Vocabulário Jurídico
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\u2014; e n'êste sentido 
se-diz, \u2014volenti non fit injuria\u2014: 
I A Injuria, em mais estreita significação, é tudo, que se-fáz em 
desprezo de alguém para offendêl-o, ou na sua pessoa, ou na 
de sua molhér, de seus filhos, criados, ou dos que lbe-
pertencem à titulo de parentesco ou de outro modo: 
A queixa por Injuria compete somente ao Injuriado 
segundo o Alv. de 4 de Abril de 1755. 
M Injuria (Ferr. Borges), termo de Direito Commum, que 
significa ultraje, ou por palavra, ou por escripto, ou por via de 
facto: 
E' atrocíssima a Injuria, que se-fáz com satyras, e libéllos 
famosos: 
Quem usa de seu direito não faz à outro Injuria \u2014 Provis. 
de 10 de Março de 1764. 
I O Crime d'Injuria (nosso Cod. Penal) é hoje qualificado, e 
reprimido pêlos Arts. 236 e segs. d'essa nova legislação 
moderna e vigente\u2014. 
\u2014 Injustiça Notória, para o effêito da Concessão de 
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Revista tentou explicar a Lêi de 3 de Novembro de 1768, 
e â ella refere-se a moderna de 18 de Setembro de 1828, 
I que regulou o nosso actual Supremo Tribunal de Justiça 
I estatuído péla Const. do Império em seu Art. 167, à que 
acresceu o Decreto de 20 de Dezembro de 1830: 
O meio porém de perceber claramente este assumpto 
* só consiste em distinguir, de accôrdo com a Ord. Liv. 
í 3.° Tit. 75 no seu § 1.°, a Injustiça de Parte e a In- 
| justiça Notória.\u2014Na primeira, temos o antagonismo entre 
as proposições da Sentença, e as provas dos Autos ;\u2014 na 
segunda (a de que tratamos) o antagonismo entre as 
\u2014 Innavegabilidade é o estado do Navio, que não pode 
navegar, ou por velbice, ou por acontecimentos do mar. ou por 
defeito de construcçSo. 
Innavegabilidade \u2014 Diccion. de Ferreira Borges 
W a degradação absoluta, ou defeito irremediável, em 
qualquer das partes essenciáes do Navio, que lhe-' tirão a 
subsistência, e o-privão de cumprir seu destino: 
De duas causas pode derivar: 
1.° Ou de degradação notável por vicio próprio, 
2.° Ou de desastre de mar: 
E' dos princípios do Contracto de Seguro, que o Segurador 
não responde péla primeira causa, mas sim péla segunda: 
Todo o ponto na matéria pois é determinar de qual 
h das duas causas procede a innavegabilidade : I Felizmente 
n'esta parte temos uma Léi, que tira grande parte das duvidas, 
que ordinariamente occorrem, qual a do Alv. de 12 de Fevereiro de 
1795, confirmando o Ass. de 7 de Agosto de 1794. 
Além dos casos mencionados, e acautelados, na citada Lêi, a 
Innavegabilidade pode dár occasiao a diversas averiguações: 1.° 
Quando o navio faz objecto do Seguro, tem-se de examinar, se 
a Innavegabilidade deva considerar-se como 
EL 
I 
I 
 
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caso fatál, e á cargo dos Seguradores como sinistro; ou se 
meramente só pode têr logár como expressão de dam-nos, 
como avarias; ou se não corre por conta dos Seguradores, 
como dependente de causas, pélas quaes não res-pondião. 
2." A outra relação é têr-se em vista o caso, em que o 
Navio não é contemplado senão como conductôr das fazendas 
seguradas; pois, tornando-se innavegavel', pode dár logár a 
permutação do risco em outra embarcação, ou á acção de 
abandono, etc. 
A Innavegabilidade, em regra, é equiparada â naufrágio: 
Se o Navio Innavegavel não se-pode reparar, e as fazendas se-
baldeárem para outro Navio, os Seguradores continuão á 
correr o risco n'êsse outro. 
A Innavegabilidade é por alguns Autores dividida em 
absoluta, e relativa : 
A Innavegabilidade absoluta, dá-se na incapacidade inteira 
de mais não poder navegar a embarcação : 
A Innavegabilidade relativa verifica-se, ou no caso de 
serem necessárias tantas despêzas, que mais valeria uma 
reconstrucção, ou quando faltão meios para o concerto etc. 
A prova do sinistro, que produz a Innavegabilidade, deve 
fazêr-se no logár, onde acontece, ou no mais vi-sinho, com as 
formalidades estatuídas sobre os \u2014 Termos de Mdr, Protestos, 
e Consulados\u2014: A falta d'esse acto ex-clúe a prova do caso de 
mar; e fáz presumir causa natural, ou culpa do Capitão, 
ministrando aos Seguradores uma Excepção Peremptória. 
I Innavegabilidade \u2014 Nosso Cod. do Comm. 
Esta doutrina é a seguida por todas as Nações Marítimas, e 
acha-se em nosso Cod. do Comm , no Titulo do- Abandono \u2014, 
Arts. 753 á 760; e no Regul. n. 737 de 25 de Novembro de 
1850, tratando da Acção de Seguros em seus Arts. 299 á 
307\u2014. 
VOCABULÁRIO JURÍDICO Hl 
\u2014 Inquilinos são os habitadores de casas alheias bor 
locação sem arrendamento (locação de casas por tempo certo), 
e tratando-se de prédios urbanos\u2014. 
Institôres é a qualidade em geral de Agentes Auxiliares 
do Commercio, com a denominação de \u2014 Prepostos, \u2014 Cai-
xeiros, ou outra denominação equivalente, que administrão, no 
todo ou em parte, negócios de Casas do Commercio. 
R Institôr \u2014 Diccion. de Ferr. Borges 
Chama-se aquêlle, que é nomeado pêlo Preponente para 
administrar ou dirigir um negocio de Banco, ou de Mercancia : 
mas que contracta, e administra, por conta do mesmo negocio : 
O Sócio, administrador da Sociedade, que alguns cha-
mão\u2014Complimentario \u2014 (termo não usado entre nós) tem 
muitas das attribuições do Institôr, havendo todavia n'êlle| uma 
grande differença; e vem á sêr, que o Institôr, no mais das 
vezes, não é senão um criado dos Proprietários, e o 
Complimentario é muitas vezes Sócio : 
O Institôr não obriga ao Preponente no que não respeita 
ao negocio commettido à sua administração, ainda que tivesse 
declarado contractâr por conta do negocio administrado : 
Por identidade de razão, não tendo o Institôr dominio, mas 
somente representação e procuração do Preponente, no que 
respeita ao negocio administrado ; devendo o Preponente, 
além d'isso, responder ã terceiros pêlo contracto do seu Institôr 
: 
O Institôr, que preside à cousas, ou negociações ma-
rítimas, toma o nome de\u2014Exercitar\u2014 (que não é denomi-
nação vulgar) : 
Dos contractos celebrados com o Institôr nasce, á favor 
dos que com êlle convencionão, a \u2014 Acção Institoria \u2014. 
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Institôres \u2014 Nosso Cod. do Comm. 
H E' uma importanfe classe dos Agentes Auxiliares do 
Commercio, de que trata o nosso Cod. em seus Arts. 74,| e 76 á 
86, com a denominação de \u2014 Caixeiros, e outras quaesquér 
Prepostos de Casas de Commercio. 
Instrumento em geral, (transcrípção das Linhas Civis de 
Per. e Souza, EdiçSo de Teix. de Freitas, Nota 474), é tudo, 
quanto serve para instruir; tendo-o definido o respectivo §, \u2014 
as provas consistentes em palavras escriptas\u2014I 
O Instrumento (prosegue o mesmo Praxista no § indicado) 
vem á sêr: 
1.° Em razão de sua causa eficiente, publico e par-\ ticuldr 
; 
2." Em razão de sua forma, original e traslado ; 
I São requesitos do Instrumento Publico : ri 
I 1." Que seja feito por Officiál Publico, 
2. ° Que o mesmo Officiál seja rogado para fazer o 
Instrumento, 
3." Que o-faça no território, para que fôi creádo ; 
4.* Que o-faça do que perante êlle occorreu, 
I 5.* Que seja extraindo do Livro de Notas, I 
6.° Que n'êlle intervenhão as solemnidades legáes- 
Pertencem & classe dos Instrumentos Públicos: 
1.° O Acto Judicial, 
2.° As Certidões dos Escrivães tiradas dos Autos r 
3.° As Escripturas Publicas extrabidas das Notas dos 
Tabelliães, 
4." Os Livros das Estações Fiscáes, ou de quaesquér 
Repartições Publicas, e as Certidões d'êlles extrahidas; 
5." Os Instrumentos guardados no Archivo Publico, 
6. ° Os Assentos, e suas Certidões, dos nascimentos, 
casamentos, e óbitos; assim dos Livros Ecclesiasticos» como 
de outros do Registro Civil. 
Fáz plena prova o Instrumento : 
1.° Sendo solemne, e authentico ; 
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2.° Sendo original, e não traslado. 
O Instrumento Publico só fáz prova contra os que H'êlle 
interviérão,