DIREITO CIVIL III   CONTRATOS
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DIREITO CIVIL III CONTRATOS


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a termo é aquela em que a doação se dá 
com um termo fi nal ou inicial. 
6) Doação de pais a fi lhos e de um cônjuge a outro 
ocorre quando se adianta, mesmo que em parte, direitos da 
sucessão legítima.
7) Doação conjuntiva é aquela feita em comum a mais 
de uma pessoa, sendo distribuída igualmente entre os 
diversos donatários, salvo se o contrário fi cou estabele-
cido em contrato. 
2.3. Efeitos da doação: a doação não transfere, por 
si só, o domínio; faz-se necessária a tradição real para 
os móveis ou inscrição para os imóveis. A doação gera 
efeitos obrigatórios e não reais. Ela é em regra marca-
da, também, pela irrevogabilidade. Feita a doação em 
comum a mais de uma pessoa, presume-se ter o doador 
distribuído entre elas e em partes iguais a coisa doada, 
salvo se, no contrário, resultar do contrato (Código Ci-
vil, art. 551). Se forem os donatários marido e mulher, 
a lei institui uma substituição recíproca, estatuindo que, 
com a morte de um deles, não se passa o bem a seus 
herdeiros, mas subsiste, na totalidade, a doação para o 
cônjuge supérstite, como um direito de acrescer (Códi-
go Civil, parágrafo único do art. 551). Se a doação for 
feita em forma de prestação periódica ao benefi ciado 
(Código Civil, art. 545), constituirá em obrigação que se 
extingue com a morte do benefi ciário ou com a morte do 
donatário. Os herdeiros do doador não são obrigados a 
mantê-la, salvo se o contrário se dispuser. Na falta de 
tal estipulação, considera-se nova doação da parte dos 
sucessores, se estes deliberarem manter a liberalidade. 
O doador pode reservar para si o usufruto vitalício 
ou temporário da coisa doada. Se for universal a 
doação, não prevalecerá sem a reserva de renda. O 
usufruto poderá atingir a totalidade da coisa doada 
ou somente uma parte dela. O doador pode estipu-
lar que os bens doados voltem ao seu patrimônio, 
se o donatário morrer antes dele (Código Civil, art. 
547). Essa cláusula de reversão não pode ser pre-
sumida e não pode ser determinada em benefício 
de outra pessoa. O doador não é sujeito a juros mo-
ratórios e não responde pela evicção ou pelo vício 
redibitório, salvo se tiver expressamente assumido 
os riscos ou, em caso de evicção, a doação tiver 
sido efetivada para casamento com certa e deter-
minada pessoa, (Código Civil, art. 552). Exceção a 
esse último comentário, é disposição contratual em 
sentido diverso. Não deixa de constituir liberalidade 
a doação remuneratória ou a modal naquilo em que 
o valor da coisa doada exceder o valor dos serviços 
remunerados ou o encargo imposto e, como tal, tem 
de ser tratada.
2.4. Invalidade da doação: é nula a doação por 
incapacidade absoluta do doador, por ilicitude ou 
impossibilidade absoluta de objeto, por desobedi-
ência à forma prescrita (instrumento público, para 
os imóveis de valor superior ao equivalente a 30 
salários mínimos; instrumento público ou particular, 
para os móveis; tradição imediata, para as doações 
verbais de pequeno porte). Também é nula a doa-
ção universal sem a reserva de usufruto ou renda 
sufi ciente para a subsistência do doador. Não pode-
rá o doador sublimar a garantia patrimonial devida 
aos seus credores. A lei impõe que o doador res-
guarde as legítimas de seus herdeiros necessários 
(descendentes, ascendentes, cônjuge). Como por 
ato de última vontade não é possível dispor senão 
de metade da herança (Código Civil, art. 1.789), a 
doação não poderá ultrapassar a meação disponí-
vel. A doação feita pelo cônjuge adúltero ao cúm-
plice é anulável. A legitimidade para anular o ato é 
do cônjuge prejudicado ou seus herdeiros necessá-
rios, até dois anos depois de dissolvida a sociedade 
conjugal (Código Civil, art. 550).
2.5. Revogação da doação: como todo negócio 
jurídico, a doação é nula por falta dos pressupos-
tos legais essenciais e é anulável por defeito de 
vontade ou por defeito social. Como todo negócio 
jurídico, a doação resolve-se por uma causa super-
veniente e determinante de sua cessação. 
 A lei se refere às causas específi cas, que são a 
ingratidão do donatário e o descumprimento de en-
cargo. Em qualquer desses casos, não quer a esta-
bilidade econômica manter em estado de pendência 
indefi nida a possibilidade de desfazimento do ato e, 
por isso, fi xa um prazo de decadência ânuo, a con-
tar de quando chegue ao conhecimento do doador 
o fato que a autorizar e de ter sido o donatário o seu 
autor (art. 559). Os dois requisitos para o início da 
contagem do prazo são cumulativos. Se o doador 
tem ciência do fato, mas desconhece a autoria, o 
prazo somente começa a fl uir a partir do momento 
do conhecimento também da autoria do fato pelo 
donatário.
 Não permite a qualquer, mesmo que tenha inte-
resse imediato, promover a revogação, senão ao 
próprio doador, que só ele tem a legitimação res-
pectiva. A ação somente pode ser iniciada contra 
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o donatário, em pessoa. Se, porém, qualquer das 
partes falecer após a propositura da ação (Código 
Civil, art. 560), esta poderá continuar com os her-
deiros do doador contra o donatário, ou com o pri-
meiro contra os herdeiros do segundo, ou com os 
sucessores de um contra os do outro. É, portanto, 
personalíssima, em nosso direito, a faculdade de 
pedir a revogação, ao contrário de outros sistemas.
Em seguimento, desdobrando-os nos dois itens 
seguintes, veremos em que consiste o descumpri-
mento do encargo e a ingratidão.
a) Revogação por descumprimento do encargo: 
pode o doador estipular encargo ao donatário para 
com ele próprio, para com terceiro ou no interesse 
geral. E o donatário, pelo fato de só aceitar a libera-
lidade, obriga-se ao seu cumprimento. A obrigação 
resultante do encargo imposto e aceito é juridica-
mente exigível pelo próprio doador, bem como pelo 
terceiro benefi ciário ou pelo órgão do Ministério Pú-
blico no caso de ser de interesse geral.
Não se contentando a lei com esta sanção, creden-
cia ainda o doador com a faculdade personalíssima 
de promover, por ação própria, a revogação da li-
beralidade, com fundamento no inadimplemento 
do benefi ciário. Para tanto, é mister que seja o 
donatário constituído em mora, mediante interpela-
ção. Sua situação equivale à de um contratante em 
inadimplemento culposo, que gera uma condição 
resolutiva tácita, equiparável ao que acontece com 
os demais contratos. A doação modal, sem perder 
a natureza própria de liberalidade, aproxima-se dos 
contratos bilateriais (Código Civil, art. 555). 
b) Ingratidão do donatário: pode o doador revo-
gar a doação por ingratidão do donatário, tomada a 
expressão não no seu sentido vulgar, mas em acep-
ção técnica, compreensiva de fatos que traduzam 
atentado do favorecido contra a integridade física 
ou moral do doador. Ao contrário do direito alemão, 
em que a ingratidão consiste em falta grave gene-
ricamente considerada e praticada pelo donatário 
contra o doador ou seus parentes mais próximos, 
no nosso, a lei enumera taxativamente as hipóteses 
- numerus clausus. Tem, pois, esta revogação cará-
ter de pena, e somente cabe nos expressos termos 
da defi nição legal (Código Civil, arts. 557 e 558). 
Os casos especifi cados na norma são os seguintes:
I) Atentado contra a vida do doador, seu cônjuge, 
ascendente, descendente, ainda que adotivo, ou ir-
mão, ou cometimento de crime de homicídio doloso 
contra eles. Somente a tentativa ou a consumação 
de homicídio doloso o caracteriza, porque a au-
sência da intenção no delito culposo exclui aquela 
deplorável insensibilidade moral que a lei civil quer 
punir. Também não se compreende a falta de cuida-
dos e de assistência. Por outro lado, a absolvição 
do acusado no juízo criminal, por qualquer das es-
cusativas de criminalidade, apagando o delito, ilide 
a ação revocatória, que não poderá mais vingar.
O art. 561 do Código atribui aos herdeiros do doador 
a legitimidade para a ação de revogação, excluindo