Vocabulário Jurídico
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não contra terceiros. 
O Instrumento Particular não prova á favor de quem o-
ascreveu, prova, porém, contra êlle, se-o-prodúz em Juizo, e 
o-reconhece. 
Produzem-se os Instrumentos dentro da dilação pro-
batória, ou depois d'ella até subirem os Autos â conclusão. 
Deve sêr produzida a Escriptura Publica para prova de 
todos os Contractos, cujo objecto exceder a taxa de 800$00Ó 
em bens de raiz, e de 1:200$000 em bens moveis. 
Infringe-se a fé do Instrumento: 
1.° Ou por seus vicios internos, 
2.° Ou por seus vicios externos. 
Reforma-se o Instrumento perdido, se de outro modo se-
podér obter o Contracto, que êlle continha. 
Instrumento\u2014Diccion. de Ferr. Borges 
Assim chamamos todo o Documento, que serve para 
instrucçâo dos Processos, principalmente os Instrumentos 
\Publicos ; isto é, feitos por Offlciáes Públicos, dos quaes trata 
a Ord. Liv. l.°, Tit. 78 e 79; regulando â tal respeito os deveres 
dos respectivos Offlciâes, e as circum-stancias de que os 
Instrumentos devem ser revestidos: 
Sobre que se-dêvão fazer por Instrumentos Públicos, ou 
Escripturas, legisla a Ord. Liv. 3.°, Tit. 59; e d'ahi à cerca da 
Acção Summaria, que semelhantes Instrumentos ministrão, 
\u25a0\u2014 a de Assignação de déz dias, ou de-cendiál, segundo 
legisla a Ord. Liv. 3.°, Tit. 25: 
As Letras de Cambio, e da Terra, quer por Escriptura 
Publica, quer de mão particular; as Cartas-Partidas ou de 
Fretamentos, os Artigos de Sociedade 
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(nSo sendo em conta de participação), as Apólices da Seguros, 
as Cautelas de Transporte por terra ou agua (usa-se entre nós 
por papéis particulares) ; os Bilhetes à ordem, os Bilhetes ao 
Portador, as Notas Prommissorias; n'uma palavra, os Escriptos 
de Homens Negócios (títulos commerciáes), seja qual fôr sua 
importância pecuniária, que tenhão^de sêr reduzidos à 
Escriptura Publica, para poderem provar \u2014 Lêi de 20 de Junho 
de 1774 § 42; e nao se-regulão pélas Ordenações, mas pélas 
Leis e Costumes das Nações \u2014 Lêi de 18 de Agosto de 1769 § 
9.°, Alv. de 30 de Outubro de 1793, e Ass. de 23 | de Novembro 
de 1769 (Hoje, nos termos do Art. 2.° do ReguL n. 737 de 25 de 
Novembro de 1850, sobre o que constituo agora a Legislação 
Commerciál do Império): j 
Em regra, as máximas do Direito Civil á cerca dos 
Instrumentos são adoptáveis no Foro Commerciál; e assim 
o Instrumento Publico e Authentico foi plena fé da con 
venção, que encerra, entre as Partes, seus Herdeiros, e 
Successôres:
 
1 
I Note-se porém, que, o Instrumento só prova a Con-1 
venção em si,\u2014 as cousas attestadas pêlo Tabellião, como 
a presença das Testemunhas, \u2014 a declaração da vontade 
das Partes; mas seria em vão declarar estarem as Partes 
em seu juizo perfeito, etc.: f 
M As enunciações estranhas á disposição só podem servir de 
eomêço de prova, devendo-se entender por disposição j as 
operações, que as Partes tiverâo principalmente em vista, e por 
enunciação o que podia sêr cortado sem alterár-se a 
substancia do acto: I Muitas vezes os Contrahentes celebrão 
um contracto por Instrumento ostensivel, e o-alterâo, ou 
destroem, ou modificão por outro Instrumento em contrario, que 
guardão comsigo; e, nestes casos, o Instrumento annulladôr, ou 
modificador, só pode surtir seu effêito entre as Partes 
Contrahentes, não tendo effêito contra terceiros : 
O Instrumento Particular reconhecido péla Parte, á quenj 
é oppôsto, ou tido legalmente como reconhecido, tem 
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' entre seus Subscriptôres, e seus Herdeiros, a mesma fé, que o 
Instrumento Publico: 
Pode-se passar Segundo Instrumento sem dependência de 
licença alguma: 
Sob a fé, que deva dár-se nos Instrumentos Públicos,\ 
legisla a Ord. Liv. 3.° Tit. 60 (Consolidação citada nos Arts. 
397 à 404)\u2014. 
\u2014 Intenção, no Diccion. de Ferr. Borges, é um dos [ dois 
elementos dos delictos \u2014; um facto que constitúe a sua 
materialidade; \u2014 e outro, o da intenção, que lhe-deu causa, e 
determinou sua moralidade: 
Um facto involuntário não pode sêr criminoso, o que 
| só têm logàr por intenção legitima: Um facto mesmo, â 
que fomos levados sem intenção de fazer mal, não pode 
dár logar à penas, porque não ha delicto ; sim, onde ha 
um facto criminoso, e uma Intenção culpada: 
A intenção deve sêr julgada, não só . nas suas relações com o 
interesse particular, mas também nas suas j relações com o 
interesse geral e social. 
Para que a Intenção possa constituir uma moralidade 
criminosa, é necessário, que tenha podido sêr determinada 
pêlo descernimento : 
Estas theses tem applicação nas questões,\u2014 de muitos 
actos de fallencia, \u2014 na culpa e barataria de Capitães; \u2014 e na 
devida, ou indevida, execução de ordens por commissarios ; \u2014 
e nas antidatas de ordens, e outras \u2014. 
Intenção \u2014 Nosso Cod. Crim. 
O Art. 3." do nosso Cod. Crim. está de perfeito acordo 
com estas doutrinas, legislando : 
« Não haverá criminoso, ou delinquente, sem má fé; isto é, sem 
conhecimento do mál, e intenção de o-praticár. » E todavia, por 
extravagantes interpretações, esta disposição tem motivado entre 
nós julgamentos escandalosos\u2014. 
1
 ' \u2014\u2014\u2014\u2014É 
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\u2014 Interdicçâo (Diccion. de Ferr. Borges) é o acto de 
privar alguém da administração de seus bens, ou o estado de 
alguém declarado incapaz de praticar actos da vida civil; e em 
consequência da administração de sua] pessoa, e de sens bens: 
A pessoa, que se-acha em um estado habitual \u2014 de im\ 
becilidade, \u2014 de demência, \u2014 ou de furor, deve sêr inter\ 
dieta, etc: 
D'aqui se-dedúz já, que o Interdicto não pode com-
merciár, por sêr evidente que não pôde contractâr por si : Mas 
as causas da Interdicçâo podem cessar, e n'êsse caso também 
ella: 
A nossa Ord. (Liv. 4.°Tit. 103) incumbe ao Juiz de 
Orphãos a Interdicçâo, e as providencias á tomar sobre os 
bens, e as pessoas, dos Interdictos; e por sentença do mesmo 
Juiz se-deve julgar extincta a Interdicçâo, e mandar fazer a 
entrega dos bens ao Interdicto: 
O furioso, que tem intervallos lúcidos, pode contractâr 
durante as interposições assisadas, porque a Lêi lhe-dà a 
faculdade da administração de sua fazenda: 
A Habilitação do Pródigo deve fazêr-se, ouvidos os 
parentes, amigos, e visinhos \u2014. I 
Interdicçâo \u2014 ConsoUd. das Leis Civis 
A Ord. Liv. 4.° Tit. 103, com a inscripçâo \u2014 Dos 
Curadores, que se-dão aos Pródigos, e Mentecaptos \u2014, é o as 
sento d'esta matéria importante ; resumido, e esclarecido, 
pêlos Arts. 311 â 328 da citada Consolid:
 
M 
Mentecaptos 
Logo que o Juiz dos Orphãos souber, que em sua 
jurisdicção ha algum Demente, que péla sua loucura possa 
fazer mal, entregal-o-ha á um Curador, que administre sua 
pessoa e seus bens ; o que se-deve entender demonstra-
tivamente, e não taxativamente, pois a Curadoria deve-se dar 
do mesmo modo â todas as espécies de Loucos: 
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Quasi sempre precede Exame de Médicos, que é a prova 
preliminar para reconhecimento da Loucura, e a determinação 
da Curadoria ; mas, ainda que não tenha havido tal Exame, e o 
Interdicto, as partes interessadas podem demandar a nullidade 
dos Contractos e Testamentos dos Loucos, produzindo qualquer 
género de provas. 
Esta Curadoria será deferida na ordem seguinte : 1.» A' Molhér do 
Demente, sendo honesta e discreta, se quizér aceitar o cargo ; 
2.° Ao Pai, se o Demente o-tivér; 3.° Ao Avô Paterno, e, sendo 
ambos vivos, ao mais idóneo; 
4.° Ao Filho varão, se-fôr idóneo, e maior de vinte e um 
annos ; 
5.° Ao Irmão, tendo casa posta, em que viva, e também 
sendo maior de vinte e um annos; 
6." Ao Parente mais chegado, paterno ou materno; sendo 
idóneo, e abonado em relação ao património do demente; 
E finalmente, á qualquer estranho, que também idóneo, e 
abonado, seja : 
A Molhér, o Pai, e