociais do delito. Trata o delito como fato 
social.  Inicialmente,  à  luz  do monismo sociológico, definiu­o como  resultante de 
um 
único fator social, principalmente do econômico. Hoje é pluralista, reconhecendo 
que o delito resulta de vários fatores sociais, para o qual concorre o indivíduo, com 
seus fatores somáticos e psicológicos. Ferri, com sua Sociologia Crcminal (1881), 
pode ser considerado o precursor dessa ciência. Concluindo, a Sociologia Criminal 
concentra­se nosfatores sociais da delinqüência (morais, econômicos, politccos, 
raciais, climáticos, educacionaisetc.).6 
I8. CRIMINALÍSTICA
Tem sido dada essa denominação a todas as ciências que têm por objeto o 
delito. Assim fez Von Liszt. Atualmente, porém, por Criminalistica se entende a 
ccência que trata das provas criminacs: prova pericial (médica, antropométrica, 
datiloscópica  etc.),  bem  como  das  técnicas  para  descobrir  o  autor  do  crcme  e 
ofalso 
testemunho. Daí incluir­se nela a psicologia da testemunha. Generalizando, Seelig 
a considera ramo da ciência penal que tem por objeto a investigação dos delitos 
(fenomenologia criminal). 
6 Entre nós, antes da I Guerra Mundial, Chrysolito de Gusmão, em 1913, estudou 
sociologicamente 
a associação para delinqüir (O Banditismo e a AssociaFão para Delinqüir, Rio de 
Janeiro, Jacintho 
Ribeiro dos Santos Ed.,1914). 
III 
DIREITO E SOCIEDADE ­ NATUREZA E GULTURA­ 
DIREITO, FENãMENO SOCIOCULTURAL 
19. SOCIEDADE E DIREITO 
Coube à ` `escola sociológica francesa'' o mérito de ter, desde o seu fundador 
, 
Durkheim, aprofundado a dependência do direito da realidade social. Antes dela, 
Montesquieu, no século XVIII, já havia admitido­a, principalmente do meio geo­ 
gráfico, chegando a encontrar na &quot;natureza das coisas&quot; a fonte última do direito. 
Para Durkheim (De la Division du Travail Social, 1893), o direito é o &quot;símbolo 
visível&quot; da solidariedade social, enquanto para o seu seguidor, o sociólogo e 
romanista H. Lévy­Bruhl, é o &quot;fenômeno social por excelência''. E assim é por ser 
o direito o único controle social que tem mais possibilidade de garantir a ordem, a 
paz e a segurança sociais, tornando possível a sociedade em todas as etapas de 
sua 
evolução. Em razão disso, olhando­se para trás, depara­se com a variabilidade do 
direito. Da natureza do agrupamento social depende a natureza do direito, que a 
reflete e a rege. Do tipo de sociedade depende a sua ordem jurídica, destinada a 
satisfazer  as  suas  necessidades,  dirimir  possíveis  conflitos  de  interesses, 
assegurar 
a sua continuidade, atingir as suas metas e garantir a paz social. Ubi societa ibi 
jus: 
onde há sociedade há direito\u37e poderia ser assim adaptado o velho brocardo. 
A correspondência estreitaentre direito e sociedade foi reconhecidapela escola 
do direito livre (§ 199) alemã. Ehrlich admitiu o papel secundário desempenhado
pelo  direito  estatal  na  disciplina  da  vida  social,  por  admitirencontrar­se  na 
sociedade, 
e não no Estado, o &quot;centro de gravidade do direito&quot;, enquanto Gurvitch (§ 199), 
defensor  da  teoria  do  direito  social,  disse  corresponder  a  cada  tipo  de 
sociabilidade 
um  tipo  de  direito:  haveria  assim  direito  correspondente  às  relaç<*­*>es  de 
aproximação, 
como, por exemplo, o de familia ou o das sociedades civis ou comerciais,. outro 
correspondente às relaç<*­*>es de afastamento, como o de propriedade, além do 
corres­ 
pondente  às  relaç<*­*>es  mistas  (aproximação­afastamento),  como  o  dos 
contratos. 
Essas idéias, algumas sustentadas no limiar do século XX, enquanto outras, entre 
as
duas guerras mundiais, tinham o mérito de estabelecer a vinculação do direito à 
realidade social e fazer depender do tipo de sociedade o conteúdo do direito. 
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Paulo Dourado de Gusmão 
Sendo universal a sociedade, porquanto onde houver homens em relaç<*­*>es 
estare­ 
mos na presença de uma forma de vida social, pois o homem só pode viver em 
sociedade, 
sendo, como já havia dito Aristóteles, um