Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região TRT 15   RECURSO ORDINARIO TRABALHISTA   RO 00101734720155150024 0010173 47.2015.5.15
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Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região TRT 15 RECURSO ORDINARIO TRABALHISTA RO 00101734720155150024 0010173 47.2015.5.15


DisciplinaIntrodução ao Direito I88.148 materiais526.271 seguidores
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quando deu por rescindido o
contrato, em face de proposta de ganhos inferiores àqueles que recebia e piores
condições de trabalho.
A reclamada nega a existência de vínculo empregatício, aduzindo que jamais
contratou a reclamante pessoalmente, mas sim, a empresa S.M.P Representações
Comerciais Ltda, da qual ela é sócia.
Pois bem.
Como já disse Mário de La Cueva, o contrato de trabalho é um contrato
realidade. Vigora no direito laboral o principio da primazia da realidade, onde
os fatos prevalecem sobre a forma.
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RESUMO INTEIRO TEOR EMENTA PARA CITAÇÃO\uf27e
Não se desconhece que a representação comercial autônoma se avizinha - e muito
- da relação empregatícia, conforme se verifica, inclusive, da leitura da seguinte
ementa:
REPRESENTAÇÃO COMERCIAL
Representante comercial. Empregado. Vários são os pontos de contato e de
semelhança entre o contrato de trabalho e o contrato de representação comercial.
A pessoalidade, a onerosidade e a habitualidade, como regra, lhes são comuns.
Existe, também, no contrato de representação autônoma, uma certa dose de
subordinação, como a necessidade de observância de regras e critérios de
vendas, especificados no contrato e resultantes da própria lei nº 4.886/65, com
os acréscimos introduzidos pela Lei nº 8.420/92. Contudo, é diversa a
intensidade da subordinação a que se submete o empregado, sujeito direta e
estritamente ao controle e direção do empregador, que lhe traça todos os atos e
ações pertinentes. O autônomo age nos limites do contrato; decide a forma de
execução e se autodirige na disciplina de seu tempo, não estando vinculado a
horário nem à fiscalização permanente e imediata do representado." Ac.
(unânime) TRT 9ª Reg. 3ª T (RO 11115/94), Juiz Euclides Alcides Rocha, DJ/PR
29/09/95, p. 12. - Dicionário de Decisões Trabalhistas - 26ª Edição - de
B.Calheiros Bomfim, Silvério Mattos dos Santos e Cristina Kaway Stamato.
O que vai definir a existência da relação de emprego é, na verdade, a dose de
subordinação a que se submete o trabalhador e, bem assim, os riscos que assume
para desenvolver suas atividades.
No caso dos autos, é possível afirmar que - ao contrário do quanto alardeado na
defesa - a reclamante era empregada da reclamada.
Com efeito, o representante da reclamada confessou que:"a reclamada
formalizou contrato com a empresa da reclamante para a realização de vendas;
o contato do depoente era somente com a reclamante, mas ele não sabe se alguém
mais trabalhava com ela; era a própria reclamante, por intermédio do contrato
firmado, quem tinha que realizar as vendas; a reclamante tinha metas de visitas
a clientes e a incumbência de apresentar relatórios mensais de tais visitas; a
reclamante também era cobrada de valores de vendas, a título de metas; era a
própria reclamada quem suportava os gastos de viagens, hospedagem e
alimentação da reclamante para a consecução dos serviços".
Observe-se, ainda, a declaração do preposto que afirmou em seu depoimento
pessoal:
(...) que a reclamada formalizou contrato com a empresa da reclamante para a
realização de vendas; que o contrato do depoente era somente com a reclamante ,
mas ele não sabe se alguem mais trabalhava com ela; que era a própria reclamante
,por intermédio do contrato firmado, quem tinha que realizar as vendas; que a
reclamante tinha metas de visitas a clientes e a incumbência de apresentar
relatórios mensais de tais visitas; que a reclamante também era cobrada de valores
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RESUMO INTEIRO TEOR EMENTA PARA CITAÇÃO\uf27e
de vendas, a título de metas; que era a própria reclamada quem suportava os
gastos de viagens, hospedagem e alimentação da reclamante para a consecução dos
serviços; que eram marcadas reuniões mensais em Jaú, nas quais a reclamante
comparecia; caso ela deixasse de comparecer, não sofreria punição (...)
Ressalta-se, também, que o preposto afirmou que foi ele quem redigiu o e-mail de
ID f428407, enviado, inclusive para a reclamante, cujo teor demonstra claramente
a subordinação e a cobrança de metas, in verbis:
Olá, boa tarde a todos.
Isto é inacreditável!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Quero isso resolvido
Cronogramas + procedimento + autorizações + travas !!!!!!
Não aceito esta situação portanto todos os envolvidos e eu irei avaliar o
desempenho de todos nesse caso.
Deixo claro que quero datas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(...)
Tais elementos demonstram a existência de subordinação jurídica na relação
havida entre as partes, de forma que não prosperam as alegações da defesa de que
a autora era um vendedor autônomo, já que evidenciado pela prova oral produzida
que a reclamada comandava a prestação de serviços.
Diante do acima exposto, mantém-se a r. sentença incólume.
DOS HONORÁRIOS PERICIAIS
Sucumbente no objeto da perícia, há que ser mantida a condenação da reclamada
no pagamento dos honorários periciais contábeis, no importe arbitrado pela
Origem (R$1.000,00), haja vista que referido valor se mostra condizente com o
laudo apresentado e o trabalho realizado pelo expert.
Mantém-se.
DO RECURSO DA RECLAMANTE
DA APLICAÇÃO DA CONVENÇÃO COLETIVA
Requer a autora a reforma da r. sentença que entendeu não serem aplicáveis ao
caso a Convenção Coletiva trazida aos autos junto com a inicial, aduzindo que para
que as normas convencionais sejam aplicadas às relações individuais de trabalho
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RESUMO INTEIRO TEOR EMENTA PARA CITAÇÃO\uf27e
não é necessário que empregado e empregador sejam filiados aos sindicatos que
celebraram o acordo, bastando que empresa e empregado sejam simultaneamente
integrantes das respectivas categorias econômicas e profissionais para que surja a
obrigação de cumprir.
A decisão primeva indeferiu o pedido principal e correlatos com os seguintes
fundamentos: A reclamada não esteve representada por qualquer dos sindicatos
que assinam a Convenção Coletiva de Trabalho juntada com a inicial. Com efeito,
o objeto social da empresa, lançado na cláusula 2ª (fl.514 - ID e0d7457), não se
enquadra em nenhuma das categorias econômicas dos sindicatos mencionados
no instrumento coletivo. Os pedidos dos itens d e g são improcedentes.
Sem razão.
De plano, impõe asseverar que a CCT juntada pela reclamante com a inicial não se
faz aplicável à espécie, de modo que os pleitos requeridos por ele invocados, por
corolário, demonstram-se indevidas. Isso porque, conforme disposto no Art. 511, §
3º da CLT, o enquadramento sindical se dá de acordo com a atividade
preponderante do empregador, com exceção das chamadas categorias
diferenciadas.
Na espécie, não pertencendo a nenhuma categoria diferenciada, deverá prevalecer
o instrumento coletivo que leva em conta o enquadramento sindical efetuado com
base na atividade preponderante da empresa (industrialização, comércio,
importação, exportação, de produtos ortopédicos, implantes, instrumentais,
cirúrgicos, equipamentos de fisioterapia e reabilitação, material médico-cirúrgico e
equipamentos hospitalares; pesquisa, desenvolvimento e produção de produtos
saneantes e substâncias químicas e minerais e aqueles de origem animal ou vegetal
destinados ao uso da limpeza, higiene doméstica, dentre outras), não se
enquadrando em nenhum dos sindicatos da Convenção Coletiva, conforme
pretende a autora.
Portanto, reputo inaplicável a CCT juntada com a inicial, na qual não teve
representação a reclamada, razão pela qual são indevidas as diferenças salariais
pleiteadas e a multas normativas nela previstas.
Mantém-se.
DAS COMISSÕES POR VENDAS
Irresigna-se a ora recorrente com o indeferimento das comissões por vendas, que
teriam sido acordadas no início do contrato de trabalho.
Sem razão. Vejamos
Da prova oral produzida, denota-se que a própria testemunha da