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uroanalise livro pdf

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2'1 edi ção 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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METODISTA 
I 
 
 
 
 
Editora S11/f1111 
EDITORA UNIVER SITÁRIA METODISTA IPA 
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INTRODUÇÃO 
 
 
A medicina laboratorial teve seu início com a análise 
da urina. Referências ao estudo da urina foram encontradas 
em desenhos dos homens das cavernas e nos hieróglifos 
egípcios, como o papiro cirúrgico de Edwin Smith, cujos 
quadros represen tavam os médicos da antiguidade exa- 
minando um frasco de urina. Embora não contassem com 
métodos sofisticados de exame, eles eram capazes de obter 
informações através de observações básicas, como cor, tur- 
vação, odor, volume, viscosidade e até mesmo a presença 
de açúcar em certas amostras, por observar a aproximação 
de formigas e outros insetos na urina de alguns pacientes. 
Diversos autores da área médica estão ligados ao estudo da 
urina, inclusive Hipócrates (460-370 a.C.), que escreveu 
sobre uroscopia. Em decorrência do aumento do conh e- 
cimento científico-tecnológico observado no século XX, 
a realização do exame de urina evoluiu, tornando- se uma 
ciência plena, denominada uroanálise. 
A análise de urina é considerada um exame de rotina 
devido à facilidade na obtenção da amostra para análise, 
ao baixo custo, à simplicidade e por fornecer informações 
valiosas sobre muitas das principais funções metaból icas 
do organismo. A uroanálise fornece informações importan- 
tes, de forma rápi da e econômica para o diagnóstico e moni- 
toramento de doenças renais e do trato urin ário e para a 
 
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tklt:L\ Jti de dticn'r·;i -.; i:-,l0mica e mcü1ból ica n:io d i reta- 
mente relaci onadas com o rim. 
A u roanál isc é um exame laborator ial não i n vasivo 
que, quando realizado corretamen te, fornece d iversas infor- 
mações úteis para o diagnóstico e a evolução de patologias 
do trato urogenital, além de avaliar a eficácia do tratamento 
e constatar a cura. 
A composição da urina é muito variável, dependendo 
da dieta, do estado nutricional , do metabolismo, da ativida- 
de física, da função renal e da função endócrina. A urina é 
constituída por ureia e outras substâncias orgânicas e inor- 
gânicas dissolvidas em água, como creatinina, ácido úrico, 
amônia, cálcio, cloretos, fosfato, sulfato, bicarbonato etc. 
O exame de urina de rotina (do tipo 1), ou exame 
qualitativo de urina (EQU), ou exame comum de urina 
(ECU), ou elementos anormais do sedimento urinário 
(EAS), compõe-se habitualmente de três etapas: o exame 
físico, o exame químico e a microscopia do sedimento. 
Cada um deles tem seu valor, sendo os dois primeiros de 
execução mais simples e o último sendo considerado mo- 
deradamente complexo. 
 
 
Colheita e conservação 
 
A amostra de urina é de fácil e rápida obtenção e, de- 
vido a esse fato, pode-se induzir a um certo descuido no 
tratamento da amostra após a colheita. Podem ocorrer alte- 
rações na composição da u.rina in vivo e também in vitro, 
sendo, portanto, de grande importânci a que a amostra para 
a realização do exame de urina seja colhida e armazenada 
de forma correta. 
 
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O l aboratório de\ L' 11 t llúcr 1t1 1. !i·111-. • · ,-.co qui- 
micamente l impos e secos. J> 1ra cri anças, ele\ e-se fornecer 
coletores de plástico. Recomenda-se o uso de recipientes 
descartáveis, por serem econômicos e por elim inarem a pos- 
si bi l idade de contaminação decorren te da lavagem incor- 
reta. Devem ser identificados corretamente os referidos fras- 
cos com nome do paciente, data e hora da colheita da amos- 
tra, devendo conter também informações adicionais, tais 
como identificação do laboratório e nome do médico. As 
etiquetas deverão ser colocadas sobre o recipiente e não na 
tampa. A amostra de urina deve ser entregue o mais rápido 
possível no laboratório e a sua análise realizada dentro de 
uma hora. A amostra que não puder ser entregue ou ana- 
lisada em uma hora deverá ser refrigerada ou receber con- 
servante químico apropriado. Se a amostra for mantid a à 
temperatura ambiente por mais de uma hora sem conser- 
vantes poderão ocorrer diversas alterações (Tabela 1). 
A refrigeração é o método de conservação mais usa- 
do. Ela é confiável na prevenção da decomposição bacle- 
riana na urina pelo período de u ma noi te. A refrigeração da 
amostra pode provocar aumento na sua densidade e pre- 
cipitação de fosfatos e uratos amorfos que podem prejud i - 
car a análise microscópica do sedimento. 
Como na maioria dos exames laboratoriais, a qua l i- 
dade dos resultados depende da colheita. Para colher u ma 
··. amostra _que seja .represéntati a do estado metabólico do 
paciente, muitas ve'.?es é neêessário controlar ce1ios aspec- 
tos da colheita, como hora, duração, dieta, medicamentos 
ingeridos e métodos de colheita. 
A urina deverá ter sido col hida recentemente, com 
um volume mínimo de 20 mL, sem adição de conservantes, 
 
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Tabela l . Alterações da ur 111c1 nào conservada 
 
 
Au mento do pi 1 decorrente da degradação de u reia e sua conversão em 
mnônia por bactérias produtoras de urcasc 
Dimi nuição da gl icose cm decorrência da glicól ise e de sua uti lização 
pelas bactérias 
Dimi n uição das cetonas em decorrência da volatização - 
Di mi nu ição da bil irrubina por exposiçao à i"uz 
Dim inuição do urobilinogênio por sua oxidação e conversão à urobilina 
A umento do nitrito em decorrência da redução do ni trato pelas bactérias 
Aumento do número de bactérias 
Aumento da turvação causada por pro-Jiferação bacterian a e possível 
precipitação de material amorfo 
Desintegração das hemácias e dos cilindros, particu larmente na urina 
a lcali na diluída 
A l terações na cor devido à oxidação ou à redução de metabólitos 
 
 
 
 
refr igerada e nunca congelada, para garantir sua melhor 
preservação. Deve estar claramente identificada e colhida 
um um recipiente adequado. 
Deve-se instruir o paciente a utilizar uma esponja com 
sabão para a limpeza e para recolher o jato médio, despre- 
zando o primeiro e o último jato , em recipiente l impo para a 
colheita da amostra. O exame do primei ro jato da urina é 
recomendado quando o objetivo é a investigação do trato 
urinário inferior, mais especificamente da uretra. A urina de 
primeiro jato carreia células e bactérias presentes na uretra, 
tornando-a uma boa amostra ind ireta para outras avaliações, 
como as uretrites com pouca secreção. A diferença de 
celularidade encontrada entre o primeiro e segundo jatos 
auxilia a localizar a origem do processo. 
 
14 
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f\.lULHl ,R: 111stru i r a paciente a 1:1\ a r a arc;i que c ir- 
cunda o meato u rctral com águn e ahuo. /\ 1 1s l:1r ns 
lábios e posicionar o recipiente pa ra amostra soh o 
meato uretra! e u rinar no recipien te cstéri I, cnchl:lldu- 
o aproximadamente até a metade (cerca ele 50 111 L ). 
HOMEM: instruir a retrair o prepúcio, lavar a extre- 
midade distal do pênis que circunda o meato u rctrn l 
com água e sabão. Urinar dentro do recipien te csléri l, 
enchendo-o aproximadamente até a metade (cerca ele 
50 mL). 
 
 
Tipos de amostras: 
 
1. Amostras aleatórias (ao acaso): tipo mais comum de- 
vido à facilidade de colheita e ao menor desconforto 
para o paciente. É útil nos exames de triagem para 
detectar as alterações mais evidentes. Pode produzir 
resultados errados devido à ingestão de alimentos e 
exercícios físicos realizados pouco antes da colheita. 
2. Primeira amostra da manhã: amostra ideal para o 
exame de rotina ou do tipo I. É uma amostra concen- 
trada,