GUSMÃO, PAULO DOURADO DE   INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO
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GUSMÃO, PAULO DOURADO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO


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positivo''. 
A nosso ver, a Teoria Geral do Direito destina­se a estabelecer os elementos 
formais, essenciais e comuns a qualquer norma juridica, independente de seu 
conteúdo, bem como formular os conceitosjuridicosfundamentais, indispensáveis 
ao raciocinio juridico. É, como disse Kelsen (Teoria Ceral do Direito e do 
Estado), Teoria Geral do Direito Positivo, resultante da ` `análise comparativa dos 
direitos". 
Não se ocupa do problema dos fins, dos valoresjurídicos e dajustiça, da alçada 
da Filosofia do Direito, nem de quest<*­*>es sociológicas, pertinentes à Sociologia 
Jurídica. 
Não é teoria do direito de um país, mas teoriajuridica comum a vários direitos. 
Não é, entretanto, teoria de direito universal, visão positivista da ciência do direito 
natural, fora do espaço­tempo, mas teoria do direito histórico. 
7. SOCIOLOGIA JURÍDICA 
Pode­se dizer que a Sociologia Juridica é ciência muito jovem, estando ainda 
em estado de formação. Daí ter razão Timasheff (Introduction a la Sociologie 
Juridique) quando diz estar a Sociologia do Direito em plena infância. 
Sendo ciência recente, é natural que os principais estudos de Sociologia 
Jurídica versem sobre problemas metodológicos, a respeito dos quais juristas e 
sociólogos não chegaram ainda a um acordo. 
17 
Introdução ao Estudo do Direito 
Com muita precisão e razão Timasheffreconhece ser necessário definir a Socio­
logia Juridica como ciência nomográfica, por pressupor o princípio de causalidade 
e por 
ocorrer regularidade no processo histórico modelador do direito. 
Não há acordo, também, quanto à tarefa da Sociologia Jurídica, talvez porque, 
como dissemos, historicamente, a Sociologia do Direito é ciência muito nova. '3 
Gurvitch vê em Aristóteles, Hobbes e Spinoza os precursores da Sociologia do 
Direito.  Já  Ehrlich  pensa  que  o  Esprit  des  Lois,  de  Montesquieu,  `  `deve  ser 
conside­ 
rada a primeira tentativa para elaborar uma sociologia juridica''. 
Para nós, é com Montesquieu, Maine, Durkheim e Max Weber que a Sociologia 
Jurídica se constitui como ciência autônoma. 
Entendemos por Sociologia Jurídica aparte da Sociologia que estuda o direito 
como fenômeno social, ou, ainda, como fenômeno sociocultural, indagando os 
fatores de sua transformação, desenvolvimento e declinio, de modo a que, com o 
estudo comparativo desses fatores em várias sociedades, possa: 1&quot;, solucionar o 
problema da gênese social do direito\u37e 2&quot;, descobrir as estruturas socioculturais 
correspondentes  aos  diversos  tipos  de  direito,  bem  como  explicar, 
sociologicamente, 
as idéias e instituiç<*­*>es jurídicas, desvendando suas bases sociais. 
Assim, a Sociologia do Direito, para não se afastar do pensamento sociológi­ 
co,  deverá  levar  em  conta  os  resultados  da  sociologia  geral,  da  sociologia  da 
moral, 
da sociologia política, da sociologia da cultura e da sociologia do conhecimento. 
Sociologicamente compete­lhe:1', apurar as condiç<*­*>es sociais e econômicas, 
morais, geográficas e demográficas etc. do direito\u37e 2a, encontrar os fatores sociais 
das  transformaç<*­*>es  jurídicas\u37e  3',  elaborar  uma  teoria  sociológica  do 
conhecimento 
jurídico, do saber jurídico, encontrando a motivação social das idéias jurídicas\u37e 4a, 
verificar os resultados sociais das regras, teorias e instituiç<*­*>es jurídicas, a fim 
de 
facilitar o trabalho do legislador, do juiz e do jurista na reforma, interpretação e 
p ç 
a lica ão do direito\u37e 5, estabelecer a função e o fundamento sociais do direito em 
tese e dos direitos históricos\u37e 6a, apurar os fatores sociais dos fatos jurídicos 
(divórcio, casamento, crimes etc.) e a inter­relação entre esses fatos e a realidade 
social\u37e  7a,  descobrir  os  tempos  e  espaços  socioculturais  (§  28)  do  direito\u37e  88, 
verificar 
os  fatores  sociais  da  presença  em  diferentes  direitos  de  elementos  comuns  a 
todos 
os direitos e de elementos jurídicos espeçíficos a alguns\u37e 9a, definir o direito em 
termos 
sociológicos,
l  3  Entre  nós,  a  Sociologia  Jurídica  foi  tratada por Pontes  de Miranda, Queiroz 
Lima, Carlos Campos, 
Cláudio Souto, Djacir Menezes, Evaristo de Moraes Filho, Cândido Mendes de 
Almeida, Nélson 
Nogueira Saldanha, Miranda Rosa etc. Pela originalidade com que a versaram na 
América Latina, 
devem ser lembrados os argentinos Herrera Figueroa, Pedro David e o mexicano 
L. Mendieta y 
Nunez. 
<012> 
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Paulo Dourado de Gusmão 
Considerando a Sociologia Jurídica o direito como fato social, como fenômeno 
social, serve­se dos métodos das ciências nomográficas, isto é, das ciências que 
pesquisam regularidades além, é claro, do método sociológico propriamente dito, 
deixando  o  estudo  das  `  `significaç<*­*>es'',  dos  `  `sentidos''  e  dos  `  `valores'', 
embutidos 
nas normas e nos fatos jurídicos, à Filosofia do Direito. 
8. HISTÓRIA DO DIREITO 
É a parte da História que tem por objeto o direito considerado como fato histórico. 
É,  assim,  uma  história  particular,  e  não  geral,  por  ser  o  direito  um  dos 
componentes da 
Cultura.  Como  históriaparticular,  a  do  direito  só  pode  ser  traçada  com  o 
conhecimento 
da História da Cultura, em que o direito estiver inserido, bem como da História da 
nação 
a qual ele pertencer por não ser fenômeno histórico­social autônomo, mas um dos 
elementos do fenômeno sócio­cultural global, encaixado em um contexto histórico. 
Como o  direito  varia  com as  sociedades,  as  naç<*­*>es e  as  civilizaç<*­*>es,  a 
História do Direito 
não é história universal do direito, mas a história do direito de uma civiliza<*­*>ão, 
podendo 
ser  também  História  do  direito  de  um  pais.  Há,  assim\u37e  a  História  do  Direito 
ocidental 
ou europeu, como há a História do Direito grego antigo, do direito sumeriano, do 
direito 
romano, do direito brasileiro, etc. Por isso, tem razão Kohler quando diz que cada 
civilização  tem seu direito,  conseqüentemente  a História de seu direito, da qual 
depende 
o sentido dos direitos dos países nela integrados, como, em nosso caso, depende 
do
direito português e do direito romano. 
Por outro lado, a História do Direito não é só a História do direito petrificado nas 
normas, escritas ou costumeiras, mas também dajurisprudência dos tribunais, da 
ciência 
jurídica  e  dos  documentos  que  dão  vida  ao  direito.  Assim,  tem  por  matéria 
documentos 
juridicos  históricos,  sejam  leis,  códigos  etc.,  sejam  contratos,  testamentos, 
sentenças 
etc., não só o direito estratiflcado, como, também, o direito vivo. Não se restringe, 
pois, 
à história da  legislação. Tem sempre em vista o direito positivo,  isto é, o direito 
que foi 
eficaz, ou seja, que produziu efeitos históricos. 
Grande é a importância dos estudos históricos do direito, pois, revelando os 
efeitos históricos das  legislaç<*­*>es, da  jurisptudência, dos negócios jurídicos e 
da 
doutrina,  facilitam a compreensão do direito atual, além de fornecer aos juristas, 
ao 
legislador e ao juiz liç<*­*>es que devem ser aproveitadas. 
Serve­se a História do Direito do mesmo método da História in genere: critica 
dos  doç<*­*><*­*>mentos.  A  primeira  tarefa  do  historiador  do direito  deve  ser  a 
descoberta 
de  documentos,  seguida  da  &quot;crítica&quot;  dos  mesmos,  isto  é,  da  análise  do 
documento, 
verificando inicialmente a sua autenticidade, para depois, então, entregar­se à sua 
hermenêutica ou interpretação. Por documentosjuridicos entendemos leis, senten­ 
ças,  obrasjurídicas,  testamentos,  contratos,  portarias  etc.  Partindo  desses 
documen­ 
tos,  o  historiador  do  direito  pode  estabelecer  generalizaç<*­*>es,  reconstituir 
épocas e 
explicar o passado do direito. 
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Introdução ao Estudo do Direito 
9. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO 
Disciplina destinada a dar ao iniciante na ciência