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AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POLICIA CIVIL

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para os próprios serviços públicos, 
BRUNO PENA & ADVOGADOS ASSOCIADOS S/S 
Rua 1, n.º 928 - Ed. Wall Street - Setor Oeste - Goiânia - Goiás - CEP.: 74.115-040 
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tendo em vista que os subsídios dos policiais contratados terão que ser 
readequados ao valor legal, ou certame terá que ser anulado, o que por certo levará 
em reparação cível. 
 Mas para tanto, necessário demonstrar a existência do periculum in 
mora e do fumus boni iuris que justificam a concessão da tutela provisória requerida. 
 
2.1.4.1 Do periculum in mora: 
 
 O perigo da demora, consubstanciado no risco de grave dano ou 
ameaça à solução válida do processo judicial deve ser analisada com ponderação, 
com o fim de evitar que a decisão tomada traga consequências graves a ambas as 
partes. 
 No presente caso, há de se observar primeiramente que não há criação 
de cargos, mas tão somente uma transferência de vagas de um cargo melhor 
remunerado para outro que tem subsidio absurdo! 
 Conforme restará demonstrado, o objetivo desta malfadada Lei 
Estadual é dar ares de legalidade a verdadeira afronta à Constituição Estadual e à 
Federal, consubstanciada principalmente na redutibilidade de subsídios. 
 Por isso, se faz necessário a concessão da medida liminar, ora 
requerida, suspendendo in totum a eficácia da Lei em questão. Posto que se 
produzir efeitos poderá gerar grave prejuízo ao erário público em função da ausência 
de planejamento e estudo socioeconômico da repercussão desta Lei no orçamento 
público. 
 Também porque, não obstante a Lei não estar efetivamente criando 
cargos, mas tão somente transferindo vagas, será necessário a realização de 
concurso público para provimento das vagas criadas para os ‘cargos’ de Agente de 
Polícia Substituto e Escrivão de Polícia Substituto. Esse certame fundamentando-se 
em Lei inconstitucional, não terá, por certo, validade, e assim, o trabalho com a 
elaboração do edital, preparativos para as provas e demais fases do certame serão 
um desperdício de dinheiro público, o que não se pode anuir. Ainda, pode-se cogitar 
acerca da conclusão deste certame e consequente contratação destes servidores, o 
que no caso de ulterior declaração da inconstitucionalidade da Lei, gerará, com 
meridiana clareza, um tumulto no Estado, com crescimento das demandas neste 
Egrégio Tribunal, pois os aprovados dentro do número de vagas constantes no edital 
vão intentar ocupar sua respectiva vaga. 
 Num outro vértice, há se de considerar também os efeitos desta Lei 
aos policiais e escrivães que já se encontram em pleno serviço público, ocupantes 
dos cargos de 3ª Classe, níveis I, II e III, visto que estes terão também um 
prolongamento indevido na carreira em decorrência da diminuição de vagas na 
respectiva classe, infringindo o princípio da isonomia. 
 Enfim, a Lei impugnada gera inúmeros efeitos, de modo que a sua 
suspensão, de inicio, é a melhor solução para se resguardar propensos 
problemas tanto quanto a gastos desnecessários e procedimentos que são, 
desde o princípio, desprovidos de legalidade. 
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2.1.4.2 Do fumus boni iuris: 
 
O fumus boni iuris é a conclusão não exaustiva da probabilidade e 
viabilidade do direito invocado, frente aos elementos jungidos aos autos que 
demonstrar de forma contundente a titularidade do direito e\ou sua existência. 
Deste modo, em havendo indícios de que o Requerente tem razão em 
seu pleito, existe assim o fumus boni iuris, apto a ensejar a concessão da medida 
provisória de urgência, requerida liminarmente, pois em conjunto com os 
argumentos lançados alhures que atestam a existência de perigo de grave dano 
e\ou de inutilidade do provimento final após o decorrer da marcha processual, é 
medida imperativa a supradita concessão. 
Isto porque a norma estadual em debate, ao criar os cargos de 
escrivão de polícia substituto e agente de polícia substituto, nas respectivas 
carreiras da Delegacia-Geral da Polícia Civil, alterando a Lei Estadual n.° 16.901, de 
26 de janeiro de 2010, cometeu desvio de finalidade da norma, e ainda feriu: a) o 
princípio da irredutibilidade de subsídios, prevista no artigo 92, inciso XVII, e artigo 
95, II, ambos da Constituição do Estado de Goiás, bem como no artigo 37, inciso 
XV, da Constituição Federal; b) o princípio da isonomia, uma vez que cria cargos na 
carreira da Polícia Civil, sem identificar sua função específica, o que levaria a 
situação de servidores desenvolvendo a mesma função, mas com remuneração 
distinta, sendo uma muita aquém da outra; c) os critérios de remuneração 
estabelecidos nos incisos I, II e III, do §1º, do artigo 94, da Constituição do Estado 
de Goiás; e d) o direito à aposentadoria, prevista no inciso XVI, do artigo 95, da 
Constituição do Estado de Goiás, uma vez que ao prolongar a carreira que antes 
era de 20 anos, para 24 anos, diminuirá a possibilidade de o servidor se aposentar 
no topo da carreira. 
Conforme será demonstrado, a Lei viola também os princípios da 
legalidade, isonomia, proporcionalidade e razoabilidade, principalmente se se 
analisar a forma da referida Lei, as omissões presentes referentes à atribuições e 
responsabilidades, a clara e inconteste discrepância entre os valores dos subsídios 
entre os cargos ‘criados’ e os já existentes dentro do plano de carreira daqueles 
cargos, a disparidade entre as atribuições presumidas dos cargos ‘criados’ com o 
valor de seu particular subsidio e a ilegal diferenciação de direitos entre os 
servidores públicos que já encontram-se na ativa com os que ainda vão ingressar na 
carreira. 
Ademais, o artigo 95, inciso II assevera que é direito dos servidores 
públicos estaduais a irredutibilidade dos subsídios, consistentes na vedação da 
redução da contraprestação devida ao ocupante de cargos públicos. No caso ora em 
debate, é de fácil percepção a redutibilidade salarial. Primeiramente, a discrepância 
entre o subsidio do cargo tido como inicial da carreira (cargo de 3ª Classe, nível I) 
com os ‘criados’, que chega ao vultuoso valor de R$ 2.478,19 (dois mil, quatrocentos 
e setenta e oito reais e dezenove centavos), de diferença. Claro e incontestável a 
redutibilidade de subsídios. 
Na mesma esteira, o §1º do art.94 da Carta Política Estadual determina 
que os cargos devem ter subsídios condizentes com “a natureza, o grau de 
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responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira; e as 
peculiaridades dos cargos” (incisos I e III do dispositivo supracitado). De início, cabe 
frisar que para a criação de qualquer cargo, mister se faz expor 
pormenorizadamente as atribuições e peculiaridades deste cargo que possam 
justificar o valor do subsidio, ausente in casu. 
A Lei Estadual em discussão foi elaborada sob a competência do 
Governador do Estado de Goiás, nos termos do art. 37, XII da Constituição Estadual 
e, por isso, deveria de fato ‘criar’ um cargo e não transferir vagas, maquiando a real 
intenção já devidamente explorada. 
Assim, demonstrada a probabilidade do direito concernente à 
inconstitucionalidade material e formal da Lei Estadual n.º 19.275 de 28 de abril 
de 2016, em decorrência das sucessivas transgressões à Lei Máxima, tanto 
Federal, quanto e Estadual, bem como a princípios norteadores do direito e da 
atuação da administração pública, a concessão da medida liminar pleiteada 
com

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