DIREITO CIVIL III   CONTRATOS
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DIREITO CIVIL III CONTRATOS


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Civil, art. 581). 
6.2. Mútuo: é o contrato pelo qual uma das partes 
transfere uma coisa fungível a outra, obrigando-se 
a restituir coisa do mesmo gênero, da mesma quali-
dade e na mesma quantidade. É, portanto, diferente 
do comodato, que realiza apenas a cessão de uso: 
o mútuo exige a transferência da propriedade mes-
ma, por não se conciliar a conservação da coisa 
com a faculdade de consumi-la, sem a qual perde-
ria este empréstimo a sua utilidade econômica.
É um contrato
a) Real: a tradição do objeto é o primeiro ato de sua 
execução e a condição jurídica da restituição;
b) Unilateral: somente o mutuário contrai obriga-
ções, uma vez que o mutuante somente deve en-
tregar a coisa, ato que, nos contratos ditos reais, 
integra a sua constituição;
c) Gratuito: na ausência de estipulação presume-
se a gratuidade. A retribuição não é incompatível 
com a unilateralidade, porque, ajustados os juros, 
quem por eles responde é a mesma parte a quem 
incumbem as demais obrigações;
d) Temporário, por ser da sua essência a restitui-
ção da coisa;
e) Translatício do domínio, porque opera para o 
mutuário a transferência da propriedade da coisa 
emprestada. 
7. Depósito: é o contrato pelo qual uma pessoa 
(depositário) recebe um objeto móvel para guardar, 
até que o depositante o reclame (Código Civil, art. 
627). Trata-se de um contrato:
a) Real: o depósito somente se perfaz com a tradi-
ção efetiva da coisa;
b) Gratuito: ainda assim, as partes podem estipular 
que o depositário seja gratifi cado. A presunção de 
gratuidade deixa de existir, se o depósito resultar de 
atividade negocial ou se o depositário o praticar por 
profi ssão (Código Civil, artigo 628);
c) Temporário: o depositário tem de devolver a coi-
sa no momento em que lhe for pedida. 
8. Mandato: é o contrato pelo qual uma pessoa 
(mandatário) recebe poderes de outra (mandante) 
para, em seu nome, praticar atos jurídicos ou admi-
nistrar interesses (Código Civil, art. 653). O Código 
Civil dedicou um capítulo especial à representação, 
na sua Parte Geral, arts. 115 a 120, pondo fi m ao 
equívoco de aliar-se a idéia de representação à de 
mandato o que não é correto, já que este é apenas uma 
das formas daquela. Não nos deteremos no conceito e 
nas espécies de representação. Limitamo-nos a aqui 
assinalar que o mandato, como representação conven-
cional, permite que o mandatário emita a sua declaração 
de vontade, dele representante, adquirindo direito e as-
sumindo obrigações que percutem na esfera jurídica do 
representado.
Quanto à natureza jurídica do ato para o qual o manda-
tário é investido de poderes, apenas negócios jurídicos, 
patrimoniais ou não, podem ser praticados. Essa era a 
orientação incontestável, antes de 2002; mas, pelo dis-
posto no art. 653 do Código Civil brasileiro, que não 
alude a negócio jurídico, nosso direito admite que tam-
bém outros posam nele estar compreendidos, e não 
somente os negócios jurídicos.
O mandato é:
a) Consensual: que se perfaz pelo só acordo de von-
tades e pode ser verbal ou escrito, por instrumento pú-
blico ou particular;
b) Gratuito por natureza, embora não o seja essen-
cialmente. No direito brasileiro, considera-se o manda-
to gratuito, quando não se estipula remuneração, salvo 
nos casos de ter, como objeto, algo que o mandatário 
tem como ofício ou profi ssão lucrativa (advogado, des-
pachante, corretor), em que vigora a presunção contrá-
ria de onerosidade. Nessas hipóteses, faltando acordo 
sobre a quantia devida e não sendo esta fi xada por 
lei, o valor será determinado pelos usos do lugar ou, 
na falta destes, caberá arbitramento pelo juiz, o qual 
levará em consideração a natureza do serviço, a sua 
complexidade e duração, o proveito obtido etc. (Código 
Civil, art. 658); 
c) Intuitu personae, celebrando-se especialmente 
em consideração ao mandatário. Traduz, mais do que 
qualquer outra fi gura jurídica, uma expressão fi duciá-
ria, já que o seu pressuposto fundamental é a confi an-
ça que o gera;
d) Bilateral, com obrigações tanto para o mandatário 
(Código Civil, art. 667) quanto para o mandante (art. 
675), cabendo, com precisão, distinguir o oneroso, 
que é sempre bilateral, do gratuito, que é normalmente 
unilateral, uma vez que os deveres de ressarcimento 
de danos e reembolso de despesas são eventuais e 
subseqüentes à formação do contrato;
e) Preparatório, em razão de não esgotar a intenção 
das partes, habilitando o mandatário para a prática de 
atos subseqüentes que nele não estão compreendi-
dos;
f) Revogável, salvo as hipóteses previstas expressa-
mente no Código (arts. 683 a 686, parágrafo único).
9. Contrato de transporte: é aquele pelo qual alguém 
mediante retribuição se obriga a receber pessoas ou 
coisas (animadas ou inanimadas) e levá-las até o lugar 
do destino, com segurança, presteza e conforto (Códi-
go Civil, art. 730). 
10. Seguro: é o contrato por via do qual uma das par-
tes (segurador) se obriga para com a outra (segurado), 
mediante o recebimento de um prêmio, a garantir in-
teresse legítimo desta, relativo a pessoa ou a coisa, 
contra riscos futuros predeterminados (Código Civil, 
art. 757). Compete privativamente à União legislar so-
bre seguros (Constituição de 1988, art. 22, nº VII). Não 
obstante a variedade de espécies, predomina, em nos-
so direito positivo, o conceito unitário do seguro, segun-
do o qual há um só contrato que se multiplica em 
vários ramos ou subespécies, construídos sempre 
em torno da idéia de dano (patrimonial ou moral), 
cujo ressarcimento ou compensação o segurado 
vai buscar, mediante o pagamento de prestações, 
ao contrário do conceito dualista que separa os de 
natureza ressarcitória (seguros de danos) daquele 
em que está presente apenas o elemento aleatório 
(seguro de vida), sem a intenção indenizatória ou 
visando a uma capitalização.
O instrumento escrito é elemento de prova, susce-
tível de suprimento por outros meios. O elemento 
comprobatório da celebração do contrato, quando 
não há a emissão de apólice ou bilhete de segu-
ro, previsto no art. 758 do Código é o pagamento 
do prêmio. O Código admite a recondução tácita 
do contrato pelo mesmo prazo, apenas por uma 
vez. Caso as partes queiram prorrogá-lo por mais 
tempo terão que manifestar expressamente a sua 
vontade neste sentido (art. 774). O objetivo da lei 
é impedir que o segurado tenha o seu contrato 
indefi nidamente prorrogado, sem que manifeste 
expressamente essa vontade.
11. Jogo e Aposta: jogo é o contrato em que duas 
ou mais pessoas prometem, entre si, pagar certa 
soma àquele que lograr um resultado favorável de 
um acontecimento incerto; aposta é o contrato em 
que duas ou mais pessoas prometem, entre si, pa-
gar certa soma àquele cuja opinião prevalecer em 
razão de um acontecimento incerto. Ambos são 
contratos aleatórios; ambos colocam nas mãos 
do acaso a decisão de sua vitória recíproca. Mas, 
enquanto no jogo há propósito de distração ou ga-
nho e participação dos contendores, na aposta há 
o sentido de uma afi rmação a par de uma atitude 
de mera expectativa.
12. Fiança: é o negócio jurídico com o objetivo de 
oferecer ao credor uma segurança de pagamento, 
além daquela genérica situada no patrimônio do 
devedor. Pode efetivar-se mediante a separação 
de um bem determinado, móvel ou imóvel, com 
o encargo de responder o bem gravado ou o seu 
rendimento pela solução da obrigação (penhor, 
hipoteca, anticrese), casos em que fi ca estabele-
cido um ônus sobre a própria coisa, constituindo 
espécie de garantia real, por isso mesmo perti-
nentes aos direitos reais. Como garantia pessoal, 
ora resulta do acordo livremente ajustado (fi ança 
convencional), ora emana do comando da lei (fi an-
ça legal), ora provém de imposição do juiz (fi ança 
judicial). A estas últimas não nos referiremos, mas 
à primeira, que defi niremos como o contrato por 
via do qual uma pessoa