DIAGNÓSTICO CLÍNICO POSTURAL UM GUIA PRÁTICO
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DIAGNÓSTICO CLÍNICO POSTURAL UM GUIA PRÁTICO


DisciplinaFisioterapia das Disfunções Posturais4 materiais39 seguidores
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- Uma lateroflexâo dorsal para o lado oposto como resultado de uma 
curva escoliótica oposta à lombar. Nesse caso, estamos perante uma 
escoliose em que o tronco parece desviado para o lado do ângulo da 
cintura mais aberto, porque a curva dorsal, primária e maior do que a 
lombar, que não conseguiu equilibrá-la, está levando o tronco e o braço 
correspondente para longe da linha média do corpo (Figuras 3A e 3B). 
- O ombro contralateral à escoliose lombar mais elevado do que o outro 
pela tensão dos elevadores da escápula, que pode fazer "abrir" o ângulo 
da cintura de seu lado. Essa elevação se confirma com o exame da 
inclinação das clavículas no plano frontal (ver p. 47). 
 
 
 
IV Comentários sobre o diagnóstico 
 
 Este exame é muito importante. Por mais que o tronco pareça 
desviado, trazendo a impressão de uma escoliose, se esse desvio ocorrer para 
o lado do ângulo mais aberto da cintura, não haverá gibosidade nem se tratará 
de escoliose, mas sim de translação do tronco. Esta translação acompanha-se 
de maior tensão dos músculos psoas homolateral e piriforme contralateral à 
translação, tensão essa sensível à palpação (ver p. 109). Como ambos são 
músculos muito potentes e solicitados, um em movimentos de grande força, 
outro na manutenção postural, podem estar bem tensos de ambos os lados, 
tornando difícil a diferenciação do grau de tensão relativa. No entanto, o 
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trabalho de normalização da tensão desses músculos é fundamental no 
tratamento da translação do tronco. 
 
Dois testes acessórios 
Teste de flexão dos joelhos 
 
 Trata-se de um exame acessório, complementar, que serve apenas 
para ajudar a confirmar o diagnóstico de escoliose lombar nos casos mais 
sutis. 
 
 
 
I. Como realizar o exame 
 
1. O paciente fica em pé e mantém os pés em posição de passo. A 
pelve está equilibrada no plano frontal. 
2. O terapeuta permanece em pé, atrás do paciente, a uma distância 
suficiente para observar bem a coluna lombar no plano frontal. 
3. O paciente dobra um dos joelhos, mantendo ambos os calcanhares 
no chão, criando um encurtamento do membro inferior desse lado. 
De imediato, a coluna lombar compensará em lateroflexão para o 
lado oposto, desenhando um "C" com a convexidade voltada para o 
lado do membro inferior fletido (Figura 1). O mesmo teste é repetido 
do outro lado. 
 
II. Como elaborar o diagnóstico 
 
1. Se de ambos os lados formou-se um "C", a coluna vertebral é móvel 
em ambos os sentidos e está normal. 
2. 2. Se de um lado formou-se um "C" e do outro a coluna manteve-
se vertical em "I" (Figura 2), é sinal de que há Como anotar: uma 
lateroflexão já fixada para o lado oposto ao do aparecimento do "C". 
 
III. Comentários sobre o diagnóstico 
 
 Vamos supor que haja uma rotação lombar à esquerda, com 
lateroflexão à direita. A convexidade do "C" está voltada para a esquerda. 
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Quando o paciente for solicitado a fletir o membro inferior esquerdo, do lado da 
convexidade do "C", a coluna é capaz de fletir-se para o lado oposto, seguindo 
o desenho do "C". 
 
 Quando o membro inferior direito flexiona-se, a coluna é solicitada a 
desenhar um "C" à direita, o que requereria uma inclinação da coluna com 
hipercorreção da deformidade para o lado oposto, o que é, naturalmente, 
impossível. A coluna permanece então reta, rígida em "I". 
 
 No caso de deformidades mais estruturadas em adultos que 
apresentam retrações mais generalizadas da musculatura paravertebral e da 
região glútea, esta leitura é mais difícil. Seria necessário tornar o segmento 
fêmur-tronco mais flexível para que a deformidade em lateroflexão ligada à 
rotação manifeste-se. No entanto, como se trata de exame complementar, útil 
nos casos sutis, portanto iniciais, é aplicável especialmente em crianças nas 
quais queremos estabelecer diagnósticos precoces, quando tais retrações mais 
generalizadas são raras. 
 
Golpe de machado 
 
 Trata-se de um exame acessório e complementar, realizado apenas 
como auxílio para confirmar o diagnóstico nos casos mais sutis. 
 
 
I. Como realizar o exame 
 
1. O paciente, em pé, mantém os pés em posição de passo. A pelve 
está equilibrada no plano frontal. 
2. O terapeuta permanece em pé, atrás do paciente, a uma distância 
suficiente para observar bem a coluna lombar no plano frontal. 
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3. Observar se de um dos lados da cintura do paciente existe uma 
profunda prega que não aparece do outro lado (Figura 3). 
4. Em caso de crianças obesas, pode aparecer uma prega de um 
lado e duas do lado oposto. 
 
II. Como elaborar o diagnóstico 
 
 Essa prega é o "golpe de machado", que indicaria a existência de 
uma lateroflexão da coluna para esse lado. Quando ela aparece, em geral 
combina-se com sinais de uma escoliose contralateral, ou seja, gibosidade 
contralateral, com ângulo homolateral da cintura mais fechado. 
 
Mobilidade respiratória 
 
 
 Fala-se em "tipo respiratório" ou "padrão respiratório" quando, 
durante a inspiração, um dos movimentos descritos a seguir predomina. Na 
realidade, no indivíduo normal, todos os movimentos devem estar presentes ao 
mesmo tempo, com as características descritas. De acordo com o que será 
discutido, se um dos movimentos for excessivo ou insuficiente, supõe-se existir 
uma causa patológica para tanto. O "tipo respiratório" é, por isso, patológico, 
uma vez que nenhum movimento deve predominar. 
 
Mobilidade esternal 
 
I. Como realizar o exame 
 
1. O paciente, em pé, mantém os pés em posição de passo e os braços 
pendentes ao longo do corpo. 
2. O terapeuta permanece em pé diante do paciente e pousa levemente 
o dedo indicador sobre o esterno dele (Figura IA). 
3. O paciente inspira profundamente (Figura 1B) e expira normalmente, 
em seguida. 
 
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II. Como elaborar o diagnóstico 
 
1. Se o esterno sobe e desce em uma boa amplitude, supõe-se que sua 
mobilidade seja normal e o movimento respiratório nào seja 
restringido por falta de mobilidade dessa região. 
2. Se o esterno apresenta pouca mobilidade ou está imóvel, sua 
descida deve estar sendo impedida por uma retração dos músculos 
escalenos. 
 
III. Comentários sobre o diagnóstico 
 
 A pouca mobilidade ou imobilidade total do esterno é comum em 
indivíduos de perfil atlético, habituados a importantes esforços profissionais ou 
esportivos. A grande solicitação dos músculos escalenos como suspensores da 
caixa torácica pode causar-lhes retrações, fixando as primeiras costelas em 
posição de inspiração. Não mais contando com o fluxo de oxigênio que poderia 
ser bombeado por essa região, o indivíduo conta apenas com o movimento 
costal inferior, mais amplo, que pode satisfazer suas necessidades 
respiratórias, porém o fluxo respiratório estará diminuído nesse caso. 
 
Mobilidade costal inferior 
 
I. Como realizar o exame 
 
1. O terapeuta coloca os indicadores de um lado e do outro da região 
costal lateral inferior (Figura 2A). 
2. O paciente inspira profundamente (Figura 2B) e expira normalmente, 
em seguida. 
 
II. Como elaborar o diagnóstico 
 
 
 Se as costelas inferiores apresentam boa amplitude de 
deslocamento lateral durante a inspiração forçada e a expiração que se segue, 
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a mobilidade torácica inferior é normal e o movimento respiratório não é 
restringido por falta de mobilidade dessa região. 
 
 Se as costelas apresentam pouca mobilidade ou se encontram 
imóveis, devem estar sendo impedidas pela pouca mobilidade das articulações 
costovertebrais das costelas inferiores de 7 a 10. 
 
III. Comentários