Currículo do Estado de São Paulo
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DisciplinaEducação Física Escolar271 materiais2.119 seguidores
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lado, a situação real de 
ensino e aprendizagem (2 horas/aula semanais, 
turmas com grande número de alunos etc.) e, de 
outro, o princípio de que o conhecimento não 
se adquire por simples superposição ou justapo-
sição de informações, como já se mencionou. 
Entendendo-se que a apropriação do conheci-
mento não se dá de forma linear e que a cada 
nova informação as já existentes são reestrutu-
radas, reformuladas e realocadas, ao se estabe-
lecer um determinado eixo temático num dado 
momento, deverá ser considerada a necessidade 
de que, mais adiante, poderá ser indispensável 
retomar esse mesmo eixo, a fim de ampliá-lo 
ou de aprofundar determinados aspectos. Por-
tanto, os eixos também são direcionadores da 
aprendizagem, e não fins em si mesmos. 
Assim, considerando-se uma concepção 
de língua e de ensino de LE que tome como base 
temas geradores que focalizam questões de na-
tureza social, cultural, política, educacional e 
linguística, entre outras3, os eixos direcionadores 
do ensino deverão voltar-se para o trabalho com 
a diversidade cultural e com a construção e a 
constituição identitárias (o aprendiz de espanhol 
na sua relação com o outro e consigo mesmo, 
assim como com o que lhe é próprio ou alheio), 
destacando sempre as diversas formas de inte-
ração social, de abordagem de temas relevantes 
em contextos específicos e da adequação das 
3. Conforme proposto nas Orientações Curriculares para o Ensino 
Médio \u2013 Linguagens, Códigos e suas Tecnologias \u2013 Espanhol \u2013 
p.149-53.
 
formas escolhidas para fazê-lo. Tudo isso deve 
ter como objetivo maior superar preconceitos e 
romper estereótipos, relativizando as nossas for-
mas de ver o mundo e entendendo e aceitando 
outras formas de encarar as coisas.
Tendo em conta as considerações ante-
riores, pode-se dizer que, em linhas gerais, ao 
menos, os focos sobre os quais se estrutura a 
matriz curricular são:
\u2022	 língua estrangeira \u2013 espanhol e comunica-
ção (contemplados aqui os diversos meios e 
as diversas formas de expressão orais e escri-
tas, mais ou menos formais, inclusive as artís-
ticas, mais ou menos institucionalizadas etc.);
\u2022	 língua estrangeira \u2013 espanhol e diversidade 
cultural (uma diversidade que se manifesta 
tanto territorial quanto socialmente, bem 
como nas diversas formas de manifestação 
de cultura, seja esta observada de um ponto 
de vista mais antropológico ou pelas diver-
sas manifestações da arte e da civilização); 
\u2022	 língua estrangeira e sociedade, esta con-
templada também na sua diversidade e nas 
marcas que essa diversidade deixa nas pro-
duções linguísticas e culturais.
Nesse contexto, seria necessário tratar, 
entre outros, os seguintes eixos temáticos:
\u2022	 formas de tratamento em diferentes con-
textos sociais e culturais, sempre conside-
rando-se níveis de adequação, e não ape-
nas de correção;
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LEM
Espanhol
\u2022	 o \u201clugar\u201d do estrangeiro aprendiz de espa-
nhol na sua relação com outros estrangei-
ros e com os falantes nativos de diferentes 
procedências;
\u2022	 relações sociais e pessoais simétricas e assi-
métricas, de poder etc.;
\u2022	 cordialidade e respeito: manifestações nas 
relações sociais e na diversidade cultural;
\u2022	 sentidos da informalidade e da formalidade, 
da proximidade e da distância e suas diver-
sas manifestações e efeitos na linguagem;
\u2022	 os espaços sociais como locais de interação: 
com quem, como, onde, quando e sobre o 
que falar; 
\u2022	 expressão de gostos e preferências em fun-
ção de contextos sociais e culturais;
\u2022	 expressão de hábitos e costumes em dife-
rentes manifestações sociais e culturais;
\u2022	 assuntos tabus e tabus linguísticos em dife-
rentes culturas e comportamento social;
\u2022	 formas de abordagem de temas diversos e 
polêmicos, percepção da relevância situacio-
nal e cultural assim como das restrições para 
fazê-lo em função dos diferentes valores de 
cada grupo social;
\u2022	 expressão de opiniões e valores de e em cul-
turas diferentes, em distintos espaços sociais.
Esses eixos poderão se concretizar, em sala 
de aula, de maneiras muito diversificadas. Algu-
mas dessas muitas possibilidades tomam como 
base conteúdos socioculturais e funcionais e en-
contram-se detalhados na matriz curricular. Res-
salte-se, entretanto, que tais conteúdos deverão 
apresentar-se em contextos variados (e, dentro 
do possível, reais e/ou autênticos), de forma a 
possibilitar que o aprendiz entre em contato com 
diferentes gêneros textuais (crônicas, ensaios, 
poesias, reportagens, propagandas, resumos, si-
nopses etc.) procedentes de diferentes campos 
do saber e que também circulam em distintos 
âmbitos (acadêmico, profissional, pessoal etc.). 
Além disso, também convém enfocar a diver-
sidade textual (descrição, dissertação, narração 
etc.), textos esses que circulam em diferentes es-
feras e com diferentes suportes (internet, livros, 
mídia etc.). É fundamental também focalizar 
sempre, mais do que a mera \u201ccorreção\u201d, a ade-
quação de cada fala/texto ao contexto cultural e 
situacional em que se insere.
Também é fundamental que as fontes 
selecionadas apresentem diversidade quanto 
à sua origem, de maneira a garantir o contato 
do aluno com a multiplicidade de variedades do 
espanhol, tanto regionais quanto sociais (regis-
tros, sotaques e ritmos de fala variados, distintos 
modos de comportamento linguístico), e com as 
suas diferentes culturas. Nesse sentido, o papel 
do professor passa a ser quase \u201co de articulador 
de muitas vozes\u201d4 às quais ele dá passagem para 
introduzir o trabalho interpretativo importante 
que deverá desenvolver. É fundamental, no en-
4. Conforme proposto nas Orientações Curriculares para o Ensino 
Médio \u2013 Linguagens, Códigos e suas Tecnologias \u2013 Espanhol \u2013 
p.136.
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tanto, que não se transforme essa amostragem 
\u201c(...) num simples conjunto de \u2018curiosidades\u2019\u201d 
com características de almanaque ou de listas de 
vocabulário, \u201c(...) desconsiderando a construção 
histórica que é a língua, resultado de muitas fa-
las datadas e localizadas\u201d.5 
É igualmente relevante que, na escolha 
dos materiais para essa amostragem, os profes-
sores tenham em conta sempre a adequação 
deles aos níveis de dificuldade a que estão pre-
parados os aprendizes e seu grau de capacidade 
interpretativa e de amadurecimento intelectual.
Expectativas de aprendizagem
Da mesma forma que a língua estrangeira 
não é hegemônica, os processos de aprendiza-
gem e os resultados obtidos também são hetero-
gêneos, até porque se trata de um processo que 
toca em aspectos da subjetividade do aprendiz e 
está profundamente vinculado a questões de na-
tureza identitária. Ressalvadas as diferenças entre 
os aprendizes, relacionadas a fatores individuais 
como, por exemplo, a maior ou menor facilidade 
e/ou resistência para aprender línguas estrangei-
ras (LEs) e a língua espanhola em particular, o 
nível de motivação ou de ansiedade, a inibição, 
a personalidade ou as variações vinculadas a ou-
tros fatores como as crenças do aprendiz sobre 
como se aprende uma LE, é imprescindível que 
os professores e os alunos tenham clareza sobre 
as metas a serem alcançadas em cada etapa do 
Ensino Médio. Apenas se todos os envolvidos no 
processo tiverem consciência do ponto ao qual 
5. Conforme proposto nas Orientações Curriculares para o Ensino 
Médio \u2013 Linguagens, Códigos e suas Tecnologias \u2013 Espanhol \u2013 
p.136-7.
se pretende chegar é que poderão ser traçados 
os melhores caminhos a percorrer, caminhos 
que serão permanentemente reavaliados. Daí