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42   Circulação

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sanguínea é mais alta.
Retorno do líquido pelo sistema linfático
O corpo humano adulto perde por dia cerca de 4 a 8 L de 
líquido dos capilares para os tecidos circundantes. Ocorre 
também algum vazamento de proteínas do sangue, ainda 
que a parede capilar não seja muito permeável a molécu-
las maiores. O líquido e as proteínas perdidos retornam 
ao sangue pelo sistema linfático, que abrange uma rede 
de vasos diminutos interligados aos capilares do sistema 
cardiovascular, bem como vasos maiores para os quais dre-
nam vasos pequenos.
Após entrar no sistema linfático por difusão, o líquido 
perdido pelos capilares é chamado de linfa; sua composi-
ção é mais ou menos a mesma que a do líquido intersticial. 
O sistema linfático drena para veias grandes do sistema car-
diovascular na parte inferior do pescoço (ver Figura 43.7). 
Essa união dos sistemas linfático e cardiovascular permite 
a transferência de lipídeos do intestino delgado para o san-
gue (ver Capítulo 41).
O movimento da linfa dos tecidos periféricos para o 
coração depende muito dos mesmos mecanismos respon-
sáveis pelo fluxo sanguíneo nas veias. Como as veias, os 
vasos linfáticos têm válvulas que impedem o refluxo de 
líquido. As contrações rít-
micas das paredes dos vasos 
ajudam a movimentar líqui-
do para os vasos linfáticos 
pequenos. Além disso, as 
contrações dos músculos 
esqueléticos exercem um 
papel importante no movi-
mento da linfa.
Os transtornos no flu-
xo linfático com frequência 
resultam na acumulação de 
líquido, ou edema, nos tecidos afetados. Em algumas cir-
cunstâncias, a consequência é mais grave. Por exemplo, 
certas espécies de vermes parasíticos se alojam nos vasos 
linfáticos e bloqueiam o movimento da linfa, causando ele-
fantíase, condição caracterizada pelo inchaço extremo dos 
membros ou outras partes do corpo.
Ao longo de um vaso linfático encontram-se órgãos 
filtradores de linfa denominados linfonodos, que de-
sempenham um papel importante na defesa do corpo 
(Figura 42.15). No interior de cada linfonodo há uma rede 
de tecido conectivo com espaços preenchidos por leucóci-
tos, que atuam na defesa. Quando o corpo está combaten-
do uma infecção, os leucócitos se multiplicam rapidamente 
e os linfonodos tornam-se inchados e doloridos. Por isso, 
o médico pode verificar se há linfonodos inchados no seu 
pescoço, axilas ou virilha quando você se sente mal. Visto 
que os linfonodos capturam células cancerígenas, os mé-
dicos podem examiná-los em pacientes com câncer para 
detectar a extensão da doença.
Recentemente, evidências têm demonstrado que o sis-
tema linfático também desempenha um papel nas respostas 
imunes prejudiciais, como aquelas responsáveis pela asma. 
Por causa dessas e de outras descobertas, o sistema linfático, 
em grande parte ignorado até a década de 1990, tornou-se 
uma área muito ativa e promissora da pesquisa bioquímica.
REVISÃO DO CONCEITO 42.3
 1. Qual é a causa principal da baixa velocidade do fluxo sanguí-
neo nos capilares?
 2. No curto prazo, que funções cardiovasculares podem deixar 
os músculos esqueléticos de um animal mais bem capacita-
dos a escapar de uma situação perigosa?
 3. E SE. . .? Se você tivesse corações adicionais distribuídos 
pelo corpo, quais seriam uma provável vantagem e uma 
provável desvantagem?
Ver respostas sugeridas no Apêndice A.
Célula 
sanguíneaMovimento final do líquido para fora
Pressão 
sanguínea
Pressão 
osmótica
LÍQUIDO 
INTERSTICIAL
Extremidade 
arterial do capilar
Extremidade 
venosa do 
capilar
Direção do fluxo sanguíneo
� Figura 42.14 Trocas entre os capilares e o líquido intersti-
cial. Este diagrama mostra um capilar hipotético onde a pressão san-
guínea excede a pressão osmótica ao longo de todo o seu comprimen-
to. Em outros capilares, a pressão sanguínea pode ser mais baixa do 
que a pressão osmótica ao longo de todo o capilar ou em parte dele.
 Linfonodos
� Figura 42.15 Linfono-
dos e vasos humanos. Nesta 
imagem de raios X colorida, são 
visíveis os linfonodos e os vasos 
perto do fêmur.
928 REECE, URRY, CAIN, WASSERMAN, MINORSKY & JACKSON
CONCEITO 42.4
Os componentes sanguíneos atuam nas 
trocas, no transporte e na defesa
Como vimos no Conceito 42.1, o líquido transportado por 
um sistema circulatório aberto tem continuidade com o lí-
quido que circunda todas as células do corpo e, por isso, 
apresenta a mesma composição. Por outro lado, o líquido 
de um sistema circulatório fechado pode ser altamente es-
pecializado, como é o caso do sangue dos vertebrados.
Função e composição do sangue
O sangue dos vertebrados é um tecido conectivo que con-
siste em células suspensas em uma matriz líquida denomi-
nada plasma. A separação dos componentes sanguíneos 
usando uma centrífuga revela que os elementos celulares 
(células e fragmentos celulares) ocupam cerca de 45% do 
volume do sangue (Figura 42.16). O restante é plasma. 
Dissolvidos no plasma encontram-se íons e proteínas, que 
junto com os eritrócitos atuam na regulação osmótica, 
transporte e defesa.
Plasma
Entre os muitos solutos no plasma estão os sais inorgâni-
cos na forma de íons dissolvidos, às vezes referidos como 
eletrólitos do sangue (ver Figura 42.16). Os íons dissolvidos 
são um componente essencial do sangue. Alguns desses 
íons tamponam o sangue, que em humanos normalmente 
tem um pH de 7,4. Os íons são importantes também na ma-
nutenção do equilíbrio osmótico do sangue. Além disso, a 
concentração de íons no plasma afeta diretamente a com-
posição do líquido intersticial, onde muitos desses íons têm 
um papel vital nas atividades muscular e nervosa. Para cum-
prir todas essas funções, os eletrólitos plasmáticos necessi-
tam permanecer dentro de faixas de concentração estreitas 
(no Capítulo 44, exploraremos a função homeostática).
As proteínas plasmáticas, incluindo as albuminas, 
atuam como tampões contra as alterações do pH e ajudam 
a manter o equilíbrio osmótico entre o sangue e o líquido 
intersticial. Certas proteínas plasmáticas têm funções adi-
cionais. As imunoglobulinas, ou anticorpos, combatem 
os vírus e outros agentes estranhos que invadem o corpo 
(ver Figura 43.10). As apolipoproteínas acompanham lipí-
deos, que são insolúveis na água e conseguem deslocar-se 
no sangue somente quando ligados a proteínas. O plasma 
contém também fibrinogênios, fatores de coagulação que 
ajudam a bloquear vazamentos quando os vasos sanguíneos 
são rompidos. (O termo soro se refere ao plasma sanguíneo 
do qual esses fatores de coagulação foram retirados.)
O plasma contém igualmente uma ampla diversidade de 
outras substâncias transitando de uma parte do corpo para 
outra, incluindo nutrientes, resíduos metabólicos, gases res-
piratórios e hormônios. O plasma tem uma concentração 
Água Solvente
Basófilos
Linfócitos
Eosinófilos
MonócitosNeutrófilos
Íons (eletrólitos 
do sangue)
Sódio
Potássio
Cálcio
Magnésio
Cloreto
Bicarbonato
Equilíbrio osmótico, 
tamponamento do 
pH e regulação da 
permeabilidade de 
membrana
Componentes 
separados do 
sangue
Proteínas 
plasmáticas
Albumina Equilíbrio osmótico 
e tamponamento 
do pH
Defesa
Substâncias transportadas pelo sangue
Nutrientes (como glicose, ácidos graxos, 
vitaminas)
Resíduos do metabolismo
Gases respiratórios (O2 and CO2)
Hormônios
Constituinte
Plasma 55%
Leucócitos (glóbulos brancos)
Eritrócitos (glóbulos vermelhos)
Plaquetas
5.000–10.000
5.000.000–6.000.000
250.000–400.000
Defesa e 
imunidade
Transporte de O2
e parte de CO2
Coagulação 
sanguínea
Tipo celular Quantidade
por µL (mm3) de sangue Funções
Componentes celulares 45%
Funções principais
Imunoglobulinas 
(anticorpos)
Apolipoproteínas
Fibrinogênio Coagulação
Transporte de 
lipídeos
� Figura 42.16 Composição do sangue dos mamíferos.
BIOLOGIA