Vocabulário Jurídico
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DisciplinaIntrodução ao Direito I88.160 materiais526.687 seguidores
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de géneros avariados, e 
não avariados, só de per si nada pode produzir de útil para a 
descoberta do modo da indemnisação real d'êste Contracto. 
I 
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O mesmo, (ainda Ferr. Borges) se-pode dizer do caso de 
Avaria Grossa, querendo decidir por comparação do valor 
existente com o primeiro custo, que não é estável, e tomado 
todavia como base fixa e immutável: 
E d'aqui se-conhece, quão errónea e inútil é a esti 
pulação couteúda nas nossas Apólices, que, só n'um 
caso é praticável sem injustiça de uma das Partes: In 
serta na Apólice sem attenção, e por ignorância, é 
quasi incrível, como até os nossos dias se-perpetua, e 
continuúe!
 
. 
Este Contracto, attente-se bem, não tem outro fim senão 
cobrir o Commerciante Segurado do damno, que as suas 
fazendas podem soffrêr por deterioração em valor, embora 
damniflcadas pêlo mais, não se-obrigando a nada mais o 
Segurador: 
Acha-se o valor da deterioração com depreciação, 
comparando no logàr do destino o valor das fazendas sãs com 
o valor bruto das fazendas avariadas; e do resultado tira-se 
uma escala de proporção para a depreciação relativa ao valor 
dado na Apólice Estimada, ou no valor da factura na Apólice 
Aberta: 
Esta regra é geral, e fixa, serve para todas as hy-potheses, 
e preenche o fim da Indemnlsação, porque sa-be-se da 
proporção exacta da perda relativa ao valor estimado, ou ao 
valor real, sem sujeição ã fluctuação alguma, nem ao risco de 
pagar o Segurador aquillo á que não se-obrigou; e â perder o 
Segurado, tendo segurado contra a perda, e tendo à esse fim 
pago um premio: 
Note-se, que temos fallado do caso de deterioração, ou da 
perda parcial ; porque, no caso de perda inteira, não ha 
dificuldade; vindo como, ou estimação da Apólice, ou o preço 
da factura e despêzas, ó o regulador do damno soffrido, e 
portanto da indemnisação á fazer: 
Estas reflexões são de grande ponderação, não se-acharáS 
vulgarmente feitas; e, se os Seguradores, e Segurados, se-
demorarem um pouco na sua averiguação, não 
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teráõ de arrepender-se: São pouquíssimas as regulações de 
Avarias Justas, que temos visto; uma rotina impensada, e as 
palavras absurdas da Apólice, são a causa da injustiça\u2014. 
Indemnidade \u2014 Nosso Cod. do Comm. 
Estas justas censuras do Diccionnario de Ferr. Brag. não 
cabem áo nosso Cod. do Comm., porquanto, em seu Art. 
677\u2014 VII, declara em geral nullos, os seguros de lucro 
esperado, que não fixarem somma determinada sobre o valor 
do ebjecto seguro : 
E além d'isto, sobre a Liquidação das Avarias, contém as 
regras particulares dos seus Arts. 778 e 779: 
Isto não é justificar abusos nas Regulações das Avarias. 
 
 
 
\u2014 Indicio (Per. e Souza) é a circumstancia, que tem 
connexâo verosímil com o facto incerto, de que se-pre-tende a 
prova: 
O Indicio é, ou próximo, ou remoto, o que muitas vezes é 
fallivel, e só respeita aos accidentes de facto, e não ao mesmo 
crime; próximo é o que ordinariamente acompanha o facto, e 
tem com êlle uma relação intima e necessária: 
Os Indícios Próximos são leves, ou violentos; estes, quando 
de tal sorte são connexos com as circumstancias do facto, que 
seria impossivel attribuil-as á outro principio ; aquêlles, os que 
tem menos grãos de probabilidade e podem acompanhar, ou 
deixar de acompanhar, o facto. 
Indícios (Ferr. Borges) são conjecturas produzidas por 
circumstancias de facto, connexas da prova; presump-ções que 
podem sêr falsas, mas qne contém ao menos um caracter de 
verosimilhança: 
Em matéria civil, os Indícios bastão às vezes para 
determinar o Juiz em favor de quem militão; Trata-se, por 
exemplo, n'uma divida de mercador à mercador, 
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cujo titulo não se-apresenta; e não só os Juizes podem em 
certas circumstancias admittir a prova de testemunhas, ainda 
que o objecto exceda a taxa da Lêi; mas devendo primeiro têr 
em conta a qualidade das pessoas, seu comportamento, o sua 
reputação; tendo, muitas vezes este exame a maior influencia 
sobre o seu juízo: 
Em regra, uma só testemunha não constitúe prova, 
havendo todavia circumstancias em que os Juizes devem dàr â 
um depoimento único o effêito de uma prova, e deferirem em 
complemento o Juramento Suppletório (Ord. Liv. 3/ Tit. 52 
princ.) ; e assim na comparação de letras, e na confissão 
extrajudicial: 
Os Indícios, as Conjecturas, as Presumpções, são de grande 
effêito, quando se-trata de descobrir a fraude, e a simulação. 
« Nenhuma Presumpção (Art. 36 do nosso Cod. Crim.), 
por mais vehemente que seja, dará motivo para imposição de 
pena. »\u2014 
I \u2014 Indiviso é a propriedade ém commum (co-pro-priedade), 
mas ainda não partilhada, em Partilha ou em Divisão. 
Direito Indiviso (Ferr. Borg.) é o que não está partilhado : 
Gosár pro indiviso é possuir em commum um corpo de bens, 
cuja propriedade não está dividida, ou é susceptível de sêr 
dividida : 
I Assim, \u2014 os Cônjuges, \u2014 os Sócios, \u2014 os Herdeiros antes 
da partilha, \u2014 os Compartes de um Navio, possuem em 
commum os bens n'êsses estados: 
Pode-se possuir pro indiviso em virtude de umá con 
venção, como no caso de um Contracto de Matrimonio, ou 
por um Acto de Sociedade; e então as obrigações dos 
Co-proprietarios regulão-se, ou pélas clausulas dos respec 
tivos Contractos, ou pêlos usos particulares :
 
\u2022 
Outros possuem pro indiviso, sem que entre êlles haja 
convenção alguma, como os Legatários de uma mesma cousa, 
os Herdeiros de uma mesma herança: 
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Os direitos se-extendem sobre a totalidade, e ao mesmo 
tempo sobre cada parte da cousa \u2014 totum in tota, et totum i/n, 
qualibet parte \u2014 : 
Quem adquire alguma porção de uma eousa commum à 
muitos, entra naturalmente na sua com m unhão; e, da mesma 
sorte, o herdeiro de seu Sócio, e ligado sem convenção aos 
outros Sócios do seu Autor: 
As obrigações dos que possuem pro indiviso um ou mais 
bens sem convenção, são em geral as seguintes: 
1." Devem partir os fructos proporcionalmente, segundo a 
parte de cada um na propriedade : 
2.° Deve-se partilhar a cousa commum, quando um dos 
co-proprietarios o-exija: 
3.° Os co-proprietarios são obrigados, um para com outro, pêlo 
manejo, que tiverão na cousa commum; respondendo cada qual 
pêlo damno, que podesse occasionàr. Os que gosâo, em nome 
de outros, da propriedade indivisa, sendo obrigados á cuidar 
d'ella como sua, devem responder, não só pêlo dolo e fraude; 
mas também pélas culpas, e negligencias, contrarias à este 
cuidado : 
Eli es tem direito de haver com juros os adiantamentos, 
que conservarão a cousa, e os que a-berafeitorisarão : 
Mas um co-proprietario não pode fazer na cousa commum 
alterações, que não são necessárias para con-serval-a, salvo 
sendo approvadas por todos: 
Um só, de per si, pode impedir contra todos os outros, que 
alguma cousa se-innove : 
Aquêlle, que fizesse alguma mudança contra a vontade 
dos outros, ou em sua ausência, seria obrigado à pôr as cousas 
em seu antigo estado, e à indemnisar damnos occasionados; 
mas, o que houvesse tolerado a mudança não poderia queixar-
se: 
Como as acções são divididas, um dos Coherdêiros não 
pode accionar aos devedores do defunto, nem pode obrar em 
nome dos mais, sem um mandato especial: 
Do principio de que o direito dos Possuidores indiviso se-
extende sobre a totalidade, e ao mesmo tempo 
 
164 \u2022 VOCABULÁRIO JURÍDICO 
sobre cada parte da cousa, resulta, que, quando um d'êlles 
adquire a propriedade do outro, esta acquisição não lhe-
transfere a propriedade; confirma somente a que tinha, fazendo 
cessar o indiviso, não havendo uma mutação de propriedade, 
havendo somente uma consolidação: 
Estas regras de Direito Civil tem logár em grande parte 
na Sociedade, e dão-se na Parceria