Currículo do Estado de São Paulo
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Currículo do Estado de São Paulo


DisciplinaEducação Física Escolar271 materiais2.117 seguidores
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é satisfato-
riamente atendido na tradicional divi-
são em três frentes. Vale lembrar que 
partimos sempre, em nossos estudos, 
de um determinado contexto socio-
cultural que encaminha e condiciona 
o nosso trabalho com a linguagem. 
Esse mesmo contexto é também o 
ponto de chegada, de tal modo que 
o conhecimento de linguagem possa, 
efetivamente, propiciar a transforma-
ção da realidade da qual partimos.
c) O processo de escrita, quando consi-
derado em sua dinâmica social, ultra-
passa as propostas tradicionalmente 
convencionais de uma aula de redação 
ou de produção textual. Isso porque 
ensinar as regras inerentes à estru-
tura de determinado gênero textual 
não é necessariamente permitir que o 
educando tenha uma experiência real 
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Currículo do Estado de São Paulo
Língua
Portuguesa
com o processo de escrita. Escrever 
é uma prática social e assim deve ser 
sempre considerada. Essa perspectiva 
não deve desaparecer da proposta pe-
dagógica da disciplina Língua Portu-
guesa, mesmo quando ela se detiver 
em estudos morfossintáticos ou que 
exijam maior abstração.
d) O conhecimento compartimentado 
em Gramática, Literatura e Redação 
não promove o desenvolvimento de 
uma consciência linguística de produ-
ção e recepção textual que se eviden-
cia em todas as práticas sociais.
\u2022	 Em todos os bimestres, são apresentadas, 
em média, cinco Situações de Aprendiza-
gem. Essas Situações intercalam diferentes 
objetivos linguísticos, literários e sociais, 
o que possibilita um movimento espirala-
do de construção de conhecimentos. Esse 
movimento de ir e vir permite retomar ati-
vidades realizadas em outros momentos, 
analisando-as à luz de novos conceitos 
construídos em sala de aula. Além disso, 
possibilita que o professor tenha tempo su-
ficiente para a correção de textos produzi-
dos pelos alunos. 
\u2022	 O desenvolvimento de habilidades entrelaça-se 
ao conhecimento de conteúdos da área da 
Linguagem, particularmente à linguagem 
verbal, visando a construir uma única reali-
dade. Cada Situação de Aprendizagem, no 
Caderno do Professor, começa com um qua-
dro que indica os conteúdos e as habilidades 
que serão desenvolvidas. Cada Situação de 
Aprendizagem faz interagir diferentes habili-
dades que se deseja que os educandos desen-
volvam com conhecimentos específicos dos 
estudos literários e linguísticos. A sequência 
de conteúdos, não obstante priorize o desen-
volvimento de habilidades, procura respeitar, 
sempre que possível, a ordem mais comum 
encontrada nos diferentes materiais didáticos 
a que o professor tem acesso. Podemos citar 
vários exemplos, entre eles, o fato de apro-
fundarmos a discussão do que é Literatura na 
1a série, discutirmos o Romantismo e o Realismo 
na 2a série e discorrermos sobre a Modernidade 
na 3a série. Também, pelo mesmo motivo, 
detemo-nos primeiro em aspectos morfológicos 
para, depois, adentrar na sintaxe.
Sobre os subsídios para implantação do 
Currículo proposto
A implantação de um Currículo em 
uma rede, especialmente nas proporções de uma 
rede estadual, pressupõe que sejam definidas 
e executadas algumas ações para seu efetivo 
funcionamento. 
Nesse sentido, o Currículo do Estado de 
São Paulo organizou-se, do ponto de vista do 
apoio para o trabalho pedagógico em sala de 
aula, com base em três suportes: o Caderno 
do Professor, o Caderno do Aluno e os vídeos 
dos especialistas.
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Língua
Portuguesa Currículo do Estado de São Paulo
Os Cadernos do Professor indicam as 
orientações básicas do Currículo, sugerindo 
sequências didáticas e indicando quais são os 
conteúdos e as habilidades básicas em cada 
Situação de Aprendizagem.
O mesmo ocorre nos Cadernos do Aluno: 
em consonância absoluta com os Cadernos do 
Professor, eles apresentam exercícios que de-
senvolvem os conteúdos e as habilidades indi-
cadas em cada Situação de Aprendizagem.
Os vídeos com os especialistas, por sua 
vez, foram organizados a partir dos principais 
eixos organizadores da disciplina Língua Portu-
guesa, de acordo com cada segmento (Ensino 
Fundamental ou Ensino Médio). Assim, em cada 
vídeo, foram apresentados os temas (gramática, 
gêneros, leitura e escrita no Ensino Fundamen-
tal; leitura literária, estilo e educação, produção 
textual e trabalho com gêneros no Ensino Mé-
dio) mostrando de que forma eles apa recem no 
Caderno do Professor.
Sobre a organização das grades 
curriculares (série/ano por bimestre): 
conteúdos associados a habilidades
Atualmente, buscando a renovação da 
disciplina Língua Portuguesa, muitos se voltam 
para os gêneros textuais. \u201cTemos de trabalhar 
os gêneros!\u201d tornou-se parte do discurso cor-
rente na escola. 
No entanto, vale o alerta: sem conhecer 
bem o tema, trabalhar com gêneros pode tra-
zer mais problemas do que soluções. Promover 
uma aula baseada no conceito de gênero tex-
tual permite o desenvolvimento da identidade 
cidadã de nossos alunos, mas exige considerar 
a língua portuguesa como uma atividade hu-
mana, um meio, por excelência, de existir no 
mundo. Isso nos desafia a levar essa língua para 
a sala de aula o mais próximo possível de como 
ela é surpreendida em seu uso cotidiano, por 
vezes deslocando-a do ideal de correção apre-
sentado em guias gramaticais.
Todas as atividades humanas estão rela-
cionadas à utilização de linguagens e estas não 
são apenas feitas de palavras, mas de cores, 
formas, gestos etc. Para se tornarem \u201clingua-
gem\u201d, tais elementos precisam obedecer a cer-
tas regras que lhes permitam entrar no jogo da 
comunicação. Uma delas é que toda manifes-
tação da linguagem se dá por meio de textos, 
os quais surgem de acordo com as diferentes 
atividades humanas e podem ser agrupados 
em gêneros textuais. 
Compreendemos gêneros textuais como 
modelos comunicativos que nos possibilitam 
gerar expectativas e previsões para compreen-
der um texto e, assim, interagir com o outro. 
Apenas para exemplificar, imagine a con-
fusão causada por uma simples conta de luz se 
ela viesse, a cada mês, escrita de modo diferente, 
sem seguir um padrão. Quando recebemos 
uma conta de luz, reconhecemos \u2013 por meio 
das habilidades que desenvolvemos ao longo 
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Língua
Portuguesa
da vida \u2013 o modelo. Desse modo, sabemos 
para que serve e revelamo-nos competentes 
para localizar as informações mais importan-
tes, deixando de lado as que não nos interes-
sam, ou seja, conseguimos organizar a nossa 
vida. Isso porque conta de luz é um gênero tex-
tual. Conta de luz, telenovela, fofoca, aula são 
alguns exemplos de gêneros que, pelo cons-
tante uso social, não oferecem muitas dificul-
dades de compreensão. O mesmo não pode-
mos dizer de outros gêneros textuais menos 
frequentes em nosso cotidiano, mas também 
importantes, tais como a crônica, o editorial, a 
reportagem, o romance, o artigo de opinião, 
o ensaio etc. 
Os gêneros surgem de acordo com sua 
função na sociedade; seus conteúdos, seu es-
tilo e sua forma estão sujeitos a essa função. 
Isso quer dizer que conhecer um gênero não 
é apenas conhecer suas características formais, 
mas, antes de tudo, entender sua função e sa-
ber, desse modo, interagir adequadamente. Em 
outras palavras, desenvolver habilidades que 
possibilitem essa interação.
Um enorme desafio: valorizar forma e 
função como uma única realidade interativa! 
Pode ser relativamente simples ensinar 
as características formais de um gênero; por 
exemplo, uma carta sempre começa com um 
vocativo. Mas ensinar o uso social dessa car-