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DisciplinaDireito Processual Civil I42.683 materiais741.198 seguidores
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a necessidade de novo exame de imagem ou prescrição de medicamentos.
Como se sabe, o dano material não se presume, exigindo-se a comprovação do efetivo prejuízo experimentado para que este seja reparado, uma vez que "a indenização mede-se pela extensão do dano". (art. 944 do CC).
Ainda, com relação ao pleito de danos materiais, é pertinente destacar que doutrina e jurisprudência são unânimes quanto à necessidade e obrigatoriedade de sua comprovação.
Assim, o pedido de indenização por danos materiais não encontra fundamento e merece ser julgado improcedente.
2.3 DA AUSÊNCIA DO DANO MORAL
Como consabido, para que reste caracterizada a responsabilidade civil subjetiva, aplicável ao caso em apreço, exige-se a presença de quatro elementos, quais sejam: a ação ou a omissão, a culpa ou o dolo do agente, o dano, e o nexo causal, enquanto liame existente entre os dois primeiros. Verificada, pois, a ausência de qualquer destas qualidades, não há o que se falar em responsabilidade civil.
No que concerne especificamente ao dano, leciona Cavalieri Filho (2009, p. 71):
Conceitua-se, então, o dano como sendo a subtração ou diminuição de um bem jurídico, qualquer que seja a sua natureza, quer se trate de um bem patrimonial, quer se trate de um bem integrante da própria personalidade da vítima, como a sua honra, a imagem, a liberdade etc. Em suma dano é a lesão de um bem jurídico, tanto patrimonial, quanto moral, vindo daí a conhecida divisão do dano em patrimonial e moral.
Assim, embora se reconheça que, consoante o art. 186 do Código Civil, o dano pode consistir em prejuízo econômico ou não econômico decorrente de ato ilícito, na hipótese do processo contestado, inexiste dano em sua modalidade moral.
Tal conclusão encontra-se estribada na ausência de substrato a comprovar o referido dano, uma vez que o autor, em sua peça inicial, limitou-se à formulação de alegações genéricas, sobre supostas consequências decorrentes do acidente, as quais, inclusive, mostram-se flagrantemente desproporcionais se comparadas ao resultado do laudo pericial (fls. 24), bem como ao conteúdo do relatório de atendimento do Corpo de Bombeiros, que o réu junta nesta oportunidade.
Pertine dizer que, no primeiro documento (laudo), o perito médico legal respondeu negativamente aos seguintes quesitos: \u201cresultou incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 (trinta) dias?\u201d, \u201cresultou debilidade permanente, perda ou inutilização de membro, sentido, ação ou função?\u201d, e \u201cresultou incapacidade para o trabalho, enfermidade incurável ou deformidade permanente?\u201d.
Por outro lado, no segundo documento, o Corpo de Bombeiros atestou a pouca gravidade dos ferimentos sofridos pelo autor, que na ocasião do acidente foi liberado de imediato, tendo sequer necessitado de atendimento médico em hospital. 
Nesse sentido, parece forçoso conceber que lesões a princípio superficiais tenham provocado efeitos tão nefastos à honra e à dignidade do autor. Por conseguinte, em não havendo dano, a responsabilidade civil jamais se fará presente, pois indenização sem dano importaria em enriquecimento ilícito, porquanto o objetivo da indenização é justamente reparar o prejuízo sofrido pela vítima, concedendo a esta o estado em que se encontrava antes do dano sofrido.
Dessa forma, tendo em vista que o dano é o fato determinante do dever de indenizar, se e a vítima não sofreu nenhum prejuízo de cunho moral, não haverá o que ressarcir. 
2.4 DA FRAGILIDADE DA ALEGAÇÃO DOS LUCROS CESSANTES
Na inicial, o autor alega que recebeu por nove meses, a título de auxílio-doença, o valor de R$1.039,00 (um mil e trinta e nove reais). Alega, ainda, que o salário que percebia antes do acidente era de R$1.276,74 (um mil duzentos e setenta e seis reais e setenta e quatro centavos). Nesse sentido, pleiteia lucros cessantes equivalentes a diferença entre o valor do benefício previdenciário recebido e os rendimentos que obtinha com seu trabalho.
Entretanto, o autor apenas anexou à exordial o comprovante de deferimento de pedido de prorrogação do benefício, onde não consta a data de início, de modo que não é possível aferir precisamente por quanto tempo recebeu tal auxílio.
O pedido de lucros cessantes formulado pelo autor, no que se refere ao período por ele pleiteado, é frágil e insubsistente porque carece de prova documental, motivo pelo qual deve ser indeferido pelo juízo. 
3. DOS PEDIDOS
Isto posto, requer-se:
a) seja deferida a preliminar de incompetência absoluta e extinto o processo, com base no disposto no art. 51, II, da Lei 9099/95;
b) sejam julgados improcedentes todos os pedidos formulados pelo autor, tendo em vista a ausência de comprovação dos danos alegados;
c) seja a parte autora, condenada em multa e nas penas da litigância de má-fé, por utilizar-se do processo para conseguir fim vedado por lei, qual seja, enriquecimento ilícito, quando pleiteia indenização por danos morais, nos termos do art. 142 do CPC.
Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito, especialmente documental, testemunhal e pericial.
Termos em que, pede deferimento.
Chapecó (SC), 04 de agosto de 2017. Xxx OAB/SC 14....