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AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POLICIA CIVIL

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funcional e órgãos do Poder 
Público. Noutra toada, são entes dotados do dever de executar e fiscalizar o fiel 
cumprimento da Constituição e da defesa do Estado de Direito. 
 A Confederação é formada pela reunião de, ao menos, 3 Federações 
(art. 535 da CLT) e é o órgão confederativo de instância superior máxima, devendo 
representar os interesses das federações regionais e, por via reflexa, os interesses 
das classes imediatamente vinculadas a ela. Por conta dessa natureza 
representativa, tem legitimidade para propor ADI (art. 103, IX, da CF\88), pela 
importância na defesa dos interesses específicos dos trabalhadores a ela 
vinculados, uma vez que a Constituição Estadual de Goiás e, principalmente, a 
Constituição Federal prevê inúmeros direitos indisponíveis de trabalhadores, 
aplicados neste caso aos servidores públicos. 
 Vale salientar que, embora a Constituição Estadual legitime as 
federações sindicais ou entidades de classe de âmbito estadual, para propor 
Ação Direta de Inconstitucionalidade perante o Tribunal de Justiça do Estado 
de Goiás, a Confederação, por ser ente legitimado a propor Ação Direta de 
Inconstitucionalidade junto ao STF impugnando Lei federal, será também, em 
decorrência da máxima do direito in eo quod plus est semper inest et minus 
“quem pode mais, pode menos”, legitimado a impugnar Lei Estadual junto ao 
Egrégio Tribunal de Justiça respectivo. 
 Assim, estando a CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE 
TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS agasalhado indiretamente pelo inciso VII do 
art. 60 da Carta Política Estadual e diretamente pelo inciso IX do art. 103 da 
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Constituição da República, é legítimo para propor a presente Ação Direta de 
Inconstitucionalidade perante este Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. 
 
2.1.3 Da pertinência temática: 
 
 Noutro vértice, imperioso destacar que a jurisprudência do STF 
diferenciou, em parte, os legitimados ativos da ADI constantes no rol alhures 
mencionado, passando a existir, deste modo, aqueles legitimados chamados de 
universais e os considerados especiais. 
 Os primeiros têm como propriedade o poder de impugnar qualquer Lei 
ou ato sem, necessariamente, ter que demonstrar interesses específicos ou liame 
entre as funções, atividades ou fins institucionais com o tema contraditado. Já o 
segundo, são aqueles que, para impugnar Lei ou ato que afronte a Constituição, 
dependem da manifesta conexão entre suas funções ou fins institucionais e a 
matéria contestada, ou seja, depende da pertinência temática. 
 A Suprema Corte criou este simples pressuposto para alguns 
legitimados específicos para a propositura de uma Ação Direta de 
Inconstitucionalidade, principalmente por levar a efeito características próprias de 
cada ente, principalmente no que se refere à representatividade, uma política, outra 
de classes. 
 Em atenção ao entendimento emanado do Supremo Tribunal Federal, 
o Constituinte Derivado editou a Emenda à Constituição Estadual n.º 46, de 09 de 
setembro de 2010, que acrescentou ao art. 60 o §7º, que dispõe, ipsis litteris: 
 
Art. 60. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de 
constitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais, contestados 
em face desta Constituição: 
(...) 
§ 7º Os legitimados constantes nos incisos II, III, IV e VII do “caput” deste artigo 
deverão demonstrar que a pretensão por eles aduzida guarda relação de pertinência 
direta com os seus objetivos institucionais. 
 
 Logo, sendo a confederação, à luz da jurisprudência da Suprema 
Corte, um dos legitimados especiais, mister se faz demonstrar seu interesse de agir 
perante a afronta encontradiça na Lei Estadual, ora em debate, sobretudo aos 
Policiais Civis do Estado de Goiás. 
 Para tanto, imperioso se faz tecer considerações iniciais acerca da 
pertinência temática, requisito que deve ser superado pelo ente legitimado antes de 
ingressar no mérito da causa. 
 Sendo assim, a Pertinência Temática é, em suma, a relação entre a 
matéria outrora impugnada com a finalidade ou função do ente legitimado, devendo 
existir uma ligação clara e objetiva entre um e outro, sob pena de ser declarada a 
ilegitimidade ad causam daquele ente Requerente por não ter interesse para agir. 
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 Assim, aquele legitimado especial que tem por objetivo a defesa dos 
interesses inerentes a uma certa classe de trabalhadores tem legitimidade para 
impugnar Lei ou Ato que altere ou suprima direitos daquela específica classe, pois 
ficará patente seu real interesse em impugnar aquele ato ou Lei. 
 No caso em análise, a CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE 
TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS (COBRAPOL) guarda total relação com a 
matéria contraditada, tendo em vista que a Lei Estadual, ora impugnada, atinge 
diretamente, direitos e interesses dos Policiais Civis do Estado de Goiás, 
representados no Estado de Goiás, pelo Sindicato dos Policiais Civis do Estado de 
Goiás (SINPOL-GO), entidade filiada à COBRAPOL, ora Requerente. 
 Noutro vértice, a COBRAPOL, conforme os incisos do art. 4º de seu 
Estatuto, tem como finalidades precípuas a unificação e organização representativa 
da categoria de policiais civis, em nível nacional; unir todos os policiais civis na luta 
por seus direitos e reivindicações para a melhoria da classe no âmbito político, 
econômico e social; dentre outras inúmeras finalidades para o desenvolvimento e 
progresso da classe de Policiais Civis. 
 Nota-se que a COBRAPOL tem vínculo evidente com a classe de 
Policiais Civis, cuja categoria está tendo, in casu, seus direitos claramente violados, 
mormente a irredutibilidade do salário, pois, conforme será demonstrado linhas 
adiante, a Lei ora rechaçada não cria mais cargos, não visa aumentar o efetivo 
policial (não obstante era o que efetivamente deveria ser), mas tão somente substitui 
um cargo melhor remunerado por Lei, por outro com subsidio inferior. 
 Deste modo, resta demonstrado a pertinência temática entre o ente 
legitimado, ora Requerente, com a matéria objurgada, qual seja, a Lei Estadual ora 
em debate. E havendo a pertinência temática, é de se inferir pela legitimidade da 
COBRAPOL para figurar no polo ativo desta demanda o que desde já se requer. 
 
2.1.4 Da Tutela Provisória de Urgência Cautelar com pedido Liminar: 
 
 A tutela de urgência, prevista nos artigos 294 c\c 300, ambos do 
Código de Processo Civil, pressupõe a existência inconteste da probabilidade do 
direito (fumus boni iuris) e do perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo 
(periculum in mora). 
 Logo, em havendo casos em que há fundado receio de ocorrência de 
dano grave ou risco de resultado útil do processo, cumulado com a probabilidade do 
direito, a medida liminar deve ser concedida, fazendo cessar o dano ou tutelando o 
resultado válido da demanda. 
 No presente caso, por tratar-se de Lei Estadual que ‘cria’ cargos a 
serem preenchidos, é evidente que a suspensão da eficácia normativa da mesma é 
medida que se impõe, visto que em se chegando na conclusão de que há vícios 
formais e materiais que invalidam a norma posterior aos tramites legais, e se já tiver 
iniciado certame para provimento daqueles cargos com a remuneração prevista na 
norma em debate, ou até mesmo se encerrado, poderá gerar grave dano ao erário, 
vez que tendo em vista que não houve estudo prévio sobre o impacto nas finanças 
do Estado, é certo que resultará em grave abalo

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