diagnosticopsicopedagogico 140501140434 phpapp02
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DisciplinaDiagnóstico e Intervenção em Psicolo43 materiais171 seguidores
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a dificuldade escolar em segundo plano. 
No caso de Tales (10 anos, 4ª série) a procura do diagnóstico se deu no final 
do ano, após o fracasso nas provas de seleção para o ingresso em um novo colégio, 
embora já estivesse aprovado para a série que cursaria no atual colégio. No final da 
primeira entrevista ficou claro que a queixa não era escolar. Dizia a mãe: \u201cEle sempre foi 
resistente, emburrando quando não se fazia o que ele queria, tinha crises de violência, 
perdia o fôlego, ninguém agüentava mais ele\u201d. E o pai acrescentou: \u201cVocê lembra 
daquele dia em Cabo Frio em que ele ficou dois dias sem falar porque eu não deixei ele ir 
ao boliche? Realmente ele às vezes é irritante, e às vezes é tão doce e amigo\u201d. No 
momento inicial de colocação da queixa foi dito: \u201cAcho que ele está como dificuldades em 
Português, parece que a escola não exigiu muito dele por achar que ele tem dificuldades; 
em matemática está melhor. Queremos que você veja como anda o pedagógico dele 
para nos situarmos para o próximo ano\u201d. 
No caso do contato inicial ser só com os pais, às vezes realizo várias sessões 
para que fiquem bem claras, para eles e para mim, as relações de cada um e de todos 
com a dificuldade de aprendizagem que estão trazendo. Estas entrevistas vão se 
transformando na própria anamnese. Neste ponto, vou estruturando as sessões com 
Anderle, Salete Santos, Psicopedagoga- Clínica, Institucional Pedagoga (UCS/RS), Alfabetizadora 
(UCS/RS) Mestrado em Psicopedagogia UNISUL/SC contatos salete_anderle@hotmail.com fone 54 
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ambos os pais ou, no caso de pais separados, às vezes com cada um separadamente ou 
junto com seu novo companheiro. 
Na maioria dos casos, inicio o trabalho com uma entrevista conjunta com os 
pais e o paciente. Essa atividade, que depois de muita experiência, denominei \u201cEntrevista 
Familiar Exploratória Situacinal\u201d \u2013 EFES. (Weiss, 1987), será desenvolvida no próximo 
capítulo. Nesta entrevista é explicada de forma mais profunda a queixa. 
No atendimento de jovens adultos e adolescentes, a entrevista pode ser 
marcada por eles mesmos e neste momento já apresentam a queixa elaborada por eles. 
É comum trazerem suas hipóteses sobre as dificuldades escolares. Jorge, 23 anos, 
técnico em som, assim se expressou ao nos procurar em uma clínica comunitária: \u201cEu 
vim procurar vocês por que estou pensando em voltar a estudar, mas tenho medo de não 
sair do lugar de novo. Eu parei na 7ª série, às vezes acho que sou \u201cburro\u201d. Naquele 
tempo eu não entendia nada na escola. Acho que só minha irmã era inteligente. Às vezes 
fico pensando se era isso que me atrapalhava, todo mundo só dava \u201ccartaz\u201d para ela. O 
que você acha?\u201d 
Quando a relação construída entre o paciente, os pais e o terapeuta são de 
confiança, a expressão dos sentimentos da família é mais fácil, e assim consegue-se a 
expressão da queixa mais detalhada. É a partir destas falas que levantamos as primeiras 
hipóteses. Analisando o que é dito vamos perceber se existirá um entrave na 
aprendizagem ou se o paciente aprende, mas se ocorre obstrução, impedimento na hora 
que ele necessita mostrar, revelar o que já sabe, o que já aprendeu, como no caso de 
exercícios, testes e provas. 
Se a queixa aponta para a dificuldade em mostrar, de revelar o conhecimento 
já adquirido, este entrave pode estar ligado com a história do paciente e de sua família ou 
relacionado a situações escolares definidas. 
Nesse caso, é comum encontrar grande exigência e cobrança por parte dos 
pais, falta de espaço na família para que a criança aprenda a expressar o que sente ou 
pensa sobre os fatos, objetos e pessoas, o reforço para ocupar e permanecer no lugar da 
pessoa que não se expressa, isto é, daquele que é falado pelos outros. Todos estes 
aspectos, obviamente, devem ser aprofundados. 
No segundo caso, é importante ainda fazerem-se alguns questionamentos 
sobre os vínculos formados com os professores, objetos e diferentes situações escolares. 
Por exemplo, o mau relacionamento com um professor pode ser o fato bloqueador. Assim 
me dizia Davi (12anos, 5 série): \u201cdepois que eu fiquei com aquela professora na 3ª série, 
fiquei \u201centupido\u201d, antes eu era bom na sala, mas ela não gostava de mim e eu também 
não gostava dela, brigava muito\u201d. 
Outros aspectos a serem vistos são ligados a metodologia de ensino, às 
formas de avaliação, à metodologia de alfabetização, à transferências de turma e escola 
quando mal conduzidas. 
Em síntese, é fundamental, durante a explicação da queixa, iniciar-se a 
reflexão sobre duas vertentes de problemas escolares: o sujeito e sua família e a própria 
escola em suas múltiplas facetas, para se definir a seqüência diagnóstica bem como as 
técnicas a serem utilizadas. 
Sintetizando 
Primeiro contato telefônico \u2013 queixa \u2013 hipóteses \u2013 primeira sessão 
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ANEXO 2 
Teste de Audibilização 
Adaptado de: GOLBERG, Clarissa S. A Evolução Psicolingüística e suas 
Implicações na alfabetização. 
1. Discriminação Fonética 
Consigna: \u201cVou dizer duas sílabas e você me dirá se elas são iguais ou diferentes\u201d. 
- 24 pares de sílabas para serem distinguidos pela criança se iguais ou diferentes 
- Anotar cada par errado 
 
PARTE I 
1- pa / pa ( ) 9- ga / ca ( ) 17- za / za ( ) 
2- pa / ba ( ) 10- ca / ca ( ) 18- za / sa ( ) 
3- bo / pó ( ) 11- fa / fa ( ) 19- chu / zu ( ) 
4- bo / bo ( ) 12- fa / va ( ) 20- chu / chu ( ) 
5- te / te ( ) 13- ve / ve ( ) 21- go /go ( ) 
6- te / de ( ) 14- fe / ve ( ) 22- go / co ( ) 
7- do / do ( ) 15- si / zi ( ) 23- je / je ( ) 
8- do / to ( ) 16- si / si ( ) 24- je / che ( ) 
 
2. Memória 
- Memória de frases 
Consigna: \u201cEu vou dizer uma frase e gostaria que você a repetisse, pode repetir o que 
você lembrar, eu direi uma vez somente, por isso preste atenção\u201d. 
 
PARTE II \u2013 MEMÓRIA 
PARTE II A 
1- Lúcia faz bolo para a mãe. _______________________________________________ 
2- O animal feroz caiu no buraco. ____________________________________________ 
3- A linda menina faz as tarefas de casa. ______________________________________ 
4- No almoço comi arroz, feijão, pão e guisadinho. _______________________________ 
5- Um pequeno cachorrinho entrou no pátio de minha casa. ________________________ 
6- Pedro e seu irmão sobem no ônibus que vai para a escola. ______________________ 
- Memória de Dígitos 
Consigna: \u201cAgora eu direi alguns números e gostaria que você, como fez com as frases, 
me repetisse\u201d. 
- Conjunto de dígitos para a criança repetir. Anotar a ordem que foi dita pela criança. 
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PARTE II B 
1) 3-8-6 ______________ 
2) 2-7-5 ______________ 
3) 9-0-4 ______________ 
4) 7-3-2 ______________ 
5) 3-4-1-7 _____________ 
6) 6-1-5-8 _____________ 
7) 7-2-0-9 _____________ 
8) 1-5-8-6 _____________ 
9) 9-4-7-3-1 ___________ 
10) 8-4-2-3-9 ___________ 
11) 5-2-1-8-3 ___________ 
12) 7-0-4-9-6 ___________ 
 
- Memória de Relatos 
Consigna: \u201cEu vou contar algumas histórias bem pequenas e gostaria que você repetisse, 
se possível usando as mesmas palavras\u201d. 
- 3-4-5-6 fatos que a criança deve repetir, anotar os relatos. 
 
PARTE II C 
a) Relato com três fatos 
1- Ontem era domingo. ____________________________________________________