Vocabulário Jurídico
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querendo expressar 
que êlle não é sócio de certa casa mercantil, nem comparte de 
um navio \u2014 : 
Quasi n'êste sentido nos-explicamos à respeito do con- 
 
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tracto de Seguro, quando dizemos, que, para êlle sub 
sistir, é necessário, que o Segurado tenha interresse na 
cousa segurada ; e que, d'outra sorte, o Contracto torna- 
se Aposta, e não Seguro: I 
Os Escriptôres Estrangeiros chamão ao Cambio .Mari- f 
timo, \u2014 Interesse Náutico \u2014; e aos juros d'êlle dá-se o nome de 
\u2014 interesses \u2014, sendo o lucro auferido pêlo Emprestadôr de 
dar o seu dinheiro, de cujo uso fica privado, e em que se-arrisca; 
e portanto a compensação é o preço d'êsse risco, reparado por 
aquêlles interesses, que estipula, e aufere: 
I Os interesses, e prejuízos não estipulados arbitrSo-se 
judicialmente, segundo as circumstancias \u2014 Lêi de 6 de 
Outuhro de 1781 § 8.° (Concorda o nosso actual Cod. do 
Comm.)\u2014. 
\u2014 Interpellaçao exprime o mesmo, que uma citação, ou 
intimação judicial; com referencia especial da parte do credor 
ao devedor, que não estipulou prémios ou juros da quantia 
devida, para constituil-o em mora; isto é, para que êlles 
comecem desde então á correr, como vê-se na Nota ao Art. 482 
da Consolid. das Leis Civis\u2014. 
I \u2014 Interpretação é a explicação de qualquer texto, ou de 
passagem d'instrumento publico ou particular, por outras 
palavras, para bem fixar a sua verdadeira íntelli-gencia : 
A Interpretação é authentica, ou doutrinal: 
Interpretação authentica chama-se a da Lêi feita pêlo 
próprio Legislador: 
Interpretação doutrinal chama-se a das Leis, quando feita 
pêlos Executores d'ellas, e por Jurisconsultos : 
Vêja-se o Direito Romano de Savigny no 1.° Tomo. 
Interpretação\u2014Dicc. de Ferr. Borges 
I E' a explicação mais verosímil do que é obscuro, ou ambi guo : 
V0CA.BULA.RI0 JURÍDICO 183 
Nas Convenções deve-se recorrer á Interpretação, não tendo 
& vontade sido claramente manifestada ; e d'outra sorte il-
ludir-se-hia de continuo a intenção das partes sob pretexto de 
procurar-se melhor -entender : \u2014\u25a0 Cum i/n verbis nidla 
ambiguitas est, non debet admitti voluntatis quceslio\u2014: K Na 
Interpretação dos Contractos devem-se têr geralmente em vista 
as seguintes regras: 
1.° Deve-se buscar mais qual fosse a intenç&o commum 
das Partes Contrahentes, do que reparar no sentido literal dos 
termos ; 
2.° Quando uma clausula fôr susceptível de mais de um 
sentido, deve-se interpretar n'aquêlle, que possa têr algum 
effêito; com preferencia à intelligencia, em que nenhum possa 
têr effeito ; 
3.° Qs termos susceptíveis de dois sentidos, devem sêr 
tomados no sentido, que mais convier à matéria do contracto; 
4.° O que é ambíguo interpreta-se pelo que eitâ em uso no 
Paiz, onda a Convenção celebra-se; 
5.* Supprrr se-deve no contracto as clausulas, que são de 
uso constante, posto que n'êlle não sêjão expressas; 
6.° Todas as clausulas se-interpretão umas pelas outras, 
dando à cada uma o sentido, que resulta do acto inteiro ; 
*7.° Na duvida, a Convenção interpreta-se contra quem 
estipulou, e a favor de quem contrahio a obrigação; 
8." Por geràes que sêjão os termos, em que a Convenção 
se mostra concebida, não comprehende senão as cousas, sobre 
as quaes pareça, que as partes se-propo-serão à contractàr; 
9." Quando expressou-se um caso em explicação da 
obrigação, não se-julga havêr-se restringido porisso à extensão 
juridica d'êlle àcêrca dos casos não expressos. 
Ha certos casos, cujas disposições se-amplião por in-
terpretação favorável; e assim nos Testamentos, como nas 
disposições de ultima vontade; 
11." Ha outros casos, como nos Contractos, e nas Doações 
entre vivos, em que a Interpretação deve sêr mais ligada 
I 
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á letra; e, quando se-faça necessário dar uma interpretação 
precisa á uma clausula, deve ella dâr-se contra os que não se-
explicarão com sobeja clareza: \u2014 in quorum I fuit potestas 
legem apertius dicere\u2014: 
B 12.° Em matéria criminal, ti interpretação dos factos 
deve-se fazer sempre á favor do Accusado : 
13." Nos Contractos Mercantis o Uso da Praça,\u2014o Cos-\ 
tume dos Negociantes, formão sempre a mais recta Inter-! 
pretação, quando as expressões das Leis são ambíguas; e os 
Tribunáes Mercantis, que são Tribunáes de Equidade, devem 
entender bem, que á bôa fé mercantil não se-pode attribuir outra 
intenção; \u2014 a de fazerem o que se-costuma na Praça, quando 
não ha pacto expresso em contrario ; ou haja uma desigualdade 
tal para uma das Partes, que torne viciosa a convenção. I Diz-se 
Da Lei de 4 de Dezembro de 1769, que a In~\ terpretaçao, 
restríctiva ou extensiva das Leis não. cabe na autoridade de 
algum Tribunal\u2014. 
\u2014 Interprete chama-se também, quem traduz de uma 
Língua para outra. 
\u25a0 Interpretes \u2014 Nosso Cod. do Comm. 
A nomeação dos Interpretes do Commercio, suas func-
ç5es, sua suspensão e destituição, e seus emolumentos, tudo 
acha-se regulado pêlo Decr. n. 863 de 17 de Novembro de 
1851. 
Interpretes \u2014 Diccion. de Ferr. Borges 
Alguns derivão esta palavradas duas \u2014 inter partes\u2014, 
porque o Interprete está, para assim dizer, no meio entre duas 
partes, que não poderião entendêr-se, nem commu-nicar-se, 
sem o soccòrro d'êlle: E em todos os Processos d'Estrangêiros 
deve intervir um Interprete, que traduza as perguntas, que se-
fazem ao Réo, e as respostas dadas: 
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O Interprete deve sêr jurado, e a sua Interpretação, ou 
ftraducção, seria nulla, se não precedesse juramento: Pode sêr 
recusado, e contradictado, etc: 
Quando em qualquer Processo se-tem de juntar docu-
mentos em Língua Estrangeira, devem sêr primeiro traduzidos 
em Portuguêz, e assim dispunha a Resol. de 13 de Agosto de 
1781: (O mesmo dispõe agora o nosso Regul. Comm. n. 737 
de 25 de Novembro de 1850 Arts. 147 à 150): 
Seja qual for a qualidade attribuida ao Ofíiciál In-
\terprete, a sua traducção, como objecto scientifico, pode sêr 
controvertida, pode admittir discussão e emenda, e sem castigo 
do Interprete; porque, n'êstes casos, merece a pena do Offlciàl, 
que funcciona em seu Offlcio. 
\u2014 Interrogatório é uma das partes integrantes do Processo 
Civil, e do Processo Criminal, em que as Partes são 
perguntadas sobre o que pertence à Causa: 
Em matéria civil, entre nós, fôrão abolidos os Inquiridores 
pêlo Art. 26 da Disp, Provis. sobre a Administração da Justiça 
Civil, e os Interrogatórios, são feitos pélas próprias Partes, ou 
seus Procuradores; e também os-fazem os Juizes, sendo 
necessário : 
Em matéria criminal, o actual assento acha-se nos Arts. 
96 á 99 do nosso Cod. do Proc. Crim., com as in-I novações, e 
os additamentos da Lêi de 3 de Dezembro de 1841, e do 
Regul. de 31 de Janeiro de 1842-\u2014. 
\u2014 Interrupção de Prescripção é o acto, pelo qual as 
Prescripções são interrompidas em seus cursos, assim em 
matéria civil, como em matéria commerciál, e matéria 
criminal. 
Em matéria civil, com assento na Ord. Liv. 4.° Tit. 79 
§ 1.°, que a Consolid. das Leis Civis assim substanciou: 
« Interrcmpe-se a Prescripção péla citação feita 
ao devedor, ou por outro qualquer meio admittido 
em Direito, e então começa à correr de novo o 
tempo d'ella : » 
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Esclarecendo a respectiva Nota que a citada Ord. Liv. 4.° 
Tit. 79 § 1.» refere-se ao Direito Romano, pêlo qual ôis os 
modos de interromper a Prescripção : 
1." Propositura da Acção contra o devedor, 
2.* Protesto feito ém devida forma, I 3.° Reconhecimento, 
expresso oú tácito, da divida por ] parte do devedor: 
Em matéria commercidl, com assento no Cod. do | 
Comm. Arts. 453 e 454 : 
Em materio criminal, com assento no Cod. do Proc. 
ICrim. Arts. 54 à 57, da Lêi de 3 de Dezembro de 1841 J 
Arts. 32 á 36, e no Regul. de 31 de Janeiro de 1842