GUSMÃO, PAULO DOURADO DE   INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO
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GUSMÃO, PAULO DOURADO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO


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mente no espaço social (§ 28) da Civilização Ocidental, que compreende países 
da 
Europa e da América, cuja validade não é afetada por qualquer lei ou tratado 
internacional,  independendo,  por  sua  natureza  e  origem,  de  governos  ou  de 
consenso. 
33. DIREITO OBJETIVO 
Vejamos agora uma noção restrita do direito, que o define exclusivamente 
como norma. 
Quando consideramos o direito como regra obrigatória, ou como o conjunto 
de regras obrigatórias, entendemo­lo como direito objetivo, ou seja, o direito em 
sentido objetivo. Destarte, direito objetivo é a consideração normativa do direito, 
ou 
seja,  a  compreensão  do  direito  como  norma  obrigatória.  O  Código  Penal,  ou 
qualquer 
norma desse código, os Códigos de Processo, o Código Civil, bem como qualquer 
uma de suas regras, eis exemplos de direito objetivo.' 
34. INSTITUIÇÃO JURÍDICA 
As regras de direito, quando unificadas, constituindo um todo orgânico desti­
nado  a  reger  uma  matéria  jurídica  vasta,  compreendendo  várias  relaç<*­*>es 
jurídicas, 
formam uma instituição juridica (§ § 22 e 199). A famlia, o Estado, etc. são 
instituiç<*­*>es. Como entendê­la? Segundo Roubier (Théorie Générale du Droit), 
é o 
`  `conjunto  orgânico,  que  contém  a  regulamentação  de  um  dado  concreto  e 
durável 
da vida social e que está constituído por um núcleo de regras jurídicas dirigidas 
para 
um fim comum&quot;. Assim, tem, como nota Roubier, dois elementos principais: 
duração, manifestada na repetição de fatos que lhe servem de base, e caráter 
orgânico, decorrente do conjuntojurídico harmônico por ela criado. A duração deve 
7 O direito em sentido subjetivo ou direito subjetivo será tratado no § 144. 
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Paulo Dourado de Gusmão 
ser razoável, pois muitas instituiç<*­*>es jurídicas do passado não mais existem, 
como, 
por exemplo, a escravidão ou o feudalismo. Exige, diz Roubier, razoável durabili­ 
dade. A organicidade,  isto é, a  interligação das normas em função da  finalidade 
que 
lhes  é  comum,  como  nota  Roubier,  é  a  forma  ideal  de  integração  das 
regrasjurídicas. 
A maioria das instituiç<*­*>es jurídicas tem sua origem na vida social, como, por 
exemplo,  a  familia.  Sendo  a  instituiçãojurídica  conjunto  orgânico,  durável,  de 
regras 
jurídicas,  tem  os  mesmos  caracteres  da  regra  de  direito:  bilateralidade, 
coercibilida­ 
de,  generalidade  e  sanção  do  poder  público  ou  o  consenso  das  naç<*­*>es 
(instituiç<*­*>es 
internacionais). Mas a essas características se sobrep<*­*>e a finalidade comum 
em 
função da qual a instituição exerce o seu papel jurídico­social e em razão da qual 
devem ser interpretadas as normas que a constituem. 
35. ORDEM JURÍDICA 
O direito positivo da sociedade internacional, ou do Estado, é uma ordem 
juridica que pode ser definida como o complexo de normasjuridicas vigentes em 
dado momento histórico, numa sociedade determinada. Nesse sentido, ordem jurí­ 
dica e ordenamento jurídico se confundem, tendo o mesmo sentido e a mesma
significação jurídica. Fica desde logo esclarecido que o conceito de ordem 
jurídica compreende não só normas legislativas (lei, decreto­lei, regulamento, 
códigos, Constituição etc.), como também normas consuetudinárias, standards 
jurídicos, jurisprudência dos Tribunais, tratados interoacionais e princípios gerais 
do direito vigentes em um momento histórico. 
Mas a idéia de ordem jurídica pressup<*­*>e órgãos e autoridades, previstos em 
suas normas, que Ihe dão eficácia e garantem a ordem pública, a paz social e 
internacional, a segurança individual e social, as atividades política, religiosa, 
profissional, econômica etc. 
A ordem jurídica é, na realidade, uma forma de ordem social, que, como 
sabemos, é mais ampla, pois é constituída por todos os controles sociais (direito, 
moral, educação etc.). 
Com Roubier (Théorie Générale du Droit) pensamos ser a ordem jurídica global 
constituída de várias ordens jurídicas que se distinguem: a) ratione materiae, pela 
matéria que disciplina (direito civil, direito penal etc.)\u37e b) ratione loci, em razão do 
território no qual vigem (direito brasileiro, direito federal e direito estadual, direito 
paulista  etc.)\u37e  c)  rationepersonae,  em  função do grupo  social  a  que  se  destina, 
como o 
caso do direito canônico, do direito do trabalho, do direito profissional (Estatuto da 
OAB) etc.\u37e d) ratione temporis, se considerada historicamente (direito romano, 
Ordenaç<*­*>es  Reais,  direito  colonial  português  outrora  vigente  no  Brasil)\u37e  e) 
ratione 
fontis,  em  função  da  fonte  que  provém,  (direito  escrito,  consuetudinário,  direito 
juris­ 
prodencial, direito doutrinal). 
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Introdução ao Estudo do Direito 
36. Lf CITO E ILÍCITO J<*­*>ICOS 
O campo do lícito jurídico é muito vasto, pois coincide não só com o que é 
permitido pelo direito, como, também, com o que lhe é indiferente. É sabido que o 
direito prescreve impondo, proibindo ou facultando. Quando imp<*­*>e ou protúe, 
não 
deixa margem à liberdade individual: não há outra solução senão obedecê­lo, sob 
pena de o infrator sofrer punição. Mas, quando permite, tolera, faculta ou, então, 
quando não prescreve, domina a liberdade individual, podendo cada um fazer ou 
não fazer, agir ou não agir, dar ou não dar, omitir­se ou agir, segundo suas 
conveniências e interesses, desde que não cause prejuíza a outrem, não exponha 
outrem a risco grave, não impeça que outrem exerça o seu direito ou desde que 
não 
transgrida uma regra de direito. Nesse terreno, a autoridade pública não intervém. 
O  que  não  éjuridicamente  vedado  é  lícito,  sendo,  conseqüentemente, 
juridicamente
permitido. Zittelmann e Donati admitem haver implícita em qualquer ordenamento 
jurídico uma norma fundamental que exclui a ação da autoridade no caso de não 
haver prescrição legal. 
Do lado oposto do lícito temos o ilícito, isto é, o que é contrário ao prescrito 
pelo direito. Consiste assim na ação (ação ou omissão) inobservadora de norma 
proibitiva de atos, aç<*­*>es ou omiss<*­*>es \u37e ilícíto penal, se a transgressão for 
de lei penal\u37e 
ilícito civil se, inobservando dever legal, causar dano a outrem. Segundo Kelsen (§ 
200), o iiícito, ou seja, o antijurídico, é a condição da coerção jurídica, isto é, da 
aplicação, pelo Estado ou por uma organização internacional (§ 95), da sanção 
jurídica. 
37. VALIDADE DO DIREITO 
No que concerne à validade do direito, deve­se distinguir o sentido científico 
do ftlosóftco. Para o primeiro, validade do direito depende da competência para 
legislar da autoridade que o prescrever. Emanado de uma autoridade competente 
para  formulá­lo,  tem  validade.  Competência  que  pode  ser  originária,  como  é  o 
caso 
da Constituinte, ou derivada, quando decorre da Constituição. Nesse último caso, 
válido é o direito estabelecido conforme as normas reguladoras de sua produção. 
Mas, não basta essa conformidade formal, pois é indispensável que a lei não seja 
incompatível com a Constituição (validade material), porque, se o for, é inconstitu­ 
cional, isto é, destituída de validade, desde que o Judiciário assim a declare por 
sentença. Já o sentido filosófico não é tão simples. Para explicá­lo, existem.várias 
teorias. A normativista (§ 200), defendida por Kelsen, explica a validez de uma 
norma por outra a ela imediatamente superior, que a torna jurídica exclusivamente 
por tê­la observado. Assim, segundo esta teoria, a Constituição dá validade à lei\u37e 
esta  ao  regulamento\u37e  a  Constituição  e  a  lei,  à  sentença  e  aos  atos  e 
negóciosjurídicos. 
Porém  esta  teoria  deixa  sem  explicação  a  validez  da  norma  superior  e  da 
fundamen­ 
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Paulo Dourado de Gusmão 
tal, ou última, isto é, a validez da própria Constituição. É, pois, meia solução. A 
sociológica, quer quando vê a validade