DIREITO CIVIL III   CONTRATOS
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DIREITO CIVIL III CONTRATOS


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compra e 
venda terá de incidir sobre uma coisa caracterizada por 
seus elementos identifi cadores. O seu objeto necessa-
riamente deverá ser determinado. Isso não quer dizer 
que deverá ser rigorosa a determinação e no momento 
exato do ajuste: se a coisa for determinável, isto é, sus-
cetível de individualização no momento da execução, o 
contrato tem condições de existência. 
Nessa qualidade da coisa interfere a venda sob amostra, 
protótipo ou modelo, que é aquela em que o vendedor 
exibe ao comprador uma pequena porção da coisa, ou 
seu protótipo, ou modelo, assegurando-lhe que o objeto 
a ser entregue deva ter as suas qualidades (Código Ci-
vil, art.484). É uma espécie de determinação, por via de 
confronto com a amostra, protótipo ou modelo exibido. 
Conferindo-o e verifi cando-o, o comprador, no momento 
da entrega, tem a faculdade de rejeitá-la, se não guar-
dar exata correspondência com a amostra. O parágrafo 
único do art.484 faz ainda prevalecer a amostra, o pro-
tótipo ou o modelo sobre a descrição que tiver sido feita 
sobre o objeto, no contrato, caso exista diferença entre 
eles, optando claramente por proteger o comprador, na 
certeza de que a visualização da amostra, do protótipo 
ou do modelo, é elemento fundamental na formação da 
vontade na fase da celebração do contrato.
Ademais, para que haja compra e venda, a coisa há de 
ser disponível ou estar no comércio. Em caso contrário, 
não haverá compra e venda, porque a sua inalienabili-
dade impossibilita a transmissão ao comprador. A indis-
ponibilidade pode ser natural, quando a coisa é insusce-
tível de apropriação; legal, quando a coisa está fora do 
comércio por imposição da lei; e voluntária, quando re-
sulta de uma declaração de vontade por ato entre vivos 
(doação) ou \u201ccausa mortis\u201d (testamento). Sempre que a 
coisa for inalienável, o contrato de compra e venda não 
pode tê-la por objeto, sob pena de inefi cácia. E não bas-
ta que a coisa seja disponível. É preciso que ela possa 
ser transferida ao comprador. Se a coisa já pertencer ao 
comprador, não poderá ser vendida a ele; e, se perten-
cer não ao vendedor, mas a terceiro, a venda também 
não se concretiza.
1.1. Características:
a) Bilateralidade: esta é caracterizada por conta da 
criação de obrigações para os contratantes, os quais, 
em caráter posterior, serão credores e devedores; b) 
Onerosidade: nesse caso, a onerosidade implica a 
característica de ambos os contratantes auferirem van-
tagens de cunho patrimonial. Vale ressaltar que deve 
haver um equilíbrio envolvendo tais vantagens; c) Co-
mutatividade: esta advém da existência de um objeti-
vo certo e seguro na realização do contrato, como se 
percebe na grande maioria dos contratos no Direito 
Civil; d) Aleatoriedade: nessa característica, o ob-
jeto do contrato encontra-se vinculado à ocorrência 
de um evento futuro e incerto, em que não se pode 
antecipar o seu montante. Exemplo: alienação de 
coisa futura em que um dos contratantes toma para 
si o risco, caso nada venha a ser produzido, embo-
ra permaneça o dever do pagamento. Vide artigos 
458 e 459, do Código Civil; e) Consensualidade e 
Solenidade: em casos como os contratos consen-
suais em que, através do mútuo consentimento de 
ambos os contratantes, temos o aperfeiçoamento 
do contrato. Por sua vez, a solenidade descreve 
a necessidade de o contrato de compra e venda 
possuir uma forma específi ca por força de lei, para 
gerar seus efeitos. Tal solenidade é constatada na 
aquisição de imóveis em que a escritura pública 
mostra-se necessária. Vide arts. 108 e 215 do Có-
digo Civil; f) Translatividade do domínio: nesse 
caso, o contrato de compra e venda passa a as-
sumir um importante papel, como sendo um título 
hábil para a aquisição do domínio, o qual se aper-
feiçoa somente com a tradição ou registro do bem, 
este último no caso de bens imóveis.
1.2. Elementos constitutivos: 
a) Consentimento: é preciso capacidade genéri-
ca para praticar os atos da vida civil. Os absoluta 
ou relativamente incapazes só poderão contratar 
devidamente representados ou assistidos pelos re-
presentantes legais, sob pena de nulidade ou anu-
labilidade do negócio; a pessoa também precisará 
de legitimação para contratar, por isso há restrições 
quanto às pessoas casadas, que necessitam da 
anuência do cônjuge para a compra e venda de 
imóveis (exceto no regime de separação total de 
bens), b) Preço: constitui importante elemento des-
se tipo de contrato, sendo que o mesmo deve ser 
estabelecido em dinheiro, sob pena de estabelecer-
se um contrato de troca e não de compra e venda. 
A fi xação do preço, porém, pode ocorrer por parte 
de terceiro, além da fi xação baseada no próprio 
mercado ou bolsa, de acordo com os artigos 485 
e 486, do Código Civil. Contudo, tal fi xação pode 
não se dar por puro arbítrio de uma das partes, não 
se alcançando nesse caso, o equilíbrio almejado no 
contrato de compra e venda. Não querendo ou não 
podendo os contratantes determinar o preço, é lícito 
convencionar sua fi xação por um terceiro (Código 
Civil, art. 485) que não é propriamente um avalia-
dor da coisa, porém um árbitro escolhido pelos in-
teressados, os quais não têm o direito de repudiar 
a sua deliberação, mas têm o dever de acatar sua 
estimativa. Também será válida a venda, se dei-
xado o preço à taxa do mercado ou da Bolsa, de 
um certo dia e lugar (Código Civil, art. 486). Se a 
cotação variar no mesmo dia escolhido, tomar-se-á 
por base na média nessa data, caso as partes não 
tenham convencionado de forma diversa, por apli-
cação analógica do parágrafo único do art.488 do 
Código. São acessórios do preço as despesas que 
se têm de fazer para a realização e execução do 
contrato. Em princípio, deixa-se ao sabor da von-
tade dos interessados. Na sua falta, competem ao 
comprador as despesas de escritura e registro e, 
ao vendedor, as da tradição (Código Civil, art. 490). 
A ausência de estipulação do preço nem sempre 
leva à inexistência do contrato de compra e venda 
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por falta de um dos seus elementos essenciais. O 
art. 488 do Código admite a interpretação do con-
trato de compra e venda sem preço ou de qualquer 
critério para a sua fi xação, como se as partes se 
tivessem sujeitado ao preço corrente nas vendas 
habituais do vendedor; 
c) Coisa: é o principal elemento desse tipo de 
contrato, também chamada de res, sendo caracte-
rizado como objeto individuado da compra e venda, 
a qual pode recair sobre todas as coisas que não 
estejam fora do comércio, além de serem dotadas 
da possibilidade de apropriação e de serem legal-
mente alienáveis, conforme acima já aludido.
1.3. Conseqüências jurídicas: existe o dever atri-
buído ao vendedor de efetuar a entrega da coisa, 
acrescida de todos os seus acessórios. Tal entrega, 
no entanto, implica não somente a tradição da coisa 
vendida, como também o domínio do bem, inclusi-
ve com a competente conservação do mesmo até 
a data de sua efetiva entrega. Importante ressalva 
deve ser feita no tocante a esta entrega, acompa-
nhada do respectivo pagamento do preço ajustado. 
Nesse sentido, caso o pagamento seja estipulado 
a prazo e, antes dele, ocorrer a insolvência do 
adquirente da mercadoria, o vendedor pode não 
efetuar a entrega do bem, até que seu preço seja 
devidamente quitado. Cabe ainda ao vendedor, por 
conta de eventuais transtornos sofridos, exigir que 
o adquirente preste caução do bem, como forma de 
garantia do contrato anteriormente fi rmado.
A legislação impõe ao vendedor o dever de garantia 
em relação ao produto (coisa, bem), fornecido ao 
adquirente, principalmente diante da existência de 
certos vícios tais como os redibitórios e os aparen-
tes. É do vendedor a responsabilidade oriunda dos 
riscos e despesas, uma vez que, até o momento 
em que se efetiva a tradição (no caso de bens mó-
veis), ou a transcrição (bens imóveis), o bem