Vocabulário Jurídico
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mercadorias, 
í ou em outros effêitos; \u2014 nome da pessoa, sobre quem é 
sacada para pagar, \u2014 e a sua morada ; \u2014 a assignatura 
i do Sacador, ou de quem forneceu a Letra : 
De onde se-conclúe, que, em facto de Letras de Cambio, ha 
sempre três pessoas, que figurão, e ás vezes quatro, a saber : 
\u2014 o Sacador, \u2014 o Aceitante, \u2014 quem fornece o . valor, \u2014 e 
quem deve recebêl-o : 
Como estas Letras de Cambio são passadas à ordem, ' 
aquêlle, á quem ellas devem sêr pagas, pode pôr nas costas a sua 
ordem em favor de outrem, e este de outro, o que se-chama \u2014 
Endossos \u2014 ; tendo o ultimo Portador por garantia solidaria 
todos os Endossadôres, os Sacadores, e os Aceitantes : 
O Aceitante de uma Letra de Cambio, ou de outra £ Letra 
Mercantil, fica obrigado ao seu pagamento, ainda que ao tempo 
do aceite, ou depois d'êste, fallisse o Sacador ; como dispõe o 
Alv. de 28 de Novembro de 1746, e o Ass. de 12 de Novembro 
de 1*789, confirmado pêlo '. Alv. de 16 de Janeiro de 1793 : 
O aceite da Letra de Cambio pode-se reforçar com mais 
Firmas, que ficão obrigadas collectivãmente com os Acei-
tantes, e não como simplices Fiadores \u2014 Alv. de 6 de Se-
tembro de 1790 § 4.°: 
Por Ass. da Junta do Commercio de 12 de Novembro 
TOCAB, JUB. 14 
I 
210 YOCABTJLA.BIO JURÍDICO 
de 1789, roborado pêlo Alv. de 16 de Janeiro de 1793, 
declarou-se, que as Letras da Terra, isto é, passadas e aceitas) 
na mesma Praça, tem todos os effêitos das Letras de Cambio : 
O desconto das Letras não é o mesmo, que Contracto de 
Mutuo; mas outra espécie de convenção, que envolva] Seguro, 
e Risco ; sendo os Descontadôres, não Mutuantes, mas 
Compradores das Letras ; e como taes considerados pêlos 
Escríptures, que tratão da Jurisprudência Cambial a e portanto 
lhes-são applicaveis, não as Leis que dizem respeito ao Mutuo, 
mas as que tratão da compra e venda \u2014 Carta Regia de 12 de 
Julho de 1802 : \u25a0 As Letras Mercantis reputão-se como 
verdadeiras Es-1 cripturas Publicas \u2014 Alv. de 15 de Maio de 
1796 § 2.*J etc. 
As Letras de Cambio, ainda que de favor, devem surtir 
seus devidos effêitos, \u2014 Resolução de 23 de Maio de 1801,1 
publicado em Edital de 3 de Junho do mesmo annoJ etc., etc. : 
Pelo Alv. de 28 de Novembro de 1746 se-ordenou, que 
os Aceitantes de Letras de Cambio, ou de quaesquér outras) 
mercantis, fossem obrigados ao pagamento, ainda que fal- 
lisse o Sacador, como se-observa nas Praças do Norte; e 
que, nas Letras protestadas do Brasil, das Ilhas, e mais 
portos de Ultramar para o Paiz, ou d'êste para as Ilhas, ou] 
sêjão seguras, ou de risco, se-deve o recambio costumado 
nos seus Portos; e que, nas Letras da Terra, além do 
capital, e dos gastos do Protesto, se-paguem cinco por 
cento por simples recambio (o que agora entre nós não 
se-observa, prevalecendo os usos das Praças): J 
Pêlo Edital da Junta do Commercio de 13 de Setembro de 
1792 se-declarou, que todos aquêlles, que sim-l plesmente, e 
sem distincção, assignão ou subscrevem Letras, ou Bithêtes de 
Cambio, sêjão como Sacadores, ou] como Aceitantes, ou como 
Endossadôres, são in sólidum\ obrigados ao pagamento das 
mesmas Letras, sem qu«| possão pretender ou reclamar\u2014o 
beneficio de divisão ou de 
VOCABULÁRIO JURÍDICO 211 
txcussão \u2014, conforme as Leis de todas as NaçSes Mercantes, 
Princípios de Direito Commum, e Pratica Geral do 
Commercio confirmado pelo § 4." da Lêi de 6 de Setembro de 
1790 etc\u2014. 
Letras \u2014 Diccion. de Ferr. Borges 
Assim se-chamão, ou Cartas de Credito, que são aquellas, 
pélas quáes um Banqueiro manda â seu Correspondente 
d'outro logár, que entregue á pessoa designada n'ellas o 
dinheiro, de que essa pessoa carecer: 
Estas differem das Letras de Cambio, em que, não sendo d 
ordem, não podem sêr negociadas; e são pessodes, 
comprendendo unicamente um mandato dado ao Banqueiro do 
logár, onde se-acha o Portador da Letra; e, logo que o 
Portador recebe o dinheiro, contrahe um verdadeiro em-
préstimo : 
Dá-se á estas Cartas o nome de Letras, assim como ás de 
Cambio se-ficou chamando Letras em vêz de Carta, que são 
seu verdadeiro significado em nossa linguagem; e assim, no 
mesmo sentido precisamente, se-diz \u2014 dei-lhe uma Letra de 
Credito \u2014, ou \u2014 dei-lhe uma Carta de Credito \u2014 (O nosso 
Cod. do Comm. no Art. 264 trata das Cartas de Credito) \u2014. 
Letras de Cambio \u2014 O mesmo Diccioh. de Ferr. Borges 
E' a Letra de Cambio o instrumento do Contracto de 
Cambio : E' uma Carta, revestida de formas prescriptas pela 
Lêi, por onde uma pessoa manda, ou pede, á outra de logár 
diverso, que pague á outra pessoa, ou d sua ordem, uma somma 
de dinheiro, em troca ou consideração de outra somma ou de 
um valor, que recebeu, e confessa têr recebido, ou fiou, 
lançando-o em conta, etc. 
A definição dada abrange precisamente a Letra em 
'\u25a0todas as mais partes essenciáes, sendo necessário que o 
logár do saque seja diverso do logár do aceite; porque 
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Letra de Cambio, e remessa de praça d praça, sâo syno-nimos: 
Se não houvesse esta diversidade de logares, a Letra 
deixaria de sêr de Cambio; pois o transporte é que a-legitíma; 
correspondendo o cambio, às suas despêzas, trabalho, e riscos : 
D No Contracto ha, em regra, um Tomador da- Letra e dador 
do valor, à cuja ordem se-exara o mandato de pagamento pêlo 
Sacado ; e que êlle pode ceder á outro por outro valor ; 
chamando-se à esta cessão\u2014endosso,\u2014e| ao cedente\u2014
endossante\u2014: 
Elle, cedendo, celebra em regra um contracto idêntico á 
aquêlle, que celebra com quem lhe-deu a Lêlra, como Sacador; 
o qual, como é o que dá o instrumento por um valor, é obrigado 
a fornecer as cópias idênticas, de que o Tomador necessitar ; o 
que se-chama\u2014 vias dal Letra\u2014, e à sua totalidade\u2014um 
jogo\u2014; 
O que se-manda pagar, e que se-tem á receber, é só 
dinheiro, e precisamente na moeda designada; mas o que se-dá 
por isso, nem sempre é dinheiro, pode sêr fazendas, pode sêr 
outros créditos, e pôde sêr simples credito do Tomador; e, 
n'êste caso, o Sacador o-lança na conta d'êlle em seus Livros, e 
na Letra diz \u2014 valor em conta\u2014 : 
Esta Letra, que o Sacador entrega, é acompanhada, ou 
expede-se ao mesmo tempo pêlo Correio, por outra Letra ; ou 
por uma Carta de Aviso, em que o Sacador previne, e dá parte 
ao Sacado da convenção ; isto é, de que tem disposto de uma 
somma, que êlle ha de pagar : 
O Tomador por si, ou o ultimo dos seus Endossatarios, 
apresenta esta Letra ao Sacado no seu domicilio, ou manda & 
esse fim uma segunda via, emquanto a primeira vai girando por 
Endossos : 
Se o Sacado aceita, toma o nome de \u2014 Aceitante \u2014; e o 
Portador guarda a Letra, e espera o tempo do vencimento, que 
ella tem designado desde o principio, ou que se-manda contar 
da vista; então, conta-se do aceite, e, chegado 
VOCABULÁRIO JURÍDICO 213 
êlle, faz-se o pagamento ao legitimo Portador, e este 
passa recibo nas costas, e termina a transação: 
Se não aceita, carece de provar sua recusação por um acto, 
que se-chama \u2014 Protesto \u2014, e de dãr parte ao Sacador : 
Se alguém intervém para aceitar, admitte-se o Interve-
niente, e faz-se menção da Intervenção no Protesto; e, n'êste 
Honradôr, que pode fazer tal Acto de Honra, quer a firma do 
Sacador, quer a de qualquer Endossante, succede em seus 
direitos ; e, se a Letra não é paga, faz novo Protesto, e aJquire 
Acção em Garantia, ou como em evicção, contra todos os que 
precedem na ordem da Letra até o Sacador ; porém pode 
começar a acção contra qual quizér, e mesmo contra o Dador 
de Avdl, se o-houvér. 
As Letras de Cambio, e Risco, considerão-se Escripturas 
Publicas, \u2014 Alv. de 15 de Maio de 1776 §§ 1.° e 2.°: 
Não se-pode dizer verdadeira Lêlra de Cambio, se bem 
que endossada â terceiro, aquella, em que a mesma pessoa faz 
a figura de Sacador, de Sacado, e de Adquiridôr; e que