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Aula 07

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Esses estudos relatam o ocorrido, em relação ao meio ambiente, 
durante o processo operacional, por meio de Relatórios de Impacto do Meio 
Ambiente (RIMA). 
A AIA é usada como auxiliar no planejamento da empresa, mas 
ela muitas vezes se dá no âmbito privado, em reuniões, discussões (e 
mesmo disputas) entre o proponente, o projetista e o consultor ambiental, 
e somente os resultados vão a público por intermédio do EIA.
Porém, a decisão mais importante é tomada ao final do processo: 
a aceitação ou a recusa do projeto. Na verdade, essas duas alternativas 
extremas são raras e, na situação mais usual, as questões a serem deci-
didas referem-se às condições para a realização do projeto. Em certos 
casos, tais condições podem ser tão severas que implicam custos elevados 
e levam à desistência do projeto. Os tomadores de decisões tendem a 
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biental no planejamento estratégico organizacional: um mal necessário?
aprovar a ação, a menos que haja razões politicamente avassaladoras 
para recusá-la, mas, ao aprovar, negociam melhorias nos benefícios e 
maior redução dos impactos negativos.
Finalmente, não se pode esquecer as outras decisões tomadas após 
a aprovação do projeto, durante sua implantação e, posteriormente, na 
fase de funcionamento. Os resultados do monitoramento ambiental e 
dos programas de acompanhamento podem levar a novas modificações 
de projeto ou à necessidade de novas medidas reducionistas, caso sejam 
detectados impactos significativos não previstos.
Modalidades de processos decisórios 
O poder decisório acerca dos empreendimentos sujeitos ao pro-
cesso de AIA varia entre uma jurisdição e outra. Há locais em que a 
decisão compete a uma autoridade ambiental; em outros, a competência 
é de uma autoridade setorial, autoridade cuja competência abarca um 
setor de atividade econômica, como, por exemplo, o setor energético 
ou o setor florestal. Há ainda as jurisdições nas quais as decisões são 
formalmente tomadas por instâncias governamentais que congregam 
diferentes interesses, como conselhos de ministros. Qualquer que seja a 
modalidade, a decisão é tomada diretamente por representantes políticos 
(ministros) ou é delegada a altos funcionários indicados politicamente. 
Para dar maior credibilidade ao processo, alguns países, como Holanda 
e Canadá, entregam a análise do EIA e a consulta pública a organismos 
independentes.
O tomador de decisão político certamente não irá ler a totalidade 
do estudo de impacto ambiental, seus anexos e documentos complemen-
tares. Sua decisão será baseada em informações prestadas por assessores 
e eventualmente em pressões políticas, visando promover interesses quase 
sempre contraditórios.
A questão-chave é se as conclusões da AIA são realmente refletidas 
nas decisões tomadas. Muitos autores apontam essa questão como central, 
evidenciando uma fraca integração dos resultados do processo de AIA às 
decisões tomadas, particularmente nos países menos desenvolvidos.
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 O caso americano
O caso americano é sempre uma referência nos estudos sobre 
AIA, devido ao pioneirismo da NEPA. Segundo essa lei, são as agências 
do governo federal as responsáveis pela condução do processo de AIA 
e também as responsáveis pela tomada de decisão. Estas podem ser as 
próprias promotoras do projeto (principalmente obras públicas), pro-
vedoras de fundos ou financiadoras (por exemplo, para a construção de 
conjuntos habitacionais), ou podem ter a atribuição de autorizar projetos 
privados em virtude de outras leis. Assim, em muitos casos, o tomador 
de decisões é o próprio interessado na aprovação e execução do projeto 
ou programa, característica que propicia severas críticas à lei americana, 
vista como exercendo influência limitada sobre as decisões.
No caso de projetos privados, os proponentes submetem seus 
projetos e seus estudos, mas é a agência que o autoriza que tem a obri-ência que o autoriza que tem a obri-ncia que o autoriza que tem a obri-
gação legal de preparar o EIA e submetê-lo à consulta pública. São os 
dispositivos legais que asseguram transparência e a possibilidade de 
controle do público, de controle judicial e de controle administrativo 
exercido por outras agências, que dão coerência ao processo.
Modelo decisório no Brasil 
A legislação brasileira atribui inequívoco poder de decisão aos 
órgãos ambientais. O licenciamento ambiental é sempre feito por um 
órgão (federal, estadual ou municipal) integrante do Sistema Nacional 
do Meio Ambiente (Sisnama), introduzido pela Lei 6.938/81, da Política 
Nacional do Meio Ambiente. A AIA está integrada ao licenciamento e 
cabe àquele que licencia decidir pelo tipo de estudo ambiental necessário, 
estabelecer seus procedimentos internos (respeitadas as normas gerais 
estabelecidas pela União) e seus critérios de tomada de decisão.
A decisão pode ser tomada diretamente pelo órgão licenciador, 
como ocorre com o licenciamento federal realizado pelo Instituto Brasi-
leiro de Recursos Naturais e Renováveis (IBAMA) em certos estados, ou 
por colegiados que contam com representantes de diferentes segmentos 
da sociedade civil, além de representantes governamentais – os conselhos 
de meio ambiente.
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Figura 7.2: Ibama é o órgão do governo que participa de estudos e análises de 
impactos no meio ambiente.
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Paranapiacaba__Trilha_para_as_torres_de_TV.jpg
A decisão, mediando colegiados, significa a busca de um consen-
timento por parte da sociedade, representada nesses conselhos por orga-
nizações não governamentais ambientalistas, associações profissionais, 
associações empresariais e outras representações.
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/888077
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 Embora o parecer resultante da análise técnica, realizada pela 
equipe de analistas do órgão ambiental, pareça prevalecer como funda-
mento da decisão, os conselheiros podem impor ou negociar condições 
adicionais para a licença, ou podem, ocasionalmente, divergir do parecer 
técnico. Por exemplo, em julho de 1994, um projeto de pedreira em 
Barueri propôs um local como zona de exploração mineral no plano dire-
tor municipal. Os conselheiros do Conselho Estadual de Meio Ambiente 
(Consema), pela primeira vez, votaram contra um parecer favorável, 
preparado pela equipe técnica da Secretaria do Meio Ambiente.
A vinculação da AIA ao licenciamento ambiental dá grande poder 
aos órgãos governamentais encarregados da proteção ambiental. Com 
efeito, a lei da Política Nacional do Meio Ambiente, ao atribuir a tarefa 
de licenciamento primordialmente aos estados, obrigou aqueles que 
não dispunham de órgãos ambientais a se aparelharem, criando novas 
instituições ou adaptando organismos já existentes.
Nesse contexto, a função dos estudos ambientais é principalmente 
a de demonstrar a viabilidade ambiental do projeto em análise, supondo 
que a viabilidade econômica e a capacidade de execução técnica tenham 
sido comprovadas, ambas decisões tomadas exclusivamente na esfera 
privada. Quem analisa e decide se o projeto é viável economicamente e é 
passível de ser executado ou não são as empresas privadas. Até para a exe-
cução de projetos públicos, como, por exemplo, o trem-bala, o governo 
realiza concessões públicas a entidades privadas. Elas avaliam o quanto 
deverá

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