GUSMÃO, PAULO DOURADO DE   INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO
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GUSMÃO, PAULO DOURADO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO


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imp<*­*>em  em  geral  a  anterioridade  da  lei  ao  ato 
governamen­ 
tal\u37e  o  princípio  do  `  `primado  do  direito'',  isto  é,  o  do  direito  acima  das 
conveniências 
do  governo,  de  suas  idéias,  de  sua  política  e  de  sua  vontade,  bem  como  dos 
interesses 
individuais\u37e a regra daboa­fé\u37e o princípio daprescrição\u37e o princípio da coisajulgada\u37e 
as  `  `declaraç<*­*>es  de  direito''  \u37e  o  controle  da  legalidade  de  atos  de  direito 
público e de 
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Paulo Dourado de Gusmão 
direito  privado  possível  com  o  recurso  a  aç<*­*>es  judiciais  para  obter  decisão 
judicial 
sobre  a mesma\u37e  o  controle  da  constitucionalidade das  leis  e  dos atos do poder 
público 
pelo Judiciário etc. Estes e outros princípios são inspirados pelo valor segurança\u37e 
da 
mesma forma, o princípio do summum jus et summa injuria, o abuso do direito, o 
direito do trabalho, a responsabilidade civil pelos riscos criados, a revisão judicial 
dos  contratos  leoninos  atendem  mais  a  exigências  dajustiça.  O  direito 
internacional 
público é norteado pelo valor paz. 
Mas o direito sofre também a influência de fenômenos naturais e do fator 
geográfico. Quantas vezes uma seca prolongada, geada, terremoto ou outro fenô­ 
meno natural provocam legislaç<*­*>es destinadas a proteger a produção agrícola 
ou as 
relaç<*­*>es jurídicas, dilatando prazos legais e contratuais etc. 
Complexa, portanto, a matéria ou conteúdo da regra de direito, cujas raz<*­*>es 
de 
ser consolidam­se lentamente na comunidade, penetrando, às vezes tardiamente, 
no 
direito. 
67. FONTES FORMAIS 
São os meios ou as formas pelas quais o direito positivo se apresenta na 
História, ou então, como querem Korkounov (Cours de Théorie Générale du Droit) 
e Gurvitch  (Théorie  Pluraliste  des  Sources  du Droit  Positi<*­*>,  os meios  pelos 
quais
o direito positivo pode ser conhecido. São, assim, os meios de conhecimento e 
expressão do direito, isto é, de formulação do direito, pelos quais podemos identifi­ 
cá­lo. Os meios ou as formas (lei, costume, decreto etc.) pelos quais uma matéria 
(econômica,  moral,  técnica  etc.),  que  não  éjurídica,  mas  que  necessita  de 
disciplina 
jurídica,  transforma­se emjurídica. Tais  fontes, ditas secundárias, sup<*­*>em as 
fontes 
materiais ou reais do direito, conhecidas por fontes primárias, a que acima nos 
referimos (§ 66). 
De modo geral, pode­se dizer que as fontes formais do direito são estatais, ou 
de direito escrito, e não­estatais. Dentre as fontes estatais, temos a lei, enquanto 
entre 
as  não­estatais,  isto  é,  entre  as  que  não  dependem  de  atividade  legislativa  do 
Estado: 
o costume, o contrato coletivo de trabalho, a doutrina etc. As fontes formais do 
direito podem ser classiflcadas em três categorias: la,fontes estatais do direito (lei, 
regulamento, decreto­lei, medida provisória)\u37e 2', fontes infra­estatais (costume, 
contrato coletivo do trabalho, jurisprudência, doutrina)\u37e 3', fontes supra­estatais 
(tratadc<*­*>s internacionais, costumes internacionais, princípios gerais do direito 
dos 
povos civilizados). Poderíamos dizer ainda que asfontesformais do direito podem 
ser:1 ) de direito interno (lei, regulamento, decreto­lei, jurisprudência dos tribunais 
estatais, direito interno consuetudinário, contrato coletivo de trabalho, doutrina 
nacional)\u37e 2) de dcreito comunitário, como as do direito da União Européia\u37e 3) de 
direito internacional (tratado, costumes internacionais, princípios gerais do direito 
dos povos civilizados, jurisprudência da Corte Internacional de Justiça e a ciência 
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Introdução ao Estudo do Direito 
do direito internacional). De modo muito amplo:1) legislativas (lei, regulamento, 
decreto­lei)\u37e 2) consccetudincirias (costumes)\u37e 3) jarisprudenciais (formadas pela 
jurisprudência dos tribunais estatais e da Corte Internacional)\u37e 4) convencionais 
(tratados internacionais, contrato coletivo de trabalho)\u37e 5) doutrinárias (opinião dos 
juristas no campo do direito intemo e no do direito internacional). 
68. HIERARQUIA DAS FONTES FORMAIS 
Há hierarquia ou escalonamento entre as fontes formais do direito decorrente 
da superioridade ou supremacia de umas e da subordinação de outras, enquanto 
entre fontes de igual valor há igualdade e coordenação.3 
A esse respeito, devemos distinguir o sistema da Common Law (Estados
Unidos,  IngIatelra)  do  sistema  continental  (§  166),  dominante  na  Europa 
continental 
e na América Latina. No primeiro, o costume e o precedente judicial são fontes 
principais do direito. Já no sistema continental, a lei.' 
Temos hierarquia entre as normas legislativas. Assim, a lei constitucional 
(Constituição  e  emendas  constitucionais)  está  acima  de  todas  as  normas 
legislativas 
e de todas as demais normas jurldicas. No Estado moderno, a Constituição e as 
emendas  constitucionais  presidem  a  disposição  orgânica  das  demais  fontes 
formais 
do direito. Daí Kelsen5 defini­la como uma pirâmide jurídica, em cujo vértice está 
a  Constituição.  Depois  da  lei  constitucional  vem  a  lei  complementar,  que  não 
chega 
a ser norma constitucional, mas que a completa, e, abaixo dela, a lei ordinária, que 
3 Duguit coloca no vértice da pirâmide juridica a &quot;Declaração de Direitos&quot;, logo a 
seguir<*­*>a 
Constituição,  depois  as  leis  ordinárias.  O  `  'sistema  de  declaraç<*­*>es  de 
direitos, escreve Duguit no 
Traité  de  Constitutionnel,  tende  a  determinar  os  limites  que  se  imp<*­*>em  à 
ação do Estado\u37e para 
isso  se  formulam  princípios  superiores,  que  devem  ser  respeitados  tanto  pelo 
legislador consti­ 
tuinte como pelo ordinário, que tais declaraç<*­*>es reconhecem, sem criá­los. '' 
4 No direito  interno a  tradicional  classificação  das  fontes  em  lei,  regulamento e 
costume estáabalada 
pelas  fontes  criadas  pela  burocracia,  no  sentido  weberiano,  ou melhor,  pelos 
tecnocratas no 
exercício  do  poder,  seja  no  campo do direito  administrativo,  seja  no do direito 
fiscal, ou seja, no 
do direito econômico. Temos neste último a resolução do Banco Central com a 
mesma força da 
lei\u37e  convênios  entre  os  Estados­membros,  no  campo  fiscal,  ratificados  por 
decretos do Executivo 
estadual, com força de lei estadual\u37e parecer normativo (ato normativo) constitui, 
no campo do 
direito administrativo, fonte de direito. Tais fontes deram rude golpe na certeza do 
direito, 
subvertendo a hierarquia das fontes do direito. 
5 A  teoria  do ordenamento  juddico estruturado em pisos  (§ 200), ou melhor, do 
sistema jurtdico 
entendido como uma pirâmide, encontra­se nas grandes obras de Kelsen. Para o 
público brasileiro 
indicamos: Teoria Geral do Estado (há ed. em espanhol e em português), Teoria 
Geral do Direito
e do Estado (há tradução para o espanhol e para o italiano, sendo em inglês a 
edição original) e 
Teoria Pura do Direito (há edição em espanhol e em português). 
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está  subordinada  à  constitucional  e  à  lei  complementar,  não  podendo,  nas 
Constitu­ 
iç<*­*>es rígidas, violá­las, sob pena de ser inconstitucional. 
Em  virtude  da  distinção  das  funç<*­*>es  legislativa  e  executiva,  cabendo  à 
primeira 
legislar e à segunda executar, temos a seguinte hierarquia {hierarquia orgânica): a 
lei (§ 71) prevalece sobre o regulamento (§ 72). Este deve submeter­se à lei, não 
podendo ser contra legem. Nos sistemas federativos, a lei federal prevalece sobre 
a 
estadual  e  a  municipal,  desde  que  não  invada  o  domínio  da  competência 
legislativa 
estadual estabelecido na Constituição federal. 
No sistema continental, temos subordinação do costume (§ 75) à lei, que não 
pode ser contra legem e que não admite o desuso da lei (§ 141). O fato de uma lei 
não  ser  observada