GUSMÃO, PAULO DOURADO DE   INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO
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GUSMÃO, PAULO DOURADO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO


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Rejeitado, o Executivo tem que 
acatar a decisão do Legislativo. Nesse caso, bem como nos casos em que o poder 
de 
veto não é exercido, o Presidente da República deve sancionar a lei. Sanção é o 
ato 
pelo qual o Executivo, concorrendo com o Legislativo na elaboração da lei, aprova 
a lei formulada pela Assembléia. Dela se distingue a promulgação, pela qual o 
Executivo determina a sua execução. Sancionada e promulgada, é a lei publicada 
no 
órgão oficial (Diário Oficial). Publicada, tem vigência na data de sua publicação, 
isto é, entra em vigor a partir dessa data ou no prazo nela estabelecido. Publicada, 
ninguém  pode  alegar  a  sua  ignorância.  Pela  publica<*­*>ão  é,  assim,  ftxado  o 
momento 
em que a lei entra em vigor, ou melhor, a data em que ela se torna obrigatória, isto 
é,  em  que  tem  eficácia.  Quando  a  lei  não  entra  em  vigor  na  data  de  sua 
publicação, 
há um período em que ela não produz efeitos, ou seja, que não é obrigatória, 
denominado por vacatio legis, que termina na data de sua entrada em vigor.ó 
Finalmente, as leis podem ser constitucionais e ordinárias. As primeiras (§ 63) 
são as que organizam politicamente o Estado, estabelecendo as suas funç<*­*>es 
e os 
limites  de  seus  poderes  em  relação  às  pessoas  que  vivem  em  seu  território, 
enquanto 
as leis ordinárias (§ 63) são as demais leis, não só as de direito público, como, por 
exemplo, o Código de Processo Civil, o Código Penal etc., como também as de 
direito privado, como, exemplificando, o Código Comercial, o Código Civil etc. 
72. REGULAMENTO
É a norma juridica emanada, exclusivamente, da Administração, Pública 
(Poder Executivo) em virtude de uma atribuição constitucional de poder norma­ 
tivo. É também denominado lei material em contraposição à lei formal, com6 
também decreto. 
Em sentido amplo, os regulamentos são internos ou administrativos e externos 
ou normativos. Os primeiros têm por objeto a organização de um órgão, ou de um 
ente público. Daí serem denominados regulamentos de organização\u37e não vinculam 
terceiros. Os ` `externos'' ou ` `normativos'' alcançam terceiros, isto é, pessoas 
estranhas à Administração. 
6 Sobre o problema do desconhecimento da lei pelos seus destinatários, ou seja, 
da obrigatoriedade 
da lei e do valor do erro de direito, consultar o § 135. Atrasando a publicação no 
Diário Oficial, 
a lei deve entrar em vigor na data em que efetivamente circular o órgão oficial, e 
não na data em 
que  figurar  no mesmo.  A  diwlgação  antecipada  da  lei  pela  imprensa,  tevê  ou 
rádio não lhe dá 
autenticidade e nem eficácia. 
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Paulo Dourado de Gusmão 
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Introdução ao Estudo do Direito 
Os regulamentos podem ser ainda de execução, independentes, delegados ou 
por  autorizaÇão  especial.  Os  de  execução  contêm  normas  especiais  para  a 
aplicação 
de lei, sendo, assim, normas secundárias em relação à lei, que é, então, a norma 
primária.  Pressup<*­*>em,  portanto,  lei  anterior,  que  limita,  previamente,  a  sua 
matéria, 
que não pode ser ampliada ou modificada. Nesse caso, a Administração possui 
poder 
normativo limitado, subordinado ao preceituado na lei formal. 
Os regulamentos independentes resultam de poder normativo genérico, atri­ 
buído pelo  legislador à Administração. O  fundamento desses  regulamentos está 
no 
fato de a Administração necessitar de competência para formular normas para
desempenhar a sua função: administração e serviços públicos\u37e não podem dispor 
sobre a matéria reservada, constitucionalmente, à lei. 
73. DECRETO­LEI 
Regra de direito baixada pelo chefe do Poder Executivo, quando monopolizar 
o  poder  legiferante  com  ou  sem  autorização  constitucional.  É  também 
denominado, 
impropriamente  (vide  §  69),  decreto  legislativo,  ou,  ainda,  ordenança  de 
necessida­ 
de  ou  de  urgência,  ou,  como  em  alguns  países,  decreto,  denominação  que  o 
confunde 
com  regulamento.  Tem  força  de  lei  e vale como  lei. Nos países em que  impera 
divisão 
de poderes não há lugar para essa norma. Querendo defmi­lo, pode se dizer ser a 
lei
ditada pelo Executivo. No Brasil, de 1930 a 1934, o Presidente da República 
legislava através de decretos (leis), porque a Revolução de 30 havia dissolvido o 
Congresso durante o Estado Novo (Constituição de 1937), por decreto­lei. 
74. MEDIIlA PROVISÓRIA 
Ato normativo, editadó pelo Presidente da República, com força de lei, em 
havendo  extraordinária  urgência  e  necessidade,  cuja  eficácia  cessa, 
retroativamen­ 
te, se não aprovado pelo Congresso Nacional. Aprovando­a, transforma­se em lei 
(§ 71). É medida normativa de extraordinárianecessidade e urgência, exigida pela 
ordem econômico­financeira, pela paz social ou pela ordem e segurança públicas. 
Extraordinária  necessidade  e  urgência  ajustiflcam,  desde  que  não  possam 
aguardar 
a elaboração de uma lei. Matéria penal está dela excluída por não haver crime no 
Estado de direito sem ser previamente previsto em lei (§ § 7 I e 105). Prevista no 
art. 
63 de nossa Constituição Federal de 1988, editada, produz efeitos da data de sua 
publicação,  devendo  o  Presidente  da  República  imediatamente  submetê­la  ao 
Con­ 
gresso  Nacional,  que,  se  em  recesso,  deve  ser  convocado  para  se  reunir 
extraordi­ 
nariamente,  no  prazo  de  cinco  dias,  para  apreciá­la.'  Perde  a  eficácia 
retroativamente 
7 Sobre o atraso da circulação do Diário Oficial que a publicar, vide nota anterior. 
se não convertida em lei pelo Congresso no prazo de trinta dias (parágrafo único 
do
art. 63). Rejeitada, deverá o Congresso elaborar, com urgência, lei disciplinadora 
da 
matéria  da medida  provisória  não  aprovada.  Porém,  o Presidente  da República 
(art. 
84, XXVI, da Constituição Federal), no caso de o Congresso retardar a aprovação 
da medida, antes de expirar o prazo fatal de trinta dias, para evitar a insegurança 
das 
relaç<*­*>es  jurídicas  dela  decorrentes,  pode,  e  deve,  baixar  outra  idêntica  ou 
semelhan­ 
te,  encaminhando­a,  de  imediato,  ao  Congresso.  Se  rejeitada,  não  pode  ser 
repetida 
sob pena de inconstitucionalidade. 
A origemhistórica da Medida Provisória encontra­se no art. 77 da Constituição 
italiana de 1947, que faculta ao Governo, no caso de extraordinária necessidade e 
urgência, sem delegação das Câmaras, editar decretos com força de lei. Prevê a 
lei
fundamental italiana que o decreto deve ser de imediato submetido às Câmaras, e 
que, se não for transformado em lei, perde a eftcácia retroativamente. 
Como vemos, cautelas foram impostas pela Constituição italiana para edição 
de decreto­lei,  tendo em vista, com certeza,  ter dele abusado o regime  fascista, 
cujo 
figurino, nesse terreno normativo, copiamos e abusamos no Estado Novo (1937­ 
1945), bem como a partir de 1964 até a promulgação da Constituição de 1988. 
Mas a origem mais remota dessa medida acha­se no art. 48 da Constituição de 
Weimar (1919), da Alemanha, que permitia ao Presidente, em havendo &quot;perturba­ 
ção ou ameaça graves à segurança e ordem pública'', decretar medida legislativa 
com a aprovação a posteriori pelo Parlamento. 
A Constituição da Espanha de 1978, em seu art. 82, prevê o decreto­lei, com 
as cautelas previstas na Constituição de Weimar. 
De certa forma, encontramos medida semelhante no art.16 da Constituição 
francesa de 1958. 
Desses precedentes históricos infere­se ser a medida provisória ou de urgêncía 
inspirada no princípio salus republicae suprema lex esto (a salvação do Estado é a 
suprema  lei)  ou,  então,  saluspopuli  suprema  lex  esto  (a  salvação  do  povo  é  a 
suprema 
lei).  Esses  procedimentos  disfarçam  o  velho  decreto­lei,  cercado  somente  de 
cautelas 
destinadas  a  evitar  abusos  por  parte  do  Governo.  Salvaguardas  que,  se  não 
respei­