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AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POLICIA CIVIL

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absoluto cumprimento das normas 
positivadas. 
O Estado de Goiás pretende, ao arrepio da Constituição Federal e 
Estadual, reduzir o efetivo de Agentes e Escrivães de Polícia de 3ª Classe, para a 
implantação dessa nova categoria funcional, com a intenção meramente de redução 
de gastos, resultando, desta forma, em claro desvio de finalidade na criação da Lei, 
evidenciando flagrante afronta a princípios básicos e cediços da administração 
pública encontradiços na Carta Política Estadual e Federal. 
Assim, a entidade sindical, ora Requerente, representante máximo 
da categoria, ora prejudicada, se viu sem alternativa, que não fosse a 
propositura da presente Ação Direta de Inconstitucionalidade, para 
preservação dos interesses e direitos dos Policiais Civis do Estado de Goiás. 
 
 
 
 
 
 
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2. DO DIREITO: 
 
2.1 PRELIMINAR AO MÉRITO: 
 
2.1.1 Da competência: 
 
 O controle de constitucionalidade tem como finalidade precípua a 
garantia da supremacia da Constituição sobre as normas infraconstitucionais, que 
possui procedimento próprio para alteração, supressão ou adição no texto 
constitucional, mais laborioso do que o processo legislativo para a criação das leis 
ordinárias, que devem se submeter aos ditames maiores, adequando-se à 
Constituição, sob pena de ser removida do ordenamento jurídico pátrio. 
 Sendo assim, o controle de constitucionalidade impõe ao legislador 
infraconstitucional a necessária atenção aos preceitos contidos na Magna Carta, 
seja a do Constituinte originário, seja a do Constituinte secundário, fazendo com que 
essas Cartas Políticas sejam o parâmetro de validade para as leis ordinárias, não 
dando sorte a qualquer alteração legislativa capaz de suprimir ou alterar direito 
decorrente da Constituição. 
 Se a Lei Estadual ou Federal infringir, materialmente ou formalmente, 
dispositivo previsto na Constituição Federal, esta jamais sucumbirá àquela. Da 
mesma forma, se Lei Estadual ou Municipal ofender texto da Constituição Estadual, 
esta certamente sucumbirá àquela. 
 Para tanto, cabe ao Poder Judiciário, conforme imperativo do 
Constituinte (Originário ou Derivado), processar e julgar as Ações Diretas de 
Constitucionalidade. No plano do controle abstrato, cabe ao STF processar e julgar 
atos ou Leis Estaduais e Federais frente à Carta Política Federal de 1988; e ao 
Tribunal de Justiça, inquirir sobre a inconstitucionalidade de ato ou Lei Municipal ou 
Estadual que afrontem à Constituição Estadual. 
 Neste sentido, o artigo 125, §2º da Constituição Federal, fixa a 
competência dos Estados para instituir controle de constitucionalidade, conforme 
transcrito ipsis litteris abaixo: 
 
Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos 
nesta Constituição. 
(...) 
§ 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis 
ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, 
vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão. 
 
 Nesta toada, quando se diz que “cabe aos Estados a instituição de 
representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos” significa que é de 
competência dos Estados a instituição de controle abstrato e concentrado de 
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constitucionalidade em âmbito estadual, devendo prever em sua Carta Política a 
ADI, a ser julgada pelo respectivo Tribunal de Justiça.1 
 Neste diapasão, prevê a Carta Política do Estado de Goiás, em seu 
artigo 46, inciso VIII, alínea “a”, assevera conforme in verbis: 
 
Art. 46 Compete privativamente ao Tribunal de Justiça: 
(...) 
VIII - processar e julgar originariamente: 
a) a ação direta de inconstitucionalidade e a ação direta de constitucionalidade de 
lei ou ato estadual e municipal, em face da Constituição do Estado, e o pedido de 
medida cautelar a ela relativo; 
 
 Infere-se, destarte, que é competente este Egrégio Tribunal de Justiça 
processar e julgar esta Ação Direta de Inconstitucionalidade, pois a Lei Estadual ora 
em discussão, está em flagrante desrespeito às normas entabuladas na Constituição 
do Estado de Goiás, não podendo conservar-se na órbita jurídica estadual, segundo 
sobrará solidificado. 
 
2.1.2 Da legitimidade ativa: 
 
O controle abstrato de constitucionalidade de atos e\ou leis foi 
introduzido no ordenamento jurídico brasileiro através da Emenda n.º 16\1965 e tem 
rígida delimitação, porquanto tem como única e inarredável função, a de defender a 
supremacia da Constituição, não havendo interesses subjetivos e\ou particulares 
entre o legitimado a figurar no polo ativo da demanda e o ato ou lei impugnada frente 
aos ditames da Lei Maior, seja Federal ou Estadual. 
 Difere-se, deste modo, da legitimidade para figurar no polo ativo da 
demanda no controle difuso, onde todo e qualquer cidadão pode arguir a 
inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo em defesa de interesse próprio. É o 
que brilhantemente explicam os d. professores Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, 
in verbis: 
 
Ao contrário do modelo incidental, em que qualquer interessado pode suscitar a 
controvérsia constitucional relacionada a um caso concreto discutido em juízo, no 
controle via ação direta o direito de propositura é limitado aos órgãos ou entidades 
constitucionalmente legitimados.2 
 
Por conta disso, o Constituinte Originário da Magna Carta Política da 
República Federativa do Brasil de 1988, no art. 103, trouxe o rol taxativo dos entes 
 
1 Direito Constitucional descomplicado \ Vicente Paulo, Marcelo Alexandrino. – 11.ed. – Rio de Janeiro: 
Forense; São Paulo: MÉTODO: 2013. Pág. 926 
2 Direito Constitucional descomplicado \ Vicente Paulo, Marcelo Alexandrino. – 11.ed. – Rio de Janeiro: 
Forense; São Paulo: MÉTODO: 2013, pag. 829. 
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legitimados a propor Ação Direta de Inconstitucionalidade, visto sua importância 
para o Estado Democrático de Direito. Por seu turno, o Constituinte Secundário da 
Constituição do Estado de Goiás trouxe, em reprodução obrigatória ao disposto no 
artigo supracitado, em seu artigo 60, o mesmo rol taxativo dos entes legitimados. 
Vejamos o disposto no art. 60 da Constituição Estadual, ipsis litteris: 
 
Art. 60. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de 
constitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais, contestados 
em face desta Constituição: 
I – o Governador do Estado, ou a Mesa da Assembleia Legislativa; 
II – o Prefeito, ou a Mesa da Câmara Municipal; 
III – o Tribunal de Contas do Estado; 
IV – o Tribunal de Contas dos Municípios; 
V – o Procurador-Geral de Justiça; 
VI – a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Goiás; 
VII – as federações sindicais ou entidades de classe de âmbito estadual; 
VIII – os partidos políticos com representação na Assembleia Legislativa, ou, em se 
tratando de lei ou ato municipais, na respectiva Câmara Municipal. 
 
 Nota-se, que o rol de legitimados a propor Ação Direta de 
Inconstitucionalidade tem como similitudes a característica de representação da 
coletividade, seja no âmbito representativo político ou

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