Vocabulário Jurídico
788 pág.

Vocabulário Jurídico


DisciplinaIntrodução ao Direito I88.135 materiais525.805 seguidores
Pré-visualização50 páginas
o Avô, teráõ a Curadoria, em-quanto 
durar a Demência, e os outros Curadores não são obrigados á 
servir mais de dois annos: 
Estes Curadores prestarão juramento de fielmente ad-
ministrarem os bens do Demente, e de applicarem os ne-
cessários soccorros médicos segundo a qualidade de suas 
pessoas ; 
Os bens sêr-lhes-hão entregues por Inventario feito pêlo 
Escrivão dos Orphãos, porém a Mo^iér do Demente não será 
obrigada à fazer Inventario: 
Assignará o Juiz o que necessário fôr para alimentos do 
Demente, e, sendo casado, também para os de sua Molhér, e 
Filhos, conforme as forças do Casal: 
Mandará escrever no Inventario todas as despêzas, assim 
as do curativo do Demente, como as de seus alimentos e de 
sua familia, para tudo vir à bôa arrecadação: 
VOOAB. JUE. 13 
 
178 V0CABULA.M0 JURÍDICO 
Sendo necessário, o Curador fará prender o Demente,] 
para que não cause damno: 
Se o Demente fizer mal ou damno á alguém, o Cu\ radôr é 
responsável péla indemnisação, tendo havido culpa e 
negligencia: 
A Curadoria cessará, logo que o Demente recobre seu 
perfeito juizo, restituindo-se-lhe a livre administração de seus 
bens: 
Sendo a Loucura de lúcidos intervallos, durante êllesl regerá 
o Demente seus bens, sem comtudo cessar a Cu-} radoria: 
Finda a administração, os Curadores devem dár contas, 
resolvendo o Juiz as duvidas, que houverem: 
Quid, se a Molhèr do Demente fôr menor ? Está claro, :; que 
não pode sêr Curadôra, porque a Ord. Liv. 4." Tit. j 102 § 1.°, 
e Tit. 104 § 3.°, modificada péla Lêi de 31 de Outubro de 
1831, prohibe-lhes a Tutoria e a Curadoria, 1 ainda que tenhão 
supplemento de idade: 
Sobre as pessoas incapazes, ou escusáveis na Cura» I 
dória das Dementes, observa-se o mesmo, que á respeito da 
Curadoria dos Menores. 
Pródigos 
Sabendo o Juiz por Inquirição que alguém dissipa como 
Pródigo sua fortuna, mandará publicar por Editáes e Pregões, 
que d'ahi em diante ninguém faça com o Pródigo contracto de 
qualquer natureza, pena de nulli-dade: 
I Publicado o Interdicto, o Juiz dará Curador aos bens do 
Pródigo, guardando á respeito d'esta Curadoria as mesmas 
disposições sobre a Curadoria dos Dementes: 
Se o Pródigo celebrar algum contracto, e por êlle receber 
alguma cousa, fica desobrigado de restituil-a: 
Durará esta Curadoria, emquanto o Pródigo perseverar 
em seu máo governo: 
Seus bens sêr-lhe-hão entregues para livremente re- 
 
 
VOCABULÁRIO JURÍDICO 1W 
gêl-os, logo que tornem â bons costumes, e â temperança de 
despêzas, por fama que dêlle houver ; e jfêlo arbítrio e juizo 
dos parentes, amigos, e visinhos, que o-saibão, e afflrmem sob 
juramento: 
Este Processo sempre começa péla citação do Pródigo, e. 
a sua Curadoria não é de pessoa, como a do Menor; mas o 
Pródigo fica privado da capacidade civil, e porisso não pode 
fazer contractos, testamento, e estar em Juizo activamente ou 
passivamente : 
Seu Curador deve represental-o em actos, em que a 
representação é possível; porque não o-é em alguns casos, 
como no do testamento; 
O Pródigo, pode viver onde bem lhe-approuvér, e não está 
no caso do Menor ou do Demente; e, segundo as 
circumstancias, arbitrados os alimentos, pode o Juiz mandar 
não entregal-os ao Pródigo, pêlo temor da prompta dissipação 
: 
Só depois de publicado o Interdicto, os Pródigos são 
havidos por incapazes de obrigar-se, e são nullos seus 
contractos ; porquanto sua incapacidade é só eífèito da Lêi, e 
não uma incapacidade natural : 
D'ahi a differença entre os Interdictos o a Pródigos e os 
Dementes, visto que todos os contractos feitos pêlos Dementes 
antes do seu Interdicto devem sêr annulla-dos á requerimento 
da parte; provando ella que ao tempo do contracto jà existia a 
Demência, não sendo esta por si só que fal-o ineapàz de 
contractàr ; e isto sem dependência da Sentença, que por tal o-
julgou, e lhe-tolheu a administração de seus bens ; entretanto 
que, ao inverso, os contractos feitos pêlos Pródigos antes do 
Interdicto são validos, ainda que já então o-fôssem, não sendo 
a respectiva Sentença que os-fazem incapazes de contractàr: E 
o mesmo deve-se dizer em relação aos testamentos (Consolid. 
cit. nos Arts. 993 § 3.° e 994) : 
O levantamento da Curadoria dos Pródigos jpode sêr 
requerido pêlo próprio Curador do Pródigo, ou* por qualquer 
parente seu, tendo êlle voltado à temperança de 
180 VOCABULÁRIO JURÍDICO 
despêza ; o que deve sêr provado, e prova-se com Tes-
temunhas : 
£' nulla a Execução de Sentença, e qualquer acto judicial, 
contra os Pródigos pessoalmente antes de tôr' sido levantada a 
Interdicção, e não obstante haver Sentença não ainda executada 
? Entendo, que são validos todos os actos do Pródigo, ou contra 
o Pródigo, feitos depois da Sentença irrevogável, que mandou 
levantar a Interdicção. 
I Mentecaptos; e Pródigos 
A palavra \u2014 Interdicto não é do nosso Direito Pátrio, fôi 
transportada do Direito Francêz péla nossa moderna Lêi 
Hyparhecaria n. 1237 de 24 de Setembro de 1864 : As 
disposições d'essa Lêi sobre a Hypotheca Legal, com que 
soccorre aos Menores, são em tudo applicaveis aos 
Mentecaptos, e aos Pródigos, que a mesma Lêi denominou \u2014 
Interdictos \u2014: 
A inscripção da Hypotheca dos Interdictos subsiste (Art. 
9/ §§ 2/ e 3.» da mesma Lêi) por todo o tempo da Interdicção : 
Um anno depois da cassação de Curatela cessa a hypotheca 
leg-ál dos Interdictos, salvo havendo questões pendentes. 
Interdicção de Comuiercio Ferr. Borges) é a pro hibição, 
que fáz o Governo de uma Nação aos Com-merciantes, e à 
todos os seus cidadãos,' de fazer com-mercio algum de 
mercadorias com as Nações, com as quaes está em gjierra, ou 
com quem julga conveniente prohibir correspondência de 
qualquer espécie (Caso raro I): 
Quando esta Interdicção é geral, comprehende o com-
mercio de Letras, sendo então o maior signál de indignação, 
que pode dar um Estado contra os seus inimigos : A Interdicção 
de Commercio faz-se ao mesmo tempo que a declaração de 
guerra, e levanta-se ordinariamente com a da páz: 
Ha todavia géneros, que não produzem Interdicção de 
VOCABULÁRIO JURÍDICO 181 
Commerciox Em quanto subsiste a Jnterdicção, toda a fazenda 
é de contrabando, quer venha do paiz eom que se-està em 
guerra, quer vâ para êlle; e, como tal, sujeita a confisco ; bem 
como as embarcações, equipagens etc. Esta Interdicção, não só 
comprehende todas as mercadorias dos Súbditos das Potencias 
belligerantes, mas em certos casos mesmo as das Potencias 
neutras ; por exemplo, no caso de Súbditos d'essas Potencias 
levarem soccorros à praças bloqueadas ou cercadas\u2014, 
\u2014 Interessado, termo de commercio, cbama-se o 
que na frase usual è comparte do navio; isto é, que n'êlle tem 
parte, quinhão, ou interesse pro wdvoiso: 
Interessado\u2014 dono,\u2014 proprietário,\u2014 co-proprietario,\u2014qui-
nhoêiro, \u2014 comparte, são os vários nomes mais idênticos no 
significado, que se applicão aos senhores de qualquer 
embarcação, toda ou parte d'ella: 
Nada havia mais natural, do que chamar sócio aos co-
interessados, mas toda a pessoa, por menos instruída, sentia 
talvez, sem bem poder dar a razão, que um Parceiro ou 
Comparte é um Associado, mas não um Sócio Commercidl 
Solidário na responsabilidade. 
E' incrível, como SUva Lisboa, no seu Tratado da Policia 
dos Portos, tratasse sempre a Parceria como Sociedade, e os 
Compartes como Sócios; erro que leva á resultados de muitas 
consequências A. censura não é justa, veja-se infra a palavra 
Parceria \u2014. 
\u2014 Interesse (Ferr. Borgesj, no seu sentido genérico 
e commum, significa\u2014lucro,\u2014proveito,\u2014utilidade,\u2014 ganho ; 
e assim na frase vulgar,\u2014d'lsso não me-vem interesse\u2014: 
Significa também,\u2014 parte, \u2014 quinhão, \u2014 propriedade \u2014 
em alguma cousa; e assim na frase vulgar dizemos,\u2014Fulano 
não tem intsresse na casa, no navio \u2014,