Historia Da America Latina   Vol. 1   Leslie Bethell (Org.) (135 194)
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Historia Da America Latina Vol. 1 Leslie Bethell (Org.) (135 194)


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nece\ufffd O repartimitnto, ou distribuição dos índios, fora um ato de r da coroa e, portanto, trazia consigo certas obrigações a ser cumpridas 
pelos concessionários. Deviam cuidar d:>s índios e instrui-los na fé, o que 
significava que deveriam ser temporariamente &quot;depositados&quot; ou confiados a 
espanhóis privados. Era um sistema que lembrava a encomicnda, ou o uso de 
ãtribuir povoações mouras a membros de ordens militares na Espanha 
medieval; e a palavra encomienda re5surgiria no devido tempo neste novo 
;imbiente americano, embora agorn comportasse um sentido bastante dife­
rentes. A encomienda no Novo Mundo não incluía a distribuição de terras t de arrendamentos. Era simplesmente uma concessão pelo Estado de
ao-de-obra compulsóri\ufffd, vinculada a responsabilidades especificas para 
com seus &quot;protegidos&quot; indígenas por parte do depositário, ou encomendero.
'- Teoricamente, tais responsabilidades não poderiam ser atribuídas levia-
namente. Deviam ser dadas aos mais capacitados pa;a exercê-las, aos me:e­
cedores e aos estabelecidos - e o homem estabelecido no mundo hispânico 
era o homem de propriedades com uma residência urbana. O controle que 
exerceu sobre a oferta de mão-de-obra, portanto, deu a Ovando as co\ufffddi­
ções p\ufffdra incentivar a instalação de espanhóis em pequenas comunidades 
urbanas, cada uma com seu cabildo, ou conselho da cidade, segundo o 
modelo espanhol. A mão-de-obra indígena devia ser distribuída apenas aos 
--t> vecinos, cidadãos com plenos dirritos. 
e.Para facilitar o processo de distribuição, os índios erafll tambtm desloca­dos e era dada a seus caciques a responsabilidade pelo fornecimento de r:ião· 
de-obra aos espanhóis. Enquanto parte dessa força de traba\ufffdra constitui-'-da de índios de encomienda, outros índios, chamado(\ufffds, assumiam o 
s...rviço nas casas das famílias espanholas como .servos domésticos. Esses 
naborías situavam-se dos dois lados da linha que dividia a sociedade harmo­
_!:liosa, tal como fora planejada por Ovando - uma sociedade em que a 
comunidade ind!gena e a espanhola coexistiam sob a estrita supervisãc do 
governador real e onde os índios eram introduzidos nos benefícios da civili­
zação cristã e em troca forneciam a mão-de-obra, que era tudo o que tinham 
3 oferecer. Ovando incentivou ao mesmo tempo o estabelecimento da cria-
ção de gado e do cultivo da cana-de-açúcar, na esperança de libertar a socie-
). Para um exame m1is detalhado do sistema de encomienda, &quot;er o trabalho de J. H. Elliott, 
adiante neste volume, cap. 7 (pp. 283-\ufffd37) e o de Murdc J. Macleod, cap. \ufffd. pp. 339-390; 
ver também Charles Gibson, História da Amtrica Latina, ,·oi. li, cap. 7. 
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clade de Hispaniola de uma dependência excessiva desse bem elusivo. o 
ouro, e de amarrar os colonos à terra. 
Sob o governo de Ovando, portanto, Hispaniola fez a transição de entre· 
posto para colônia, mas seu esquema trazia dentro de si mesmo as sementes 
da sua própria destruição. O estabelecimento formal do trabalho forçado 
para a população indígena apenas precipitou um processo que já se estava 
tornando catastrófico - a sua total extinção. Em vinte anos desde o desem­
barque de _Colombo: a população dessa ilha densamente habitada havia sido 
quase varrida pela i;uerra, pelas doenças, pelos maus tratos e pelo trauma 
resultante dos esforços dos invasores para obrigá-la a aceitar modos de vida 
e comportamento totalmente desvinculados de sua experiência anterior. 
Numa tentativa desesperada de m2.nter a oferta de mão-de-obra, os colo­nos realizaram ataques maciços à; Baamas e deportaram sua população 
lucayo para Hispaniola. Todavia, à medida que chegavam da Espanha novas 
levas de imigrantes em busca de uma fortuna rápida, a importação de mão· 
de-obra forçada das ilhas vizinhas não passava de mero paliativo. A estabili­
dade buscada por Ovando se mostrava absolutamente elusiva, e a tentativa 
de impô-la por meios autocráticos provocava acerbos ressentimentos contra 
o governador. Estabelecendo um modelo que seria seguido repetidas vezes
no governo das lndias, os dissidentes locais conseguiram mobilizar defenso·
res influentes na corte. Ovando foi afastado do cargo em 1509, vitima de
Fonseca e seus funcionários em H:spaniola, e Diego Colón, que o sucedeu
como governador, não teve melhor sorte. As pretensões da família Colombo
tornaram-no suspeito à coro.i; e em 1511 esta tomava medidas para refrear
. seu poder, ao instituir um tribunal legal permanente, a a:u/iencia de Santo
Domingo. A audiencia em si, criad·a nos moldes das chancelarias de Valia·
dolid e Granada, devia servir de modelo para outros tribunais desse tipo à 
medida que a coroa espanhola ampliou seu controle sobre o continente
americano. Os agentes do governo real deveriam no futuro ser mantidos sob
e controle perman.:nte por parte dos agentes da justiça real. füO declínio progressivo tanto da população nativa de Hispaniola quanto
não-branca trazida de forz produziu duas reações diversas, cada unrn 
as com importantes conseqüências para o futuro da América espanhola. 
vocou, em primeiro lugar, um intenso movimento de indignação 1.10ral, 
\ufffda própria ilha e na metrópole espanhola. O movimento foi liderado pelos êlominicanos, horrori:udos com as condições que encontraram na ilha à sua 
chegada em 1510. Seu maior expoente foi Antonio de Montesinos que, num 
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