TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
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TEORIA GERAL DOS CONTRATOS


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desde a sua 
formação (ex tunc) \u2013 arts. 166 e 167 CC. 
\uf098 Não precisa de confirmação e não convalesce com o tempo. 
\uf098 Pode ser requerido em juízo a qualquer tempo, por qualquer interessado, 
podendo ser declarada de ofício pelo juiz ou por promoção do Ministério 
Público (CC, art. 168). 
\uf098 Se a hipótese for de nulidade parcial, só quanto a ela poderá ser exercido o 
direito (art. 184). Quando cabível a conversão (art. 170), a procedência do 
pedido extintivo de nulidade será apenas parcial, devendo o juiz declarar qual o 
negócio jurídico que subsiste (princípio do aproveitamento do contrato). 
12.3.2- NULIDADE RELATIVA: 
\uf098 Advém da imperfeição da vontade: ou porque emanada de um relativamente 
incapaz não assistido, ou porque contém algum dos vícios do consentimento, 
como erro, dolo, coação etc. Como pode ser sanada (art. 172) e até mesmo não 
arguida no prazo prescricional (art. 178 e 179), não extinguirá o contrato 
enquanto não se mover ação que a decrete, sendo ex nunc os efeitos da sentença. 
 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 3 : contratos e atos 
unilaterais / Carlos Roberto Gonçalves. \u2013 11. ed. \u2013 São Paulo : Saraiva, 2014. 
\uf098 Não pode ser arguida por ambas as partes da relação contratual, nem declarada 
ex officio pelo juiz. Legitimado a pleitear a anulação está somente o contraente 
em cujo interesse foi estabelecida a regra (CC, art. 177) 
12.3.3- CLÁUSULA RESOLUTIVA: 
\uf098 Na execução do contrato, cada contraente tem a faculdade de pedir a resolução 
se o outro não cumpre as obrigações avençadas. Essa faculdade pode resultar: 
o a) de convenção (cláusula resolutiva expressa ou pacto comissório 
expresso); ou 
o b) de presunção legal (cláusula resolutiva tácita ou implícita). 
\uf098 Em todo contrato bilateral ou sinalagmático presume-se a existência de uma 
cláusula resolutiva tácita, autorizando o lesado pelo inadimplemento a pleitear a 
resolução do contrato, com perdas e danos (art.475). 
\uf098 Art. 474: em ambos os casos, expressa ou tácita, a resolução deve ser judicial, 
ou seja, precisa ser pronunciada pelo juiz. A sentença que reconhecer a cláusula 
expressa e o direito à resolução terá efeito meramente declaratório, ex tunc; 
portanto, sendo a cláusula tácita, a sentença tem efeito desconstitutivo, 
dependendo de interpelação judicial, ou seja, a cláusula só produz efeitos após a 
interpelação. 
12.3.4- DIREITO DE ARREPENDIMENTO: 
\uf098 Quando expressamente previsto no contrato, o arrependimento autoriza qualquer 
uma das partes a rescindir o ajuste, mediante declaração unilateral da vontade, 
sujeitando-se à perda do sinal ou à sua devolução em dobro sem, no entanto, 
pagar indenização suplementar. Configuram-se, in casu, as arras penitenciais 
(art. 420 do CC e Súm. 412 do STF). 
\uf098 O direito de arrependimento deve ser exercido no prazo convencionado ou antes 
da execução do contrato se nada foi estipulado a esse respeito. 
\uf098 O Código de Defesa do Consumidor concede a este o direito de desistir do 
contrato, no prazo de sete dias, sempre que a contratação se der fora do 
estabelecimento comercial, especialmente quando por telefone ou em domicílio, 
com direito de devolução do que pagou, sem obrigação de indenizar perdas e 
danos (art. 49). 
12.4- CAUSAS SUPERVENIENTES À FORMAÇÃO DO CONTRATO 
12.4.1- RESOLUÇÃO: 
\uf098 Na lição de Orlando Gomes, é \u201cum remédio concedido à parte para romper o 
vínculo contratual mediante ação judicial\u201d. O inadimplemento por ser voluntário 
(culposo) ou não (involuntário). 
 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 3 : contratos e atos 
unilaterais / Carlos Roberto Gonçalves. \u2013 11. ed. \u2013 São Paulo : Saraiva, 2014. 
\uf098 A extinção do contrato mediante resolução tem como causa a inexecução ou 
incumprimento por um dos contratantes. 
12.4.1.1- Resolução por inexecução voluntária: 
\uf098 Produz efeitos ex tunc, extinguindo o que foi executado e obrigando a 
restituições recíprocas (salvo em contratos de trato sucessivo, como locação, 
cujos efeitos produzidos pela resolução serão ex nunc), sujeitando, ainda, o 
inadimplente ao pagamento das perdas e danos e da cláusula penal. 
\uf098 Não é admitida em casos de incumprimentos irrelevantes. 
12.4.1.1.1- Exceção de contrato não cumprido (art. 476): 
\uf098 Aplicável em contratos bilaterais, que envolvem prestações recíprocas, atreladas 
umas às outras. Se uma das prestações não é cumprida, deixa de existir causa 
para o cumprimento da outra. 
\uf098 Para que possa ser alegada depende que as prestações das partes sejam 
simultâneas ou sucessivas. 
12.4.1.1.2- Exceção do contrato parcialmente cumprido: 
\uf098 Apesar de não previsto em lei, é aplicável utilizando a mesma lógica da 
execução anterior, quando um dos contraentes cumpriu apenas em parte, ou de 
forma defeituosa, a sua obrigação, quando se comprometera a cumpri-la integral 
e corretamente. 
12.4.1.1.3- Exceção de inseguridade (art. 477): 
\uf098 Aplicável nas obrigações a prazo (execução diferida). 
\uf098 Enunciado 438 da V Jornada de Direito Civil: 
o \u201cA execução de inseguridade, prevista no art. 477 CC também pode ser 
oposta à parte cuja conduta põe manifestamente em risco a execução do 
programa contratual\u201d. 
12.4.1.2- Resolução por inexecução involuntária: 
\uf098 Decorre de fato não imputável às partes, como sucede nas hipóteses de ação de 
terceiro ou de acontecimentos inevitáveis, alheios à vontade dos contraentes, 
denominados caso fortuito ou força maior, que impossibilitam o cumprimento da 
obrigação. 
\uf098 A impossibilidade deve ser total, pois se a inexecução for parcial e de pequena 
proporção, o credor pode ter interesse em que, mesmo assim, o contrato seja 
cumprido; há de ser, ainda, definitiva. 
\uf098 Produz efeitos ex tunc, extinguindo o que foi e obrigando a restituições 
recíprocas. 
 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 3 : contratos e atos 
unilaterais / Carlos Roberto Gonçalves. \u2013 11. ed. \u2013 São Paulo : Saraiva, 2014. 
\uf098 O inadimplente não fica, no caso de inexecução involuntária, responsável pelo 
pagamento de perdas e danos, salvo se expressamente obrigou-se a ressarcir os 
\u201cprejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior\u201d ou estiver \u201cem mora\u201d 
(CC, arts. 393 e 399). 
12.4.1.3- Resolução por onerosidade excessiva: 
\uf098 Decretada por sentença utilizando o princípio da revisão dos contratos (também 
conhecido como princípio da onerosidade excessiva) que presume a existência 
implícita de uma cláusula contratual, pela qual a obrigatoriedade de seu 
cumprimento pressupõe a inalterabilidade de fato dos contratantes. 
\uf098 12.4.1.3.1- Requisitos: 
o vigência de um contrato comutativo de execução diferida ou de trato 
sucessivo; 
o ocorrência de fato extraordinário e imprevisível; 
o considerável alteração da situação de fato existente no momento da 
execução, em confronto com a que existia por ocasião da celebração; e 
o nexo causal entre o evento superveniente e a consequente excessiva 
onerosidade. 
\uf098 Contratante que estiver em mora quando da ocorrência dos fatos não pode 
invocar, em sua defesa, a onerosidade excessiva, pois, estando naquela situação 
respondendo pelos riscos supervenientes, ainda que decorrida por caso fortuito 
ou força maior (art. 399). 
\uf098 A parte beneficiada pelo evento imprevisível pode evitar a resolução propondo 
alternativas (art. 479). 
\uf098 A mesma revisão contratual prevista no art. 478 pode ser realizada sem os 
requisitos apontados anteriormente, se no contrato, as obrigações couberem a 
apenas uma das partes (art. 480). Ex.: pagamento de multa em contrato de 
locação (art. 572). 
12.4.2- RESILIÇÃO: 
\uf098 Resilir, do latim resilire, significa, etimologicamente, \u201cvoltar atrás\u201d. 
\uf098 Tem como causa a manifestação de vontade,