Cartilha Saúde mental e trabalho   dores silenciosas  Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador – CEREST Regional POA
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Cartilha Saúde mental e trabalho dores silenciosas Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador – CEREST Regional POA


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A
A
Saúde mental e trabalho:
dores silenciosas
ApresentACAo
ApresentaçãoApresentação
APRESENTAÇÃOAPRESENTAÇÃO
APRESENTACAOAPRESENTACAO
Apresentação
este material lhe ajudará a reconhecer as 
situações de sofrimento psicológico em que 
o trabalho aparece como desencadeante ou 
agravante. A partir desse reconhecimento, 
fica mais fácil fazer os encaminhamentos 
necessários.
Esta é uma cartilha organizada pelo Centro de Referência 
Regional em Saúde do Trabalhador \u2013 Regional/POA (CEREST) 
para pensarmos sobre nossas experiências de trabalho e as suas 
relações com a saúde mental.
O objetivo principal desta cartilha é sensibilizar para o papel 
central do trabalho na saúde mental das pessoas, chamando a 
atenção para algumas condições de trabalho que frequentemente 
desencadeiam sofrimento psicológico. 
Apresentação
Trabalhador,
é muito importante que você saiba identificar 
essa relação entre trabalho e saúde mental 
para qualificar seu papel na sociedade e 
manter-se ativo no cuidado da sua saúde. 
Profissional da saúde,
Para facilitar o reconhecimento de 
fatores da organização do trabalho 
que podem afetar a saúde mental 
do trabalhador, traremos algumas 
situações de trabalho como exem-
plos. Também veremos como pro-
ceder nas situações que confirmem 
a relação do sofrimento ou adoeci-
mento mental com o trabalho.
CEREST
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Pensar que as pessoas não passam por crises, sofrimentos 
e dúvidas é irreal. Essas crises nos fazem crescer individual 
e socialmente. Portanto, ter saúde mental é a capacidade 
de, em meio às dificuldades, inventar e reinventar saídas 
que ampliem as alternativas de vida. 
As formas de trabalhar e seus 
impactos sobre a saúde mental 
do trabalhador.Mas, afinal, o que 
é saúde mental?
Ter saúde mental é 
sentir-se capaz de criar 
e repensar a vida!!!
Para falar da relação saúde mental e trabalho 
é necessário pensar sobre as formas como o 
trabalho foi sendo organizado no decorrer da 
história. Pense nos seus avós, como era 
o trabalho deles? Onde trabalhavam? 
Como faziam? O que produziam? 
Fazendo esse exercício, você provavelmente verá 
grandes diferenças entre a forma como eles 
trabalhavam e como você trabalha hoje. Mas 
também verá algumas semelhanças.
Até algumas décadas atrás era muito comum 
um tipo de trabalho onde cada trabalhador rea-
lizava uma pequena parte da produção. As ativi-
dades normalmente eram realizadas em esteiras, 
com exigências de produzir mais e mais rápido, 
sob a cobrança constante dos chefes e contra-
mestres. Os chefes e os engenheiros pensavam 
e controlavam o trabalho, na tentativa de que 
os trabalhadores executassem as tarefas sem 
muita possibilidade de criação.
Por isso, a doença ou sofrimento mental é diferente de 
outras doenças. As condições sociais são um forte deter-
minante para o seu surgimento. Essas dores são silenciosas 
e invisíveis, pouco reconhecidas, e o sujeito que está em 
sofrimento psicológico frequentemente é culpabilizado e 
discriminado pela sua situação.
Veremos como essas características acabam fazendo com 
que a pessoa que está em sofrimento se isole e demore 
a buscar ajuda.
A
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A violência urbana invade o mundo do trabalho
Paulo trabalha como motorista 
para uma empresa de transporte 
coletivo há 12 anos. Sua jornada 
de trabalho começa às 15h e vai 
até as 23h, com frequentes horas 
extras até 1h30min da madrugada. 
Trabalha em uma linha considera-
da violenta, com uma média de seis 
assaltos por mês. Ele já sofreu três 
assaltos na linha, todos com porte 
de arma e, no último, com a morte 
do colega cobrador. \u201cEles ficaram 
apontando a arma e levaram o ôni-
bus para um lugar escuro, achei 
que ia morrer. Meu colega reagiu e 
eles o mataram. Essa imagem não 
sai da minha cabeça. Fiquei vários 
dias sem conseguir dormir e com 
medo de sair na rua. Sentia meu 
coração acelerado, suor e uma sen-
sação no peito.\u201d Após esse último 
assalto, foi afastado do trabalho 
por dois dias e a empresa não fez 
a CAT (Comunicação de Acidente 
de Trabalho). Quando retornou ao 
trabalho, disse que já no primeiro 
dia não conseguiu completar o 
trajeto da linha. Começou a sentir-
se trêmulo, tonto e com medo de 
perder o controle. Chorou muito, 
teve que ser levado para a em-
presa e foi novamente afastado do 
trabalho.
Para compreender melhor a relação saúde mental e trabalho, apresentaremos algumas situações de 
trabalho contemporâneas. Enquanto você lê, tente imaginar como estes acontecimentos podem afetar 
a saúde mental do trabalhador:
Hoje esse tipo de trabalho ainda existe, mas 
convive com outras formas de se trabalhar, que 
exigem um trabalhador mais flexível, qualificado, 
em constante atualização e muito identificado 
com o que faz. Além disso, ele deve conhecer 
o processo de trabalho para além da atividade 
específica que realiza, sabendo atuar nas diver-
sas áreas que estão relacionadas com o seu 
trabalho. 
Isso, por um lado, pode ser positivo, pois agora 
o trabalhador conhece mais o contexto em que 
se insere seu trabalho e se envolve afetivamente 
com a atividade que realiza. Entretanto, os níveis 
de exigência podem ser muito altos e o medo de 
não corresponder às expectativas do mercado é 
constante.
Somam-se a isso o medo de perder o em-
prego, o subemprego, os contratos informais, 
por tempo determinado, a diminuição dos postos 
de trabalho, as novas tecnologias e máquinas 
incorporadas ao trabalho. Esses fatores também 
repercutem na saúde mental dos trabalhadores, 
que se sentem obrigados a permanecerem em 
seus empregos mesmo em condições precárias.
Essa situação configura um acidente de trabalho?
Trabalhar sob ameaça de violência pode trazer 
consequências negativas para a saúde física e mental 
do trabalhador? 
Sim, pois, a partir da situação de violência viven-
ciada no ambiente de trabalho, desencadeou-se 
um agravo à saúde mental de Paulo que ele não 
apresentava antes dos assaltos. 
Portanto os procedimentos devem ser os mes-
mos de qualquer outra notificação de doença 
profissional ou acidente de trabalho.
Sem dúvida. A ameaça de qualquer violência, 
de baixo ou alto nível, tem para o psiquismo 
uma tradução de violência, mesmo que esta 
não aconteça. A reação comum é que a pessoa 
ponha em ação mecanismos de ataque ou fuga 
e, no caso de uma situação de alto nível de 
ameaça, como um assalto, acontece um trauma: 
estado alterado de consciência, desorientação 
no espaço-tempo ou, em outras palavras, a pes-
soa pode ficar confusa, sem conseguir identifi-
car onde está e em qual dia da semana, po-
dendo vir a caracterizar um Estado de Estresse 
Pós-Traumático. 
No Brasil, as principais vítimas de violência no 
trabalho são bancários, cobradores e motoristas 
de ônibus, vigilantes, seguranças, transportado-
res de valores, trabalhadores de lotéricas e co-
merciários. 
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Como realidades diferentes de trabalho afetam a saúde 
dos trabalhadores?
flexível
ousad
o
criativodinâmico
po
liva
len
te
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Uma forma de discriminação 
no trabalho: o assédio moral
Joana tem 35 anos e é auxiliar de enfermagem 
em um hospital. Sempre trabalhou nessa função 
e por isso tem bastante experiência na área. 
Cumpre sua atividade com muita dedicação e, 
quando percebe que alguma coisa pode ser me-
lhorada, procura a enfermeira-chefe para fazer 
algumas sugestões. Nessas ocasiões, a enfermeira 
costuma agir com grosseria com Joana, dizendo 
coisas do tipo: \u201cQuem é você para me dizer o 
que pode ser melhor no setor?\u201d Em uma dessas 
ocasiões, Joana foi insistente em suas propostas 
e elas tiveram uma discussão. Após esse inci-
dente, a chefe passou a controlar tudo o que 
Joana fazia, dizendo na frente dos colegas: \u201cEssa 
aí tem que ficar em cima, senão ela começa a 
querer inventar moda... onde já se viu uma