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Resumo Bentham

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Bentham, o Utilitarismo e a Filosofia Política Moderna (Cicero Araújo)
Parte I
Bentham defendia o sufrágio universal masculino e a democracia representativa. (p. 267)
Expõe em sua obra as consequências do princípio utilitarista nas disciplinas jurídicas. (p.268)
Parte II
A ação humana está baseada na dor e no prazer. O prazer proporciona felicidade. (p.269)
Princípio da utilidade: estabelece a maior felicidade de todos como justa e certa, a qual deve ser o objetivo da ação humana. (p.269)
O interesse da comunidade é a soma dos interesses de seus membros. (p.270)
Ideias sensíveis: derivam dos órgãos sensoriais. (p.270)
Ideias inteligíveis: que estão na mente desde sempre, já se nasce com elas. (p.270)
Os racionalistas ou inatistas acreditam que o conhecimento é adquirido a partir dos 2 tipos de ideias (mas principalmente das inteligíveis). Já os empiristas acreditam que todo o conhecimento se dá a partir das ideias sensíveis, da experiência. (p.270)
As ideias são simples (não podem ser decompostas) ou complexas (associação de ideias simples). (p.270)
Todas as ideias simples são sensíveis. No entanto, existem ideias que representam qualidades que pertencem aos objetos (qualidades ‘’primárias’’) (ex.: figura e extensão) e ideias que expressam apenas qualidades da mente que percebe, isto é, qualidades que não pertencem ao objeto, são modificações da própria mente (qualidades ‘’secundárias’’) (ex.: cor, som e odor). (p.270-271)
As ideias morais, ou seja, sobre o bem e o mal, são complexas, portanto são derivadas de ideias simples. Como todas as ideias simples são sensíveis, a ideia de ‘’bem’’ só poder ser derivada de uma sensação agradável (prazer) e a ideia de ‘’mal’’ só pode ser derivada de uma sensação desagradável (dor). (p.271)
As ideias apontam os fins de nossas ações. (p.272)
Um mesmo objeto pode ser ‘’bom’’ ou ‘’mau’’, dependendo se ele produz sensações prazerosas ou desagradáveis, respectivamente. (p.272)
Parte III
Bentham critica o republicanismo clássico e o contratualismo lockeano. (p.272)
A tradição republicana clássica via a comunidade política como um todo (o corpo) e as famílias e indivíduos como seus membros (ex.: mão). A analogia de Aristóteles diz que o cidadão está subordinado à comunidade assim como a mão está subordinada ao corpo. (p.272-273)
Nessa visão, a felicidade do cidadão depende e é inseparável da felicidade comum e só pode ser alcançada através de uma vida política o mais ativa possível. (p.273)
Bentham não concorda com essa visão. Para ele, cada indivíduo é um todo e a soma esses pequenos todos forma a comunidade. Da mesma forma, a felicidade da comunidade é uma simples soma das felicidades individuais. Quanto maior a soma, maior a felicidade da comunidade. E o interesse da comunidade é alcançar a maior felicidade possível, ou seja, atingir a maior soma possível de felicidades individuais. (p.274)
Os indivíduos buscam o prazer e fogem da dor. (p.274)
Todos os seres humanos são igualmente capazes de sentir dor e prazer. Portanto, todos têm o mesmo peso no cômputo geral do cálculo felicítico. Assim, quanto maior o número de beneficiados por uma lei, maior a felicidade da comunidade (e este é o seu interesse). Isto é, quando essa lei é capaz de fazer um maior número de pessoas sentir prazer e um menor número sentir dor, maior a felicidade. A dor entra com um sinal negativo no cálculo da felicidade (p.274)
Além disso, para Bentham é impossível estabelecer um ideal de vida comum que maximize a felicidade de cada um e, consequentemente, maximize a felicidade geral. Não é função do legislador estabelecer tal ideal de vida, pois as circunstâncias que promovem a felicidade são variáveis de acordo com o tempo e o lugar (um mesmo estilo de vida pode levar as pessoas tanto a uma maior felicidade quanto a miséria). ‘’Não há um estilo de vida coletivo, como na visão de inspiração aristotélica, que corresponda à perfeição da espécie.’’ (p.274-275)
A pena (punição aos criminosos) é uma dor que só se justifica se produzir um benefício que a compense. (p.275)
Bentham acha que a promoção da maior felicidade não é possível se as leis do Estado (Inglaterra) continuassem baseadas numa vaga noção de tradição e antepassado. O código de leis deveria ser baseado num único princípio, o princípio da utilidade. (p.276)
Pilares do argumento de Locke:
- ideia de que os indivíduos possuem direitos naturais, histórica ou logicamente anteriores à instituição de um governo.
- os únicos governos legítimos são os que os súditos renunciam voluntariamente alguns de seus direitos naturais e os transferem ao soberano, em troca da garantia da proteção dos demais direitos.
Obs: o contrato pode não ter ocorrido de fato, é improvável a hipótese de que os súditos se reuniram para assentir às leis. Se um indivíduo decidiu viver sob a proteção de um governo e se beneficiou com ela, isso já implica assentimento às suas leis.
Por que Bentham considera o argumento de Locke confuso e pouco econômico?
- Assumindo que os direitos são anteriores ao governo num sentido histórico: as pessoas tinham certos direitos antes de existir governo. Por que então se submeteriam a um governo? Para que os direitos fossem garantidos e protegidos. Sendo assim, então as pessoas não possuíam tais direitos, apenas os desejavam (o próprio desejo denuncia a ausência histórica desses direitos anteriormente a um governo). (p.277)
- Assumindo que os direitos são anteriores ao governo num sentido lógico: por outro lado, o direito numa parte pressupõe obrigação da outra parte em respeitá-lo. Toda obrigação implica uma lei (que obriga igualmente a todos). Nenhuma lei é efetivamente lei sem o legislador e Locke concorda com isso, tanto que afirma a existência de um legislador divino o qual promulga as leis naturais. O problema é que as pessoas podem divergir sobre a verdadeira vontade desse legislador divino, e podem acabar divergindo sobre o conteúdo dessas leis naturais. Além disso, várias pessoas podem não acreditar em tal legislador divino. Isso significa que não existe um legislador comum e leis que obrigam a todos da mesma forma. Conclusão: é impossível existir um direito sem ao mesmo tempo existir um legislador concreto (governo). (p.277)
- O motivo do contrato social é a vontade das pessoas, tanto dos súditos para obedecer e do dever do soberano de proteger seus direitos, e essa vontade é suficiente para Locke. Daí supõe-se uma ‘’promessa’’, que está por trás do contrato e estabelece as obrigações dos súditos e do soberano. A partir disso, Bentham faz críticas dizendo que se o contrato fosse um acontecimento histórico, as promessas feitas pelos fundadores só valeriam para si mesmos, e não para seus descendentes: obrigações não passam automaticamente de pai para filho. Não sendo um acontecimento histórico, o motivo do contrato não pode ser simplesmente a vontade, pois uma promessa fictícia não obriga a nada. Se o contrato fosse uma ferramenta, serviria para descobrir o interesse comum que as pessoas teriam para obedecer a um governo. Portanto, o que importa não é o contrato, e sim esse interesse comum que leva as pessoas a se submeterem ao governo. E para Bentham há um modo mais direto e simples de descobrir esse interesse, o que torna o contrato dispensável. Tal modo é o princípio da utilidade (p.278) 
Ademais, Bentham diz que a ideia de consentimento do Locke é um acréscimo desnecessário, uma vez que se o governo promove o interesse comum, cujo princípio só pode ser o da maior felicidade, ele já está moralmente justificado, independentemente do consentimento. (p.278)
Os defensores da Commom Law afirmam que as leis inglesas são legítimas devido à longa tradição de sua prática. Bentham critica, dizendo que o tempo por si só não justifica a permanência das leis (assim como a obrigação de um contrato não passa de geração a geração). Uma lei pode ter sido adequada no passado mas pode não ser mais hoje (mesmo que praticada durante séculos). (p.278)
Parte IV
A distinção entre governantes e governados cria uma distinção

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