GUSMÃO, PAULO DOURADO DE   INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO
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GUSMÃO, PAULO DOURADO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO


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no poder efetivo que tem uma autoridade 
para originariamente formular uma norma jurídica, quer quando faz depender do 
reconhecimento da validez do direito por parte pelo menos da maioria de seus 
destinatários  (Jellinek)  ou,  ainda,  quando  a  faz  decorrer  da  correspondência 
efetiva 
do comportamento das pessoas aos padr<*­*>es  jurídicos vigentes (Max Weber, 
Ehr­
lich), também não satisfaz. A primeira porque só explica ofato da criação ou da 
legitimação do direito, nada nos dizendo sobre a validade do direito assim criado, 
enquanto a segunda e a terceira, por confundir validade com eficácia, pois esta, e 
não 
aquela, depende de tal reconhecimento ou observância efetiva. Pensamos que, do 
ponto de vista filosófico, o direito é válido se corresponder à justiça, às aspiraç<*­ 
*>es 
morais do povo e às reais necessidades sociais, bem como se atender às suas 
finalidades (ordem, paz e seguridade). 
38. VIGÊNCIA DO DIREITO 
A vigência do direito é, muitas vezes, confundida com a validez do direito. 
Mas, no sentido próprio, isto é, de positividade ou obrigatoriedade do direito, não 
há razão para confundi­la com outras características do jurídico. Aqui tratamos da 
vigência  no  sentido  de  realidadejurídica,  propriamente  da  obrigatoriedade  do 
direito 
positivo por ter todos os requisitos jurídicos para tal, por ser lícito referir­se à 
vigência de idéias e de valores jurídicos, da alçada da Filoso ia do Direito, que 
corresponde mais à validade dos mesmos no  tempo e espaço socioculturais em 
que 
vige a cultura da qual são express<*­*>es. Mas no sentido técnico­juridico vigência 
é a 
dimensão  temporal  e  espacial  da  obrigatoriedade  do  direito,  determinável, 
começan­ 
do  da  data  em  que  for  publicada  a  norma  no  Diário  Ofcccal,  ou  da  data  nela 
prevista, 
terminando na de sua revogação total ou parcial, expressa ou tácita, quando lei 
posterior  dispuser  em  sentido  contrário.  Vigente,  assim,  a  lei  sancionada  e 
publicada 
no Diário Oficial, enquanto não revogada, ou o tratado internacional, aprovado por 
decreto legislativo, enquanto não denunciado. A data da publicação no Diário 
Oficial nem sempre coincide com a do início da eficácia (obrigatoriedade) da lei, 
porquanto  o  legislador  pode  postergar  os  seus  efeitos  para  data  posterior, 
estabele­ 
cendo­a  expressamente.  Nesse  caso,  a  lei  torna­se  obrigatória  a  partir  da  data 
nela 
prevista. 
No direito anglo­americano (Common Law), o precedente judicial (case law) 
tem  vigência  da  data  em  que  for  prolatado,  perdendo­a  da  data  da  primeira 
sentença 
que decidir em sentido contrário, que, se reiterada, se  torna, então, precedente, 
ou, 
ainda, de quando a Corte Suprema o julgar inconstitucional ou dispuser em 
contrário. 
O costume tem vigência enquanto observado, perdendo­a com o desuso.
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Introdução ao Estudo do Direito 
39. EFICÁCIA E EFETIVIDADE DO DIREITO 
A ef'iciência (Getung) do direito depende do fato de sua observância no meio 
social no qual é vigente. Eficaz é o direito efetivamente observado e que atinge a 
sua finalidade. É, assim, um fato, consistindo na observância efetiva da norma por 
parte  de  seus  destinatários  e,  no  caso  de  inobservância,  na  sua  aplicação 
compu<*­*>sória 
pelos órgãos com competência para aplicá­la. Significa, com palavras de Kelsen, 
direito  que  é  `  `realmente  aplicado  e  obedecido''. Não  depende, é claro, de ser 
sem 
exceção observado, pois há sempre transgress<*­*>es, muitas vezes não punidas 
por não 
ter sido possível apurar a autoria das mesmas ou a culpabilidade do denunciado, 
mas 
de,  na maioria  dos  casos,  ser  observado  por  seus  destinatários  e,  no  caso  de 
violação, 
de ser aplicado compulsoriamente pelo poder público. O simples fato de a norma 
jurídica ser inobservada não significa ser ela ineficaz, salvo se cair em desuso, ou 
seja, se não for aplicada, habitual, uniforme e reiteradamente pelo poder público. 
Assim, o direito pode ter vigência e não ter eficácia, pois pode viger e não ser 
observado, mas não pode ter eficácia sem vigência. A norma pode ser hoje eftcaz 
e 
amanhã tornar­se ineficaz. A vigência delimita, em regra, a eficácia do direito. O 
direito, porém, pode ter eficácia depois de revogado por respeito a situaç<*­*>es 
constituídas ao tempo em que era vigente, que devem continuar a ser regidas pelo 
direito abolido, por exemplo no caso de direito adquirido (vide Capítulo XXV). 
Há quem faça distinção entre eficácia e efetividade. A primeira, dependendo 
de a norma alcançar o resultado jurídico pretendido pelo legislador, enquanto a 
efetividade, do fato da observância efetiva da norma, por parte das autoridades e 
de 
seus destinatários. Assim, por exemplo, o chamado &quot;Plano Cruzado&quot; teria tido 
efetividade por ter sido observado na área econômico­financeira, sem ter tido 
ef'tcácia por não ter alcançado o resultado pretendido, saneamento da moeda. 
Pensamos que a distinção nestes termos confundeforma e conteúdo da norma, 
porquanto o conteúdo é que pode ter eficácia, e não a forma, que pode ser usada 
para 
resultados sociais os mais diversos. 
Mas, querendo valer­se da idéia de efetividade é preciso, a nosso ver, seguir 
Kelsen  (§  §  197  e  200).  À  luz  da  Teoria  Pura  do  Direito  (§  §  197  e  200)  tem 
sentido
distinguir eficácia de efetividade. Kelsen vai mais longe, interligando validade, 
eftcácia  e  efetividade.  Para  ele,  a  norma  é  válida  se  pertencer  a  uma  ordem 
jurídica 
eficaz em sua totalidade. Isto porque é a eficácia da ordem jurídica, criada por um 
governo  eficiente,  que  conduz  ao  reconhecimento  internacional  da  mesma  por 
força 
do princípio de efetividade. Nesse sentido, eficácia é condição da validade global 
do direito. O principio de efetividade, que pertence ao direito internacional, faz 
depender  a  validade  da  norma  de  sua  eficácia.  Se  eficaz,  o  governo  que  a 
prescreveu 
é  internacionalmente reconhecido. Nesse caso, efetividade depende da eficácia, 
ou 
seja, de a norma ser observada pela maioria de seus destinatários e pelos órgãos 
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Paulo Dourado de Gusmão 
administrativos e judiciais por tempo razoável. Como vemos, efetividade tem mais 
sentido no âmbito da comunidade internacional, enquanto na ordem interna, a 
eftcácia. 
40. EXEQllIBII.IDADE DO DIREITO 
Próximo de eficácia, temos a exeqi<*­*>ibilidade da norma, na dependência de 
certas condiç<*­*>es de  fato,  sem as quais a norma, que as pressup<*­*>e, não 
pode ser 
aplicada.  Assim,  por  exemplo,  a  aplicação  da  norma  penal  que  prevê,  como 
medida 
de  segurança,  colônia  agrícola,  depende  a  sua  aplicação  da  existência  dessa 
colônia. 
Portanto, exeqüibilidade depende de haveras condiÇ<*­*>es defato, previstas na 
norma, 
para a sua aplicação. 
41. LEGITIMIDADE DO DIREITO 
A legitimidade depende de o direito ter apoio da sociedade civil. É, portanto, 
o reconhecimento do direito como legítimo pela sociedade civil. Sem apoio dela, o 
direito não tem legitimidade, necessitando vigilância redobrada do poder público 
para evitar que seja elevado o índice de sua inobservância. 
Mas há também outro sentido de legitimidade. Nesse caso, decorre do fato de 
o direito ser instituído de acordo com as normas que disciplinam a sua elaboração, 
em regra, segundo a Constituição, bem como de se ajustar aos princípios gerais 
do
direito e às tradiç<*­*>es jurídicas. Como vemos, esse sentido se confunde com o 
problema  da  validade  do  direito,  com  o  da  legalidade  e  com  o  de  sua 
constituciona­ 
lidade (§ 135). Pode­se fazer referência à legitimidade como a qualidade do direito 
promulgado por autoridade competente para tal e, ainda, filosoficamente, como 
correspondência da lei àjustiça. 
42. LEGALIDADE 
O Direito, como acentuamos,