JULGADO REPRESENTANTE COMERCIAL - VINCULO TRABALHISTA
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JULGADO REPRESENTANTE COMERCIAL - VINCULO TRABALHISTA


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da CNO, mas outras dependiam do auxílio dela;"
"QUE o valor do salário era referente apenas ao fato das consultoras estarem ativa ou não,o volume de vendas da consultora não importa na remuneração, mas tão somente para tornar ativa a consultora; QUE a depoente CNO não presta nenhum relatório para natura; QUE se não fizesse nenhuma venda era advertido pela gerente, para que cumprisse as metas ; QUE eventualmente se mais de 50% das CN não ficassem ativas e se não trouxesse novas consultoras poderia ser desligada da natura; QUE a Sra. Dalza de Afogados foi desligada por não atingir as metas;QUE a Sra. Dalza ficou 6 meses sem atingir a meta; QUE ela depoente a cada 21 dias tinha reunião de CNO; QUE havia treinamentos a cada 10/15dias; QUE se não fossem aos treinamentos seriam chamadas atenção; QUE havia pouco contato por telefone; QUE o contato era pessoal nos encontros e cursos; QUE nas reuniões era mostrado a atividade de todas as CNO's; QUE a CNO possui login e senha específica no sistema da natura; QUE no sistema tinha acompanhamento de todas as atividades da CNO; QUE a natura possuía acesso a esses dados; QUE nos encontros recebia da gerente rotinas e orientações do próximo ciclo de 21 dias; QUE duas vezes por ano há eventos CNO fora do estado arcados o deslocamento pela própria reclamada; QUE há prêmios por bater metas em datas específicas como natal, dia dos pais; QUE não a CNO não pode ser substituída;QUE as gerentes tinha como trabalho apenas coordenar o trabalho das CNO; QUE aquilo que relatou acima também se aplica para reclamante; QUE não pode vender produtos de outras marcas;"
"QUE recebiam um kit CNO todo ciclo de 21 dias com produtos que poderiam ser vendidos para auxiliar na atividade da CNO, como deslocamento e pagamento de telefone; QUE o kit tinha como valor aproximadamente R$ 90,00;" (grifei)
Ressalte-se, quanto à subordinação jurídica, que ela decorre da própria contratação. Não se pode dizer que, havendo pessoalidade e onerosidade na prestação de serviços, a Acionante pudesse executar as tarefas ao seu alvitre. Sua atuação profissional é dependente da necessidade e do comando da Acionada. O depoimento acima transcrito corrobora a ideia de que a subordinação jurídica estava presente, inclusive por meio da aplicação de penalidades (exclusão da Consultora).
Outrossim, a fixação de metas torna induvidosa a interferência empresarial direta sobre as atividades desenvolvidas, própria do poder diretivo do empregador.
Deve ser sopesado, também, que o próprio Contrato de Prestação de Serviços Atípicos conduz à ilação de que há violação da legislação trabalhista pela Sociedade Empresária para a contratação de empregados. A pessoalidade encontra-se manifesta no § 2.º, da cláusula décima, do referido instrumento, segundo o qual (fl. 18):
"Não será permitida a contratação e/ou sub-contratação de terceiros para a execução dos Serviços. A contratação e/ou sub-contratação de terceiros pelo(a) Contratado(a) será entendido(a) como hipótese a ensejar rescisão automática deste CONTRATO, podendo a Natura suspender os pagamentos devidos em função do disposto na Cláusula 7ª acima até que sejam apuradas eventuais prejuízos causados à Naturaem função de tal contratação e/ou sub-contratação"
Ademais, este Regional tem reconhecido o vínculo empregatício em situações idênticas, envolvendo a Natura Cosméticos S/A:
"DIREITO DO TRABALHO. RECURSO ORDINÁRIO DA RÉ. CONSULTORA NATURA ORIENTADORA (CNO). VÍNCULO DE EMPREGO X TRABALHO AUTÔNOMO.De acordo com os artigos 2º e 3º da CLT, o vínculo empregatício se configura sempre que um indivíduo, pessoalmente, de forma subordinada e mediante salário, presta serviços de natureza não eventual em benefício de outrem, que assume os riscos da atividade econômica. Uma vez admitida à prestação de serviços na condição de Consultora de Vendas da Natura, cabia à reclamada o onus probandi, quanto ao fato impeditivo asseverado na defesa, nos moldes do artigo 373, II, do NCPC, ônus do qual se desvencilhou de forma satisfatória. Recurso Ordinário provido." (Processo: RO - 0000636-36.2015.5.06.0102, Redator: Sergio Torres Teixeira, Data de julgamento: 03/05/2017, Primeira Turma, Data da assinatura: 09/05/2017)
"EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. REQUISITOS CONFIGURADORES. ÔNUS DA PROVA.Ao argüir a prática de relação de trabalho diversa do liame empregatício invocado pela autora, a parte demandada assume o ônus de provar sua alegação, em consonância com os artigos 818 da CLT e 373, II, do NCPC. Evidenciada a ausência dos respectivos pressupostos caracterizadores, previstos no artigo 3º da CLT, conclui-se pelo não reconhecimento do vínculo de emprego. Apelo da ré provido." (Processo: RO - 0000719-43.2015.5.06.0008, Redator: Maria Clara Saboya Albuquerque Bernardino, Data de julgamento: 27/03/2017, Terceira Turma, Data da assinatura: 29/03/2017)
"RECURSO ORDINÁRIO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. REQUISITOS EXIGIDOS NO ARTIGO 3º DA CLT. COMPROVAÇÃO.Uma vez tendo a reclamada admitido a prestação de serviços, no entanto, sem os requisitos exigidos no artigo 3º da CLT, atraiu para si o ônus de comprovar a atividade em forma não regida por contrato de trabalho, mercê do artigo 818 da CLT, combinado com o artigo 373, II, do CPC/2015. Recurso a que se nega provimento." (Processo: RO - 0000962-62.2015.5.06.0371, Redator: Nise Pedroso Lins de Sousa, Data de julgamento: 26/10/2016, Quarta Turma, Data da assinatura: 28/10/2016)
"EMENTA: CONTRATO DE EMPREGO. Evidenciada a conjunção dos elementos configuradores do contrato de emprego, nos moldes do artigo 3º da CLT, há de ser confirmada a sentença que declarou a existência de vínculo empregatício entre as litigantes." (Processo: RO - 0011656-27.2014.5.06.0371, Redator: Ivanildo da Cunha Andrade, Data de julgamento: 27/04/2016, Segunda Turma, Data da assinatura: 29/04/2016)
"EMENTA: VÍNCULO DE EMPREGO. CONFIGURAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. CONSULTORA ORIENTADORA DA NATURA. LIBERDADE NA ORIENTAÇÃO E EXECUÇÃO DOS SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DE MERA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. APELO NÃO PROVIDO.Do conjunto probatório, extrai-se a convicção de que a autora trabalhava, de fato, com subordinação jurídica, pessoalidade, não-eventualidade e onerosidade. Isso porque o contrato de prestação de serviços atípico, mencionado pela recorrente, veda, à Consultora Natura Orientadora - CNO, que contrate ou subcontrate terceiros para a execução dos serviços, revelando a pessoalidade no desempenho dos misteres da reclamante. No tocante à subordinação jurídica, verifica-se a imposição de metas pela empresa, e sua fiscalização por meio de empregada da ré. Logo, inexiste equívoco na aplicação do direito pelo juízo de origem." (Processo: RO - 0011654-57.2014.5.06.0371, Redator: Gilvanildo de Araujo Lima, Data de julgamento: 20/04/2016, Segunda Turma, Data da assinatura: 22/04/2016)
Nesse contexto, dou provimento ao Apelo para, reformando a Sentença de Primeira Instância, acolher o pedido de reconhecimento de vínculo empregatício entre a Reclamante e a Reclamada, no período de 10.09.2010 a 23.08.2016, devendo esta última proceder à anotação do contrato de trabalho na CTPS da Obreira, no prazo de 15 dias após o trânsito em julgado, sob pena de pagar multa diária por descumprimento da obrigação de fazer (artigo 139, IV e 536, §1º, do NCPC), no valor de 1/30 da média de remuneração mensal da Autora até a data do cumprimento. Deve a Reclamada ser intimada para tal fim nos moldes delineados no art. 29, caput da CLT.
Faz jus, portanto, a Reclamante ao recebimento do aviso prévio, gratificações natalinas, férias + 1/3, FGTS + 40%, referentes a todo o contrato de trabalho e indenização do seguro-desemprego nos termos da diretriz da Súmula n. 389 do C. TST, conforme se apurar em liquidação.
Defiro a multa do art. 477, §8º, da CLT. O Tribunal Superior do Trabalho já pacificou o entendimento no sentido de incidir essa penalidade ainda que a relação empregatícia tenha sido reconhecida em juízo, por meio da recém editada Súmula n.º 462, corrente a qual me