diagnosticopsicopedagogico 140501140434 phpapp02
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DisciplinaDiagnóstico e Intervenção em Psicolo43 materiais171 seguidores
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diante desta situação não é apenas da 
família, mas também da terapeuta, e deve ser repensada pelo terapeuta em sua própria 
supervisão. 
Procuro organizar os dados sobre o paciente em 3 grande áreas: 
- Pedagógica; 
- Cognitiva; 
- Afetivo-Social. 
A partir daí, ir selecionando o que usar no diálogo, qual a ordem em que falarei, 
e quais pontos darei mais ênfase, quais os pontos que, neste momento, ainda precisarei 
complementar. Tenho assim um relatório anotado com o que considero essencial, e que 
modifico em função das ocorrências do momento. 
Inicio sempre a entrevista recordando a queixa inicial: 
\u201cVocê lembra por que a escola pediu para você vir conversar comigo?\u201d. 
Ou: 
\u201cVocês estão lembrados do que me disseram sobre as questões que a escola 
levantou?\u201d. 
A seguir, faço uma síntese dos procedimentos adotados ou peço ao paciente 
que relembre o que fez durante as sessões: 
\u201cVocê lembra as coisas que fez aqui comigo?\u201d. 
É comum responderem: 
\u201cSei sim, brinquei, você jogou comigo, desenhei, fiz aquele negócio de quebra-
cabeça e código secreto (WISC), li, escrevi...\u201d. 
Ou: 
\u201cFiz àqueles desafios (provas do operatório formal, testes, redação...)\u201d. 
Quando sou eu a relembrar para os pais digo: 
\u201cProcurei verificar aspectos pedagógicos: leitura, escrita, o raciocínio 
matemático, etc, como pensa e resolve questões nos testes, como se sente como 
pessoa, quais as ligações da sua afetividade com a produção intelectual...\u201d. 
Após este momento, toco nos aspectos mais positivos do paciente, nos 
aspectos que levam a valorização do que faz melhor, nas relações destes pontos com a 
perspectiva de melhoria escolar ou de seu futuro em geral. Este momento é importante 
para a reformulação da auto-estima e de avaliações distorcidas feitas pelos pais. 
\u201cVocê faz um desenho excelente\u201d. 
\u201cVocê tem grande criatividade para elaborar histórias\u201d. 
\u201cO Raciocínio matemático que você me mostrou é muito bom\u201d. 
\u201cVocê respondeu a desafios muito acima de sua idade\u201d. 
Anderle, Salete Santos, Psicopedagoga- Clínica, Institucional Pedagoga (UCS/RS), Alfabetizadora 
(UCS/RS) Mestrado em Psicopedagogia UNISUL/SC contatos salete_anderle@hotmail.com fone 54 
32114257 
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\u201cVocê não tem nenhum problema intelectual, fez bem todas as questões que 
indicavam o funcionamento de sua inteligência; parece-me que você pode escolher 
qualquer profissão...\u201d. 
Em diferentes perspectivas teóricas da psicóloga é estudado o problema do 
baixo autoconceito, da baixa auto-estima como elemento bloqueador no movimento dos 
indivíduos em busca de novas condutas e de novas conquistas. 
O importante é localizar de onde vem este sentimento através das entrevistas 
de análise projetivas em geral e no momento da devolução, tocar neste aspecto tentando 
produzir um inicio de movimento. 
Continuando a entrevista, analiso os aspectos que estão realmente causando a 
problemática na aprendizagem ou apenas na produção escolar. 
Finalizo fazendo as recomendações e indicações necessárias. As 
recomendações referem-se aos âmbitos familiares e escolares: troca de turma ou de 
escola, mudança na forma de a família comportar-se em relação ao paciente, como a 
professora poderia agir em síntese, ou uma orientação geral. 
As Indicações referem-se aos atendimentos que se fazem necessários: 
psicopedagógicos, psicoterápicos, fonoaudiológicos, terapêutico-familiares, aulas 
particulares, etc. É importante explicar em que consiste o atendimento proposto: quais as 
suas características, atividades a serem desenvolvidas, sua freqüência habitual e a 
relação com a problemática encontrada. 
A dificuldade de devolução não está apenas num relato organizado resultante 
do processo diagnóstico, mas principalmente na mobilização emocional que deflagra aos 
pais, o que já vem acontecendo desde a análise. Assim, é comum encontrarmos estes 
fatos na polarização feita entre causas orgânicas e causas emocionais. Recordo o pranto 
comovente de um pai médico que me disse: 
\u201cAgora não adianta mais negar, tenho que aceitar que houve alguma coisa 
neste parto com sofrimento que alterou minha filha...\u201d. 
E de uma mãe que negava qualquer possibilidade de uma etiologia 
exclusivamente emocional oriunda da dinâmica familiar e que me dizia: 
\u201cVocê me desculpe, mas vou levá-la num neurologista por que ela só pode ter 
uma coisa física, pois nós fazemos tudo por ela, lá em casa não há problemas\u201d. 
A mobilização não é apenas da família, é também da terapeuta. É preciso que 
este passe com carinho o interesse em fazer deste momento a revisão do caminho 
percorrido. 
Algumas vezes, após grande mobilização com a devolução, os pais começam 
a trazer fatos novos que ajudam a esclarecer pontos que permaneciam obscuros. 
Cid, 8 anos, sempre desenhava uma pessoa deitada na cama, fato para o qual 
aparentemente não havia explicação em sua história de vida, contada pelos pais, e que 
eles próprios não conseguiam esclarecer. Soube, nos minutos finais da entrevista de 
evolução, já com os pais se levantando para sair: 
\u201cVou dizer uma coisa para a senhora: eu sou alcoólatra, fico às vezes arriado 
na cama dia e noite\u201d. 
Anderle, Salete Santos, Psicopedagoga- Clínica, Institucional Pedagoga (UCS/RS), Alfabetizadora 
(UCS/RS) Mestrado em Psicopedagogia UNISUL/SC contatos salete_anderle@hotmail.com fone 54 
32114257 
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Voltamos a conversar sobre os sentimentos e preocupações de Cid expressos 
através das provas projetivas. Foi a circulação de afeto que possibilitou esse novo 
momento de abertura. 
Algumas vezes tive que lidar com faltas sucessivas dos pais à entrevista de 
devolução. Percebi que estes desejavam adiar ao máximo este momento, pois estava 
difícil lidar com os objetos persecutórios desta situação ligados ao negativo do 
diagnóstico e do prognóstico. É preciso dar a eles o tempo de que necessitam para 
diminuir seu medo de ouvir e também ampliar ao máximo a atitude afetiva de 
acolhimento, de compreensão por parte do terapeuta. 
A inexperiência do terapeuta pode, algumas vezes, precipitar o momento da 
devolução ou mesmo condensar demais as informações de modo que não haja tempo 
para uma elaboração \u2013 tanto quanto possível \u2013 tranqüila por parte dos pais. Em algumas 
situações faço várias sessões de devolução e discussão do encaminhamento. 
A construção da devolução com os pais e o paciente é fundamental na 
aceitação das indicações, quando são necessárias. Deve-se evitar a quebra de 
continuidade do atendimento, pois no final do diagnóstico é a porta de entrada de um 
atendimento que se inicia com o mesmo terapeuta ou com outro. O importante é que a 
mobilização ocorrida não desapareça, mas seja o \u201cgancho\u201d para começar uma nova faze. 
Afeto e conhecimento ficam intimamente ligados. 
Outra questão é a das diferentes formas de se fazer a devolução: 
No consultório 
\u2022 Inicialmente só o paciente e depois os pais: comumente ocorre com os 
adolescentes que desejam discutir seu próprio caso sozinhos e depois se conversa com 
os pais. 
\u2022 Inicialmente só o paciente e depois novamente o paciente junto com os 
pais. 
\u2022 A entrevista transcorre desde o inicio com o paciente e seus pais. 
\u2022 No caso de pais separados, as situações variam de acordo com o nível de 
entendimento ou conflito deles e a existência ou não de novos companheiros que 
estejam envolvidos com o paciente. 
 
Na escola 
\u2022 Somente com o elemento da equipe escolar. 
\u2022 Com o paciente e o elemento da equipe escolar. 
\u2022 Com o paciente, seus pais e o elemento da equipe escolar. 
\u2022 Com os pais e o elemento da equipe escolar. 
A escolha da forma mais adequada é pensada a partir das relações que 
percebo de aceitação ou negação por parte dos pais e das formulações feitas pela 
escola. 
Procuro sempre fazer a devolução para os pais juntos, evitando a situação, 
muito freqüente, em que \u201cproblemas escolares são com a mãe e o pagamento