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Resumo Bentham

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de interesses. A partir disso, Bentham crê que um governo sempre agirá em favor dos interesses do grupo governante. O problema é que esse grupo é sempre muito inferior numericamente ao grupo dos governados, o que significa que a felicidade será muito menor do que a felicidade geral pode realmente alcançar. ‘’A mera existência de um governo pode implicar uma subversão do princípio da utilidade.’’ (p.279)
A solução disso para Bentham é adotar uma forma de governo que torne mais provável a convergência entre os interesses dos governantes e governados. Assim, para promover seus próprios interesses, os governantes teriam que promover a felicidade geral. E tal forma de governo é a democracia representativa. (p.280)
O parlamentarismo Whig inglês não é adequado pois é sustentado por uma minoria de eleitores, a aristocracia (grandes proprietários, funcionários de alta patente, etc.). Com tal base eleitoral, trata-se de um governo praticamente de representação da aristocracia. E o que tal governo faz é maximizar a felicidade desse pequeno grupo em detrimento do resto. ‘’Do ponto de vista dos grupos excluídos, o governo da aristocracia é e só pode ser um governo de tipo despótico.’’ (p.280)
Segundo o republicanismo inglês, a solução para o despotismo é o governo misto, que junta a monarquia, a aristocracia e a democracia, submetendo cada uma ao controle das outras 2. (p.280)
No contratualismo lockeano, também é proposto um governo misto dividindo-o em executivo e legislativo, cada um impedindo as tentativas do outro de usurpar suas funções. (p.281)
Para Bentham, o governo misto possui 3 defeitos:
- é um governo fragmentado, portanto um obstáculo ao Estado coerente, ágil e unificado (pré-requisito para promover a maior felicidade);
- é contraditório com o conceito de soberania: ou ela é única ou não é soberania. O termo ‘’soberania limitada’’ não faz sentido;
Obs: Bentham defende a soberania absoluta porque é compatível com o princípio da utilidade e é a melhor forma de evitar a perversão dele.
- é um obstáculo à soberania popular. (p.281)
Soberania popular: supremacia dos interesses das ‘’classes numerosas’’, isto é, da maioria. Como o princípio da utilidade prescreve a maximização da felicidade da comunidade e a maior felicidade é a do maior número, a soberania popular coincide com o princípio de utilidade. (p.281)
A única forma de garantir a soberania popular é estendendo o sufrágio para as classes populares, garantindo a igualdade do voto. Bentham defendia isso e mais o voto secreto e eleições periódicas. Tal como outros governantes, os representantes também terão interesses próprios, mas devido à extensão do sufrágio e das eleições periódicas, estarão sob controle de uma classe muito maior e variada (e não apenas da aristocracia).
Obs: democracia representativa pura. Democracia representativa é a forma de governo em que o povo escolhe as pessoas que vão governar. O termo ‘’pura’’ é usado com o sentido de soberania absoluta (‘’não mista’’). (p.282)
Nem os republicanos e nem os contratualistas defensores do regime Whig se preocupavam com a extensão do sufrágio. Os primeiros porque acreditavam que a democracia rebaixava, corrompia a virtude e a qualidade da política. Os segundos porque pensavam que se os pobres participassem das eleições, buscariam um governo que nivelaria as riquezas, ‘’saqueando’’ a propriedade. (p.282)
James Mill defendia a democracia representativa seguindo o mesmo raciocínio de Bentham, porém com argumentos mais econômicos. (p.283)
O argumento de Mill contra o governo misto é que tendo 3 ‘’estates’’, cada um com o mesmo peso e interesses distintos, para evitar a paralisação, 2 deles irão se alias contra o terceiro. E os interesses da Coroa e dos Lordes é muito mais próximo entre si do que de um deles com os Comuns. Portanto, o governo misto é uma forma de fazer a minoria predominar sobre a maioria e ela governará contra a utilidade geral devido a 3 motivos:
- o equivalente econômico da busca do prazer e fuga da dor é obter o máximo de riqueza com o menor esforço possível (riqueza = prazer, esforço = dor). A fonte de riqueza é o trabalho, e trabalho é esforço, dor. Portanto, para obter o máximo de riqueza com o mínimo de trabalho é fazer os outros trabalharem para você;
- a sociedade é dividida em governantes e governados. Os governantes sempre procuram agir segundo seus próprios interesses. Do ponto de vista econômico: obter o máximo de riqueza com o menor esforço. E fazem isso usufruindo de suas posições privilegiadas, através dos postos de poder que ocupam. Fazem com que os governados trabalhem para os que governam, apropriando-se de parte do que produzem (através de impostos, entre outros). Se essa ação não for limitada, acaba desestimulando os que trabalham para produzir riqueza, já que uma boa parte dela é transferida para outros (governantes). Isso resulta na diminuição do estoque de riqueza da sociedade, que significa menos prazer e, consequentemente, menos felicidade (oposto da utilidade geral);
- a aliança da Coroa com os Lordes é um governo da aristocracia, sem qualquer controle dos Comuns. Trata-se de um governo opressivo e contra a maior felicidade. (p.283-284)
James Mill vê 2 soluções para a tendência dos governantes de viverem às custas dos governados: a democracia direta (em que os cidadãos se dedicam a governar) ou a democracia representativa (em que os cidadão escolhem quem vai governar). (p.284)
A democracia representativa é a melhor opção. A democracia direta não é viável porque, apesar de resolver o problema pois acaba com a distinção entre governantes e governados, ela é contra a utilidade geral. Nessa forma de governo todos se envolvem com tarefas da administração pública (trabalho improdutivo – que não produz riquezas), o que prejudica o trabalho produtivo, o qual produz riquezas. Portanto, a separação entre governantes e governados é mais compatível com a utilidade geral, porque nesse caso a maioria se dedica ao trabalho produtivo, produzindo riquezas, e a minoria ao administrativo. (p.284)
John Stuart Mill (filho de James Mill) tenta reconciliar o princípio da utilidade com a noção de direito natural. Diferencia os prazeres qualitativamente:
- prazeres de ordem inferior: prazeres corporais
- prazeres de ordem superior: prazeres intelectuais
Obs: os seres humanos são destinados aos prazeres intelectuais. (p.285)
Ele também busca combinar liberalismo com republicanismo. (p.285)

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