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AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POLICIA CIVIL

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fixado em R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). 
 
 Contudo, é de se assustar a discrepância entre o valor acima 
citado com o subsidio dos policiais da antiga classe inicial de Agentes e 
Escrivães Policiais que é de R$ 3.978,19 (três mil, novecentos e setenta e oito 
reais e dezenove centavos), ou seja, é uma diferença de R$ 2.478,19 (dois mil, 
quatrocentos e setenta e oito reais e dezenove centavos) para cargos que, nos 
termos da omissão encontradiça na referida norma, exercerão as mesmas 
funções e atribuições, com a mesma importância na guarda dos interesses 
sociais da segurança pública. 
 É uma desproporcionalidade monstruosa com as atribuições e a 
natureza de risco dos cargos de Agente e Escrivão Policial que diuturnamente 
estão sujeitos à morte em defesa da paz social e da ordem pública. Essa 
desproporcionalidade só evidencia que a finalidade da Lei é a de reduzir o 
valor dos subsídios, dificultar a promoção e o avanço na carreira, bem como 
para ampliar a carreira policial, definindo um tempo que destoa da natureza 
jurídico-social dos cargos de Policial Civil e Escrivão de Polícia. 
 Nesta toada, evidencia-se que não existe realmente a criação de 
cargos, mas tão somente a transferência de vagas de uma classe melhor 
remunerada, Agente Policial e Escrivão de Polícia de 3ª Classe – com subsidio 
máximo de R$ 3.978,19 (três mil, novecentos e setenta e oito reais e dezenove 
centavos), para uma classe de remuneração pífia, no valor de R$ 1.500,00 (mil e 
quinhentos reais). 
 É em razão desta situação, que, mais do que manifestou o 
Excelentíssimo Senhor Governador do Estado, sobre os efeitos para o orçamento 
estatal, o que haverá é a sua ampliação, com a redução dos gastos com a 
remuneração dos policiais civis em inícios de carreira. 
É inequívoco direito dos servidores públicos estaduais, com 
fundamento nos objetivos fundamentais do Estado e no art. 95, II, da Carta Política 
Estadual, a irredutibilidade dos subsídios. Senão, vejamos: 
 
Art. 95. São direitos dos servidores públicos do Estado, além de outros que visem à 
melhoria de sua condição social: 
(...) 
II - irredutibilidade dos vencimentos, proventos ou subsídios, observado o inc. XVII, 
do art. 92; 
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Ademais, há de ressaltar que constitui objetivos fundamentais do 
Estado de Goiás “contribuir para uma sociedade livre, justa, produtiva e solidária” 
(art, 3º, I, da Constituição Estadual), e “promover o desenvolvimento econômico e 
social, erradicando a pobreza e a marginalização e reduzindo as desigualdades 
regionais e as diferenças de renda” (art. 3º, II, da Constituição Estadual). A medida 
tomada pelo Governador do Estado de Goiás, ao editar a Lei, em discussão, que 
prevê subsidio de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) a um Policial Civil constitui 
franca violação aos objetivos fundamentais acima citados. 
Destarte, os incisos do §1º do art. 94 da Constituição do Estado de 
Goiás, (cópias dos incisos do §1º do art. 39 da Magna Carta), asseveram o seguinte: 
 
Art. 94 - O Estado e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, 
conselho de política de administração e remuneração de pessoal, integrado por 
servidores designados pelos respectivos Poderes. 
§ 1º - A fixação dos padrões de vencimentos e dos demais componentes do sistema 
remuneratório observará: 
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes 
de cada carreira; 
II – os requisitos para a investidura; 
III – as peculiaridades dos cargos. 
 
Todavia, os critérios impostos pela norma Constitucional, para a 
fixação dos padrões de vencimentos e dos demais componentes do sistema 
remuneratório, foram flagrantemente ignorados, na fixação da remuneração dos 
Agentes e Escrivães de Polícia Substitutos. 
 Não se pode olvidar que cabe ao administrador público criar métodos 
capazes de poupar o erário, mormente ante a atual situação da economia brasileira. 
Porém, o que se vê é a redução do efetivo da Polícia Civil do 
Estado de Goiás, para a criação de cargos pior remunerados, o que configura 
indubitável redução salarial da categoria, o que inexoravelmente inviabiliza a 
eficácia, da citada norma estadual, por afronta direta à Constituição do Estado 
de Goiás, conforme já exaustivamente demonstrado. 
 
2.2.3 Da inconstitucionalidade decorrente da afronta ao princípio da isonomia, 
bem como aos critérios de remuneração estabelecidos nos incisos I, II e III, do 
§1º, do artigo 94, da Constituição do Estado de Goiás: 
 
O princípio da isonomia ou também chamado de princípio da igualdade 
é o pilar de sustentação de qualquer Estado Democrático de Direito. 
O sentimento de igualdade na sociedade moderna pugna pelo 
tratamento justo aos que ainda não conseguiram a viabilização e a implementação 
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de seus direitos mais básicos e fundamentais para que tenham não somente o 
direito a viver, mas para que também possam tem uma vida digna. 
Este princípio remonta as mais antigas civilizações e esteve sempre 
embutido, dentro das mais diversas acepções de justiça mesmo que com 
interpretações diferentes, umas mais abrangentes outras nem tanto, ao longo da 
história. 
O Decreto-Lei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943, mais conhecido como 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), embora não seja aplicável ao caso, do 
ponto de vista didático, nos traz interessante conceito de isonomia: 
 
Art. 461 - Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao 
mesmo empregador, na mesma localidade, corresponderá igual salário, sem 
distinção de sexo, nacionalidade ou idade. 
 
No tocante, ao serviço público, a eminente Ministra Cámem Lúcia, em 
julgamento da ADI n.º 4303, no colendo Supremo Tribunal Federal, assim 
consignou: 
 
Servidores que ocupam os mesmos cargos, com a mesma denominação e na mesma 
estrutura de carreira, devem ganhar igualmente (princípio da isonomia). 
(ADI 4303, Rela. Mina. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 05/02/2014, DJe 
28/08/2014). 
 
Neste sentido, os incisos do §1º do art. 94 da Constituição do Estado 
de Goiás, (cópias dos incisos do §1º do art. 39 da Magna Carta), asseveram o 
seguinte: 
 
Art. 94 - O Estado e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, 
conselho de política de administração e remuneração de pessoal, integrado por 
servidores designados pelos respectivos Poderes. 
§ 1º - A fixação dos padrões de vencimentos e dos demais componentes do sistema 
remuneratório observará: 
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes 
de cada carreira; 
II – os requisitos para a investidura; 
III – as peculiaridades dos cargos. 
 
 Constata-se, em percepção não exaustiva, que o Constituinte derivado 
impôs a necessidade de fixação de particularidades dos cargos pertencentes ao 
funcionalismo público, de modo que cabe ao administrador público, exercendo sua 
competência exclusiva para criar cargos públicos, descrever de forma 
pormenorizada quais são as peculiaridades do cargo, “a natureza, o grau de 
responsabilidade e a complexidade dos cargos” daquela carreira. 
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 Cabe, outrossim, ao elaborador da Lei de criação de

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