DIAGNÓSTICO CLÍNICO POSTURAL UM GUIA PRÁTICO
90 pág.

DIAGNÓSTICO CLÍNICO POSTURAL UM GUIA PRÁTICO


DisciplinaFisioterapia das Disfunções Posturais4 materiais39 seguidores
Pré-visualização20 páginas
4). A posição ideal do occipital em relação á Cl se manifestaria 
com a' linha submentoniana perpendicular ao plano de exame 
(Figura 9). 
 
Figura 8 Figura 9 
 
Exame cervical detalhado 
 
 A coluna cervical é um segmento corporal que tem apenas 
micromovimentos, seus macro-movimentos são o somatório de 
micromovimentos de várias articulações. Se um destes micromovimentos 
estiver bloqueado, ele faz falta no somatório final, que é o macromovimento. 
 
 A osteopatia dedica-se ao estudo e à normalização dos 
micromovimentos, seus exames são precisos, sutis e requerem exaustivo 
estudo da anatomia e da função de cada articulação. No entanto, Mareei 
Bienfait descreve um exame proposto por um osteopata, baseado apenas na 
análise de movimentos cervicais, destinado a diagnóstico inicial sobre a 
localização de uma lesão osteopática que um exame palpatório posterior 
confirmará e tornará mais preciso. 
 
 Fora do âmbito de aplicação em osteopatia, esse exame pode ser 
útil em fisioterapia para li formulação de um diagnóstico que localize e 
determine o tipo de lesão presente. 
 
 A coluna cervical divide-se em duas porções distintas e com formas 
e funções totalmente diferentes. O occipital é intimamente ligado às duas 
primeiras vértebras e por isso considerado uma vértebra cervical. A coluna 
cervical superior é composta pelo occipital (C0), atlas (C1) e axis (C2). É a 
coluna destinada à função estática de equilíbrio da cabeça em todas as 
situações. A coluna cervical inferior é composta pelas vértebras de número três 
a sete. Tem uma função especialmente dinâmica, a de deslocar a cabeça no 
espaço. O profundo conhecimento da fisiologia é fundamental para o 
entendimento da avaliação que se segue. Como o objetivo deste texto não é 
discutir anatomia e fisiologia, solicito que o leitor procure na bibliografia 
indicada as informações que possam faltar para permitir a perfeita 
compreensão da avaliação proposta a seguir. 
 
Sintomatologia 
 
 Antes de entrarmos nos detalhes técnicos da avaliação, devemos 
tecer algumas considerações sobre os sinais e sintomas relacionados à 
Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ 
patologia ortopédica da cervical para que cada termo empregado na avaliação 
seja bem entendido. 
 
Limitação de movimento 
Bilateral - deve estar associada a uma artrose importante. Sinais de artrose 
cervical são freqüentes em radiografia a partir dos 25 anos de idade. A dor 
neste caso é bilateral e aparece durante o movimento. 
 
Unilateral com tensão e dolorimento muscular - é devida a contratura ou 
retração. Unilateral sem tensão muscular e acompanhada por dor - deve estar 
associada à lesão osteopática do lado oposto. Isto é, a peça óssea pode 
realizar determinado micromovimento para um lado e não pode para o outro. A 
dor osteopática aparece quando o segmento tenta movimentar-se para o lado 
em que o movimento não é possível. Por isso é em geral unilateral. 
 
Sinais dolorosos 
Cervicobraquialgias - não são devidas a lesões osteopáticas. Podem dever-se 
a: 
- osteofitose ou hérnias cervicais, quando a dor segue um caminho 
preciso de percurso da raiz nervosa irritada; 
- à retração dos escalenos, quando a dor é difusa, sem trajeto 
preciso e associa-se a parestesias, sensação de peso e cansaço, 
em virtude da compressão do plexo braquial que corre entre os 
escalenos anterior e médio. 
 
Dores irradiadas - a dor osteopática não é ligada ao ponto de lesão. Algumas 
irradiam-se de forma característica: 
 
Lesão de C4 - ponto doloroso na região do supra-espinhal 
Lesão de C5 - ponto doloroso entre as escápulas (D4 e D5) 
Lesão de C6 - ponto doloroso entre D7 e D12. 
 
 Particularmente já encontrei pacientes com pontos dolorosos na 
região do supra-espinhal e interescapular, nos quais se diagnosticou, mediante 
radiografia, artrose, com diminuição da luz do forame de conjugação 
unilateralmente entre C4-C5 e C5-C6. 
 
Anteflexão cervical 
I. Como realizar o exame 
 
1. O paciente permanece sentado diante do terapeuta que coloca as 
mãos sobre os ombros do paciente, impedindo que o tronco participe 
do exame cervical (Figura 1). 
2. O cliente inclina lentamente a cabeça para a frente, chegando até 
a amplitude máxima (Figura 2). 
Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ 
 
 Figura 1 Figura 2 
 
3. Deve-se lembrar que este movimento inicia-se em cima, com o 
occipital escorregando para trás e em seguida puxando uma a uma 
as vértebras em desabitação até C7. 
 
II. Como elaborar o diagnóstico 
 
1. Se a amplitude for normal, o queixo deve chegar ao esterno. 
2. Se o queixo não chegar ao esterno, uma ou mais articulações 
intervertebrais não devem estar contribuindo para o movimento total. 
Para saber se a articulação em questão encontra-se na coluna 
superior ou inferior, realiza-se um movimento capaz de fazer a 
diferenciação. 
3. Sentado ereto com a cabeça na vertical o paciente deve entrar o 
queixo, deslizando o occipital para trás (Figura 3). 
4. Se ele não for capaz deste movimento, o problema deve situar-se 
aí: o occipital encontra-se bloqueado anteriormente e não contribui 
com o movimento de escorregamento posterior para a amplitude 
total da anteflexão. Se ele for capaz deste movimento, o problema 
deve localizar-se no bloco inferior e trata-se de tensão da 
musculatura longa que vai do occipital à dorsal superior e média, 
especialmente o semi-espinhal da cabeça, o músculo mais estático 
desse grupo muscular. 
 
III. Comentários sobre o diagnóstico 
 
 A limitação da anteflexão devida ao bloco inferior poderia ser a 
impossibilidade de uma vértebra contribuir com sua amplitude de anteflexão 
(desabitação) para o movimento total por encontrar-se em uma posição de 
póstero-flexão (imbricação). No entanto, segundo os osteopatas, esta lesão 
não é possível. Assim, resta a possibilidade de retração muscular. Além disso, 
é comum o paciente referir uma tensão muscular que desce até a região dorsal 
média. Além do semi-espinhal da cabeça, temos também o esplênio da 
cabeça, o esplênio do pescoço e o longuíssimo da cabeça no grupo muscular 
que desce do occipital para a dorsal. 
 
 
 
Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ 
Póstero-flexão cervical 
I. Como realizar o exame 
 
1. O paciente permanece sentado diante do terapeuta que coloca as 
mãos sobre os ombros do paciente, para impedir que o tronco entre 
no exame do segmento cervical. 
2. O paciente com a cabeça totalmente inclinada para a frente 
inicia o movimento de póstero-flexão (Figuras 4A e 4B). 
3. Deve-se lembrar que este movimento inicia-se embaixo, com 
C7 escorregando para baixo, imbricando-se sobre D1, tensão que se 
transmite a C6 que, por sua vez, imbrica-se sobre C7 e assim 
consecutivamente até que o occipital seja puxado para baixo, 
escorregando seus côndilos para a frente sobre as massas laterais 
do atlas. 
 
 Figura 4A Figura 4B 
 
II. Como elaborar o diagnóstico 
 
1. Se, partindo da anteflexão, o paciente consegue elevar a cabeça, 
chegar à vertical e bascular a cabeça para trás conseguindo olhar 
para o teto (Figura 4B), o movimento está normal, isto é, o 
movimento realizou-se de baixo para cima, mediante imbricação 
sucessiva das vértebras cervicais de C7 a C1 e por fim, com o 
tronco vertical, o occipital basculou posteriormente escorregando 
seus côndilos para a frente sobre o atlas. 
2. Se, para elevar a cabeça, o paciente primeiro afasta o queixo 
do esterno basculando a cabeça para trás (Figura 5), movimento que 
só deveria aparecer quando o pescoço atinge a posição vertical, e 
então continua o movimento, alguma vértebra no bloco inferior não 
consegue imbricar-se e em seguida transmitir o movimento à 
vértebra acima dela. É como se uma ponte estivesse caída e para 
ultrapassá-la o movimento tivesse de