DIREITO CIVIL III   CONTRATOS
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DIREITO CIVIL III CONTRATOS


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garante satisfazer o credor 
uma obrigação assumida pelo devedor, caso este 
não a cumpra (Código Civil, art. 818).
É um contrato: a) Unilateral, porque gera obriga-
ções somente para o fi ador; b) Gratuito, porque 
cria vantagens para uma só das partes, nenhum 
benefício auferindo o fi ador; c) Intuitu Personae, 
porque ajustado em função da confi ança de que 
desfruta o fi ador; d) Acessório, como todo con-
trato de garantia, porque pressupõe sempre a 
existência de obrigação principal, seja esta de na-
tureza convencional, seja de natureza legal.
Não se deve confundir fi ança e aval. Ambos são 
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tipos de garantia pessoal, mas, enquanto a fi ança 
é uma garantia fi dejussória ampla e hábil a aceder 
a qualquer espécie de obrigação, convencional, 
legal ou judicial, o aval é restrito aos débitos sub-
metidos aos princípios cambiários. Em razão da 
velocidade dos títulos desta espécie, não está o 
aval sujeito às restrições de que padece a fi ança, 
no tocante à outorga do outro cônjuge. Nos seus 
efeitos também difere, gerando o aval responsabi-
lidade sempre solidária, ao contrário da fi ança, que 
pode sê-lo, ou não.
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 Declarações 
unilaterais de vontade
 1. Promessa de recompensa: ocorre quando 
alguém, por anúncio público, oferece recompen-
sa a quem desempenhe certa prestação, e está 
obrigado a pagá-la, quer o candidato haja proce-
dido com o propósito de disputá-la ou não. A pu-
blicidade tanto pode ser a difusão pela imprensa 
quanto resultar de proclamas ou pregões de viva 
voz ou radiodifundidos, televisionados, por mídia 
eletrônica etc. O agente vincula-se em razão da 
vontade declarada, bastando, portanto, que seja 
ela externada por qualquer veículo. É declaração 
endereçada a qualquer anônimo, determinando-se 
o sujeito ativo da relação obrigacional no momento 
em que se verifi ca o preenchimento dos requisitos 
de exigibilidade da prestação.
A promessa é obrigatória a partir do momento em 
que se torne pública; poderá, todavia, ser objeto 
de declaração contrária de vontade, desde que o 
promitente ressalve, em qualquer tempo, o direito 
de revogá-la. Caso o faça, no entanto, a lei garante 
ao candidato de boa-fé o direito ao ressarcimen-
to das despesas em que tiver incorrido (Código 
Civil, parágrafo único do art. 856). Fixado prazo, 
presume-se ter o anunciante renunciado ao direito 
de retirá-la, até o seu escoamento.
2. Gestão de negócios: uma pessoa realiza atos 
no interesse de outra, como se fosse seu represen-
tante, embora não investido dos poderes respecti-
vos, arrogando-se, assim, a qualidade de gestor 
de negócios alheios. Assim, a gestão de negócios 
é a administração ofi ciosa de interesses alheios.
Há uma ingerência na esfera jurídica alheia, que 
deixa de ser ilícita, porque inspirada no propósito 
de bem servir e de ser útil ao dono e porque reali-
zada segundo a vontade presumível deste (Código 
Civil, art. 861). Se a iniciar o gestor contra vontade 
presumível do dono do negócio, responderá pelo 
fortuito, a não ser se prove que o dano adviria 
ainda que se tivesse abstido e, se o proveito for 
inferior aos prejuízos, poderá o dono exigir que o 
gestor restitua as coisas ao estado anterior ou o 
indenize da diferença (Código Civil, art. 863). Mas, 
se tiver havido intervenção contra a vontade ma-
nifesta do dono, já não há gestão, ao contrário do que 
enganosamente menciona o art. 862 do Código Civil, 
porém ato ilícito, com aplicação dos preceitos a estes 
atinentes. 
Para que uma atuação possa conceituar-se como ges-
tão de negócios, é necessária a verifi cação de certos 
pressupostos de fato: a) tratar-se de negócio alheio, 
porque, se for próprio, é pura administração; b) proce-
der o gestor ao interesse do proprietário ou segundo a 
sua vontade, seja real ou presumida; c) trazer a inten-
ção de agir proveitosamente para o dono; d) agir ofi cio-
samente, pois que, se tiver havido uma delegação, é 
mandato; e) limitar-se a ação do gestor a atos de natu-
reza patrimonial (negócios), uma vez que os de nature-
za diferente exigem sempre a outorga de poderes.
3. Enriquecimento sem causa: dá-se quando alguém 
tira proveito injustifi cado por fato de outrem, surgindo, 
portanto, o direito de obter do benefi ciário indevido 
aquilo que verdadeiramente compete à pessoa que 
foi lesada. O sistema jurídico não admite, assim, que 
alguém obtenha um proveito econômico às custas de 
outrem, sem que esse proveito decorra de uma causa 
juridicamente reconhecida. A causa para todo e qual-
quer enriquecimento não só deve existir originariamen-
te, como também deve subsistir, já que o desapareci-
mento superveniente da causa do enriquecimento de 
uma pessoa, às custas de outra, também repugna ao 
sistema (Código Civil, art. 885). O art. 884 do Código 
Civil obriga aquele que, sem justa causa, enriquecer-se 
à custa de outrem, a restituir o indevidamente auferido. 
Note-se que não incluiu o Código como elemento de 
confi guração do enriquecimento sem causa; a neces-
sidade de a outra parte empobrecer com o enriqueci-
mento do benefi ciado. Para que o enriquecimento se 
causa se confi gure, é preciso que o proveito obtido por 
sua atividade ou por sua causa tenha sido ilegitima-
mente apropriado pelo benefi ciado, sem que o lesado 
possa por qualquer outro meio obter o benefício dela 
decorrente. Não caberá restituição por enriquecimen-
to sem causa se a lei conferir à pessoa lesada outros 
meios para se ressarcir do prejuízo sofrido (Código 
Civil, art. 886).
4. Pagamento indevido: é uma espécie de enriqueci-
mento ilícito, por decorrer de uma prestação feita por 
alguém com o intuito de obter extinção de uma obri-
gação erroneamente pressuposta, gerando, a quem 
recebeu, o dever legal de restituir. Todo aquele que 
recebeu o que não lhe era devido, fi ca obrigado a res-
tituir; obrigação que incumbe àquele que recebe dívida 
condicional antes de cumprida a condição. Àquele que 
voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de 
tê-lo feito por erro. Aos frutos, acessões, benfeitorias 
e deteriorações sobrevindas à coisa, dada em paga-
mento indevido, aplica-se o disposto no Código sobre o 
possuidor de boa-fé ou de má-fé, conforme o caso. Se 
aquele que, indevidamente, recebeu um imóvel o tiver 
alienado em boa-fé, por título oneroso, responde so-
mente pela quantia recebida; mas, se agiu de má-
fé, além do valor do imóvel, responde por perdas 
e danos. Se o imóvel foi alienado por título gratuito 
ou se, alienado por título oneroso, o terceiro adqui-
rente agiu de má-fé, cabe ao que pagou por erro o 
direito de reivindicação.
Ficará isento de restituir pagamento indevido 
aquele que, recebendo-o como parte de dívida 
verdadeira, inutilizou o título, deixou prescrever a 
pretensão ou abriu mão das garantias que assegu-
ravam seu direito; mas aquele que pagou dispõe 
de ação regressiva contra o verdadeiro devedor e 
seu fi ador. Se o pagamento indevido tiver consisti-
do no desempenho de obrigação de fazer ou para 
eximir-se da obrigação de não fazer, aquele que 
recebeu a prestação fi ca na obrigação de indeni-
zar o que a cumpriu, na medida do lucro obtido. 
Não se pode repetir o que se pagou para solver 
dívida prescrita ou cumprir obrigação judicialmente 
inexigível. Não terá direito à repetição aquele que 
deu alguma coisa para obter fi m ilícito, imoral, ou 
proibido por lei. O que se deu reverterá em favor 
de estabelecimento local de benefi cência, a crité-
rio do juiz.
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A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida 
dos estudos das disciplinas dos cursos de gradu-
ação, devendo ser complementada