JULGADO REPRESENTANTE COMERCIAL - VINCULO TRABALHISTA
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JULGADO REPRESENTANTE COMERCIAL - VINCULO TRABALHISTA


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filio, cujo teor merece transcrição:
"multa do art. 477, § 8º, da clt. incidência. reconhecimento JUDICIAL DA RELAÇÃO DE EMPREGO (Republicada em razão de erro material) - DEJT divulgado em 30.06.2016. A circunstância de a relação de emprego ter sido reconhecida apenas em juízo não tem o condão de afastar a incidência da multa prevista no art. 477, §8º, da CLT. A referida multa não será devida apenas quando, comprovadamente, o empregado der causa à mora no pagamento das verbas rescisórias."
Não há que se deferir, entretanto, a multa do art. 467 da CLT, diante da controvérsia instaurada.
Rechaço os pedidos de diferença salarial e indenização por danos morais porquanto sequer foram deduzidas causas de pedir na exordial, tampouco foi produzida qualquer prova, seja documental ou testemunhal, nestes pontos.
Indefiro, igualmente, os pleitos participação nos lucros e resultados e indenização pela não concessão do plano de saúde, em face da ausência de norma legal ou coletiva que autorize a condenação.
Benefício da justiça gratuita já deferido na Sentença.
Provimento parcial.
Pedidos relacionados à jornada de trabalho
Alegou a Reclamante na petição inicial que "sempre laborou das Segunda a Sábado das 07h as 19h, sem intervalo, laborando após esse horário em regime de sobreaviso até as 23h recebendo ligações e cobranças da GR Genâmia e da central, e nos domingos e feriados também em regime de sobreaviso, sendo que trabalhava em casa no sistema da reclamada e recebendo ligações a todo instante até as 18h, ressalvando que a GR Genâmia controlava o horário bem como determinava a relação dos clientes a serem atendidos, o tempo de atendimento, bem como sabia se a reclamante deixasse de atender algum cliente ou se o mesmo não pretendia comprar, tendo total e pleno controle da jornada da obreira, haja vista que poderia sofrer punições por deixar de atender algum cliente. Além disso, por exigência da Reclamada, o obreiro deveria repassar até o final do dia, os pedidos captados e não repassados. Por mais das vezes, por não possuir tempo durante o dia, em virtude das visitas, utilizava-se, pois, do horário de descanso, para cumprir tal condição."
A Reclamada contestou o pedido em face da ausência de vínculo de emprego, e, sucessivamente, diante da condição externa do serviço - art. 62, I da CLT.
Diante do reconhecimento do vínculo de trabalho, importa registrar que em face da tese remanescente ofertada pela Demandada, no sentido de que a Demandante exercia atividade externa, não se submetendo a qualquer tipo de controle de jornada, nos termos do art. 62, I da CLT, esta atraiu para si o ônus probatório, nos termos dos arts. 818 da CLT e 373, II, do NCPC. E de tal encargo conseguiu desincumbir-se a contento, até porque a contraprova produzida pela própria Empregada contribuiu para dar veracidade às alegações da Parte adversa.
É cediço que o trabalho externo encontra-se caracterizado pela circunstância de o empregado estar sempre fora do alcance da fiscalização e do controle de seu empregador, não sendo possível se conhecer o real tempo gasto pelo trabalhador, no desempenho regular de suas atividades, hipótese que afastaria o direito à percepção de horas extras.
A atividade externa incompatível com a fixação de horário é toda aquela exercida fora do controle da duração do trabalho e que, pela sua natureza, pode ser executada de diversas maneiras, ou seja, sua duração varia conforme o desempenho e as características pessoais do trabalhador.
Ressalte-se que a lei dispõe sobre a atividade externa incompatível com a fixação de horário de trabalho, existindo, neste conceito legal, o elemento subjetivo do exercício deste tipo de labor. Aliás, outro aspecto importante diz respeito ao controle de jornada quando a labuta ocorre predominantemente fora da sociedade empresária: quais os elementos e o grau de eficácia para que haja fiscalização dessas tarefas.
No caso, a realidade fática que se extrai do conjunto probatório leva à conclusão de que as atividades desenvolvidas pela Reclamante eram eminentemente externas e sem controle ou fiscalização por parte da Reclamada. Ou seja, pode-se inferir que a Obreira era "dona" do seu horário de trabalho, inclusive quanto ao tempo destinado para repouso e alimentação.
Observe-se que os elementos imputados pela Trabalhadora como destinados à fiscalização da jornada, não restaram demonstrados, notadamente diante do depoimento prestado pela testemunha de sua iniciativa (ata de fls. 349/350):
"QUE nenhuma pessoa da empresa determinou que a depoente trabalhasse em uma dada jornada; QUE eram passadas tarefas de atividades e para realização dessas tarefas e atividades era possível concretizá-las no horário em que a CNO desejasse, (...)"
"QUE havia pouco contato por telefone; QUE o contato era pessoal nos encontros e cursos;"
"QUE ela depoente a cada 21 dias tinha reunião de CNO; QUE havia treinamentos a cada 10/15 dias;"
Dessa forma, restando indiscutível o labor externo e não havendo prova da existência de efetivos meios de controle da jornada por parte da Reclamada, recai o enquadramento da Autora na exceção prevista no artigo 62, I, da Consolidação das Leis do Trabalho.
Nego provimento.
Indenização do PIS
Postula a Reclamante o pagamento da indenização do PIS, diante da falta de registro do seu contrato de trabalho.
Procede o pedido.
O Programa de Integração Social foi instituído pela Lei Complementar nº 7/70. Mediante essa norma, o Empregador se obriga a cadastrar o empregado e a efetuar os recolhimentos mensais ao programa, sob pena de ressarcir o prejuízo pelo descumprimento de obrigação de fazer, pagando ao Empregado indenização correspondente (Súmula nº 300 do TST).
As informações a respeito dos empregados são enviadas à Caixa Econômica Federal anualmente por meio da RAIS, a fim de que os trabalhadores inseridos nas hipóteses legais façam jus ao recebimento do abono anual do PIS.
Na hipótese, restou incontroverso o vínculo de emprego, bem como o fato de que a remuneração da Autora não superava dois salários mínimos ao longo do ano.
Dessa forma, a omissão da Empregadora no cumprimento da obrigação em foco, impediu a Empregada do recebimento da referida parcela, causando-lhe inegável prejuízo. Cabível, portanto, o pagamento de indenização por perdas e danos decorrentes de ato ilícito, nos termos do art. 927, do Código Civil.
Destarte, provejo o Apelo para condenar a Parte Demandada ao pagamento de indenização substitutiva do PIS, a qual fica arbitrada em um salário mínimo por ano trabalhado e fração superior a seis meses.
Honorários advocatícios
A Autora entende devidos os honorários advocatícios de sucumbência, com fulcro no art. 22 da Lei n. 8.906/94.
Apesar de considerar que os honorários advocatícios são devidos ainda que a assistência seja particular, a teor do que estabelecem os artigos 5.º, LV, e 133 da Constituição da República, 8.º e 769 da CLT, 85 do NCPC e 4.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, submeto-me à jurisprudência consagrada nas Súmulas nº 219 e 329 do Colendo Tribunal Superior do Trabalho.
Ressalto que os honorários advocatícios atendem à ordem constitucional vigente. Não se pode falar em acesso ao Judiciário, devido processo legal e ampla defesa sem que as partes possam escolher o causídico de sua confiança. E a remuneração do advogado, nesta modalidade de ação, decorrerá da sucumbência da parte.
Todavia, não é este o entendimento predominante contido nas Súmulas supracitadas. De acordo com a redação da Súmula n.º 219 do TST, para que haja condenação em honorários, na Justiça do Trabalho, faz-se necessária a presença, de forma concomitante, das seguintes condições: a) estar a parte assistida por sindicato da categoria profissional; b) comprovação quanto à percepção de salário inferior ao dobro do mínimo legal ou de que a parte se encontra em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do próprio sustento ou da família.
Além dessa hipótese, houve recente acréscimo na Súmula n.º 219, passando a enfatizar