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AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POLICIA CIVIL

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cargos, fazer 
constar, impreterivelmente, quais são as atribuições e obrigações do cargo, de modo 
que sua remuneração\subsidio deverá guardar consonância com a natureza, 
importância e grau de complexidade da profissão, além de não dar sorte a qualquer 
usurpação de outro cargo já definido anteriormente, ferindo, assim, a isonomia do 
cargo. 
 No caso em tela, não há qualquer discriminação de atribuição ou 
função dos Agentes de Polícia Substitutos e Escrivães de Polícia Substituto, 
fazendo, destarte, presumir que estes irão possuir as mesmas atribuições dos 
Policiais e Escrivães de Classes superiores. 
 Nesta toada, vejamos o que dispõe a Lei contraditada, in verbis: 
 
Art. 1º. Ficam criados, nas respectivas carreiras da Delegacia-Geral da Polícia Civil, 
da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária, os 
cargos de Escrivão de Polícia Substituto e Agente de Polícia Substituto, com 
quantitativos de 220 (duzentos e vinte) e 280 (duzentos e oitenta) unidades, 
respectivamente. 
 
 O artigo supramencionado não dispõe, nem de forma sutil, quais serão 
as atribuições do cargo de Escrivão e Agente de Polícia Substitutos. Prevê, de forma 
genérica e abstrata, a hipotética “criação” daqueles cargos nas respectivas carreiras 
da Delegacia-Geral da Polícia Civil. 
 Em sendo assim, é evidente que a Lei é inconstitucional, neste sentido, 
visto que era impositivo ao legislador prever as delimitações, atribuições e 
responsabilidade dos cargos criados, sob pena de dar sorte a usurpação de cargos, 
nos termos já expostos acima. 
 Desta toada, além da possibilidade de os Agentes e Escrivães de 
Polícia Substitutos vierem a exercer atividades que são atribuídas a outros cargos, 
ficará patente o desvirtuamento consequente dessa norma legal quanto à 
desproporcionalidade de subsídios, onde funcionários públicos de uma mesma 
unidade ou órgão, exercerão as mesmas atividades e atribuições, com subsídios 
que variam, no mínimo, em R$ 2.478,19 (dois mil, quatrocentos e setenta e oito reais 
e dezenove centavos). 
 Insta salientar, ainda, que o presente caso se destoa de forma 
relevante dos casos julgados acerca da criação de cargos comissionados. Aqui, 
trata-se de cargos de caráter efetivo, que foram criados com fim de tão somente 
reduzir os salários dos servidores públicos, estendendo a carreira policial que é de 
risco, o que gerará efeitos devastadores tanto à saúde física e mental dos policiais e 
escrivães, quanto na dotação orçamentária do Estado de Goiás a longo tempo. 
 Há de se destacar ainda que é dever do Estado a organização de seus 
serviços públicos essenciais e de utilidade pública (art. 5º, V, da Constituição 
Estadual) com o fim de se manter a segurança e a ordem pública (art. 5º, XI, da 
Constituição Estadual). Porém, a criação de um dito novo cargo que não prevê 
qualquer discriminação de suas específicas atribuições, fazendo presumir que são 
as mesmas dos Policiais Civis e Escrivães de Polícia de 3ª Classe, chega-se ao 
entendimento de que não se vislumbrou qualquer das obrigações estatais acima 
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Rua 1, n.º 928 - Ed. Wall Street - Setor Oeste - Goiânia - Goiás - CEP.: 74.115-040 
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descritas como finalidade norteadora da elaboração da Lei impugnada, mas tão 
somente um interesse econômico ilegal, que não observou, nem em primeiro 
momento, o interesse público e a obrigação de agregar maiores meios para se 
chegar a uma melhor Segurança Pública no nosso querido Estado de Goiás. 
Desta forma, diante da flagrante afronta ao princípio da isonomia, 
bem como ao entabulado nos incisos do §1º, do artigo 94, da Constituição do 
Estado de Goiás, mais uma vez a inconstitucionalidade norma discutida se 
impõe. 
 
2.2.4 Da inconstitucionalidade decorrente do prolongamento da carreira 
policial, em mais quatro anos: 
 
 A carreira de Agente e Escrivão da Polícia Civil do Estado de Goiás, 
até então, dividida em quatro classes (3ª Classe, 2ª Classe, 1ª Classe, e Classe 
Especial), e 10 níveis, demandava em torno de 20 (vinte) anos para alcance do topo. 
Contudo, com as alterações trazidas, pela Lei ora questionada, aumentou-se mais 
quatro anos para tal intento, com a criação das classes de Agente de Polícia 
Substituto e Escrivão de Polícia Substituto. 
Destaca-se que a Lei em debate faz menção a criação de um cargo, e, 
em alteração substancial das respectivas carreiras, tendo em vista que há previsão 
também de alteração quanto ao prazo de permanência naqueles cargos que passam 
a constituir as classes iniciais das respectivas carreiras (parágrafo único do art. 54 
da Lei 16.901, de janeiro de 2010 c\c e incisos do art. 3º da norma atacada). 
 Após a vigência da norma questionada, a carreira policial foi 
absurdamente alterada, aumentando o tempo necessário para que Agentes e 
Escrivães de Polícia cheguem ao merecido topo da carreira, com subsídios 
proporcionais e razoáveis diante da incontestável importância e da experiência do 
agente público obtidas durante tantos anos na frente da defesa dos cidadãos. 
 Em virtude do que dispõe o art. 3ª da referida lei, os novos servidores 
públicos que ocuparão os ‘cargos’ de Escrivão e Agente de Polícia Substitutos terão 
que permanecer na ativa por pelo menos 24 (vinte e quatro) anos. E acabará 
fazendo jus, por consequência, nos termos da legislação referente à matéria que 
regula a concessão de aposentadoria especial a policiais e escrivães de polícia (Lei 
Complementar 59, de 13 de novembro de 2006 c\c art. 53 da LC 77, de 22 de janeiro 
de 2010), ao necessário pagamento do abono de permanência (art. 1º da Lei 
Complementar Estadual n.º 118, de 06 de novembro de 2015, que altera a Lei 
Complementar Estadual n.º 77, de 22 de janeiro de 2010, que dá expresso direito ao 
abono de permanência ao Policial Civil que, preenchidos os requisitos para 
aposentar-se, continua na ativa), além de que em razão do desgaste natural da 
profissão, aumentará a quantidade de pedidos de licença médica e outros 
consectários lógicos, o que, evidentemente, levará a um gasto astronômico para o 
erário. 
Ademais, não houve o necessário estudo, conforme em linhas 
pretéritas exposto, sob o efeito desta medida na previdência social no que se refere 
ao benefício do abono de permanência a longo prazo. 
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Não se pode deixar de salientar que com a redução do número de 
vagas de Agente e Escrivão de 3ª Classe, haverá também maior dificuldade 
para as promoções, em virtude da escassez de vagas, levando os policiais a 
permanecer por maior tempo em uma determinada classe. 
 Assim, evidencia-se novamente que a norma sob censura foi elaborada 
não com intuito de manter a segurança e a ordem pública (art. 5º, XI, da Constituição 
Estadual), agregando maior força policial aos quadros da Polícia Civil do Estado de 
Goiás, mas sim com intuito de estender a carreira, de uma categoria que por sua 
natureza é estressante, perigosa e que expõe o funcionário público a intemperes 
que pode leva-lo à morte, violando, consequentemente o princípio da dignidade da 
pessoa humana (inciso XII do art. 5º da Lei Maior do Estado). 
Portanto, diante do ilegal prolongamento da carreira policial, sem 
estudos dos impactos desta medida na previdência do Estado, a sua 
inconstitucionalidade, novamente, se impõe. 
 
3. DOS PEDIDOS: 
 
Ante ao exposto, diante dos argumentos lançados acima, que expõem 
inúmeras irregularidades, formais e materiais da norma impugnada, demonstrando 
flagrante desrespeito à hierarquia das normas jurídicas

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